Curso com Seth Godin, nos EUA

Participei no último 30 de abril do curso do Seth Godin, em Nova Iorque. Seth realiza 2-3 cursos como esse por ano, para 30-50 pessoas.

Seth Godin

Seth é dos especialistas de marketing que mais admiro. Já li quase todos os livros dele, acompanho seu blog, que muito frequentemente tem coisas muito boas. O primeiro livro que li foi Vaca Roxa, que comprei por impulso (é comum…). Em seguida li Marketing de Permissão, que é um clássico, em especial para quem trabalha com internet. Daí não parei mais.

Como foi o curso

O curso tem um formato diferente, especial. Ao invés de várias e longas palestras/aulas prontas e pouca discussão, o formato foi outro. Quase nada de palestra e apenas discussão, troca de idéias. Um verdadeiro “toró de parpite”.

Primeira interação do curso: pede para todos baterem palmas, com intervalos de tmpo iguais entre cada “palma”. Em alguns segundos todos estão batendo palmas de forma sincronizada, todos iguais. Ele para e responde: isso é o que todos os seres humanos buscam: estar em sincronia com os outros. Começou bem.

Nos primeiros 30 minutos, Seth fez um pequeno resumo de suas idéias, no que ele acredita e logo em seguida, abre para perguntas, específicas para cada uma das pessoas participando, que no meu curso eram cerca de 30.

Daí em diante o curso vira uma série de mini-consultorias ou estudos-de-caso em tempo real, cada um fazendo uma pergunta sobre seu negócio, suas dúvidas, seus objetivos. Enquanto a pessoa fala um pouco sobre sua empresa, Seth digita o endereço no laptop dele, projetando o site no datashow. Ele já comenta sobre o site, faz perguntas e começa a sugerir, dar opiniões, tudo de uma forma rápida.

O interessante é que a sala está cheia de gente com negócios bem diferentes um do outro. Sites de relacionamento para quem joga golf, software online de colaboração para projetos de design, e-commerce de tecidos, desenvolvedor de plataforma de anúncios para celular, rede de TV (Band, do Brasil) e também portais de conteúdo no agronegócio e cursos online (eu…).

No meu caso, fiz duas perguntas, que geraram respostas muito interessantes sobre desafios que estamos vivendo na empresa. Para refletir e agir.

As perguntas das outras pessoas também eram úteis para os outros participantes. Cada tópico era uma consultoria para quem perguntava e um estudo de caso para todos os outros.

O curso é um resumo intensivo de todos os conceitos de Seth Godin. O interessante é que todos os participantes, como eu, eram leitores assíduos dos trabalhos de Godin. O curso serviu como um reforço e um cristalizador dos conhecimentos. E também pela experiência de buscar insights do Seth para seu próprio negócio.

Alguns pontos interessantes do curso:

Massagem x tatuagem
Procure tornar seu negócio mais parecido com uma tatuagem do que com uma massagem. Sobre tatuagem as pessoas falam, comentam, discutem. Sobre massagem, bom, fica difícil saber que você fez/recebeu uma.

Foco (como uma fogueira)
Seth fez uma relação de foco com uma fogueira (aumente o fogo de sua fogueira, antes de acender outras). Ele disse: estou me preocupando em fazer uma fogueira em Nova Iorque, uma fogueira que faça a diferença. Poderia, por exemplo, ir para outras cidades, regiões, países, mas acredito que terei muito mais sucesso se me focar apenas nessa fogueira (NY) do que tentar “colocar fogo” em vários lugares.

Contar histórias
Um dos conceitos dele é que o marketeiro é um contador de histórias. Ele acha que os principais ingredientes para uma boa história são:
- novidade
- interação
- curiosidades, coincidências da vida

A sua história tem que fazer sentido para seu cliente. Seth reforçou esse ponto várias vezes. Ao contar uma história, e o marketing está fazendo isso todo o tempo, essa história precisa fazer sentido para seu cliente. Precisa se encaixar e ser adequada a visão de mundo dele (e não sua).

Monopólio virtual
Procure criar um produto que utilize a força da rede, em que o produto fica melhor a medida que cada vez mais gente usa. O telefone, o fax e o email foram assim. Se seu produto é mais útil, mais eficiente, ou menos vulnerável a medida que você cresce, você pode conseguir um sucesso bastante robusto e sustentável. Por outro lado, num negócio como esse, ser o segundo siginifca perder tudo.

Livros – mercado de souvenir
Segundo Seth, livros são um souvenir e devem ser encarados como tal. Seu cliente pode obter essa informação de diversas outras formas, mas opta por comprar o livro para ter o bem físico. Em tempo, ele publicou um livro, que virou best-seller, com quase 200 posts do blog dele, ou seja, um livro que está 100% online, de graça. Um dos presentes teve problemas em pedir um autógrafo a ele, os livros estavam gravados no Kindle.

Música – mercado de fã-clube
Outro enfoque muito interessante foi para o mercado de música. Segundo ele, o valor hoje está nos shows, nos eventos, na experiência. Gravar um CD, ou colocar a música na internet está muito fácil (já foi difícil, caro e complicado).

O que as “gravadoras” deveriam focar é na criação de comunidades, tribos, de pessoas interessadas em um mesmo músico e criar uma série de oportunidades para se lucrar com isso. Ele escreveu um artigo muito bom sobre isso.

Não por acaso, o próximo livro dele (soube hoje) se chamará “Tribes”, analisando esse fenômeno de que queremos nos juntar aos nossos iguais. Como diz um dos meus melhores amigos, numa piada caipira “tatu cheira tatu”.

E-commerce
Você pode ser “the place” (o local) para se comprar uma categoria de produtos, ou “the cool place” (o lugar legal) para se comprar. Ser “o lugar” é muito mais difícil. E você pode conseguir um bom lucro sendo um negócio menor, mais focado na experiência, na diferenciação. Difícil de se implementar, mas interessante de se analisar, já que na maioria das categorias, não dá mais, ou é muito caro, se tornar “o” local.

Um exemplo que ele deu foi a loja “Build a Bear Workshop”, onde você não compra, mas “cria” um bicho de pelúcia, que “nasce” no dia que você vai a loja. Segundo Godin, eles não vendem bichinhos de pelúcia, mas uma nova data de festa de aniversário.

Google Adwords
Seth falou um pouco sobre o uso do Google Adwords. Se você vende online e tem uma página que “converte” bem, vale a pena usar esse sistema. Fiquei com vontade de experimentar, mas na minha opinião, o grande desafio é fazer uma página que “converte” bem. Aí mora o segredo.

Mckinsey – o que cada um vende
Ele fez um comentário bem interessante sobre a consultoria, dando exemplo de que devemos prestar atenção muito bem no que cada empresa realmente “vende”. Segundo ele, a Mckinsey não vende consultoria.

Você poderia encontrar idéias tão atuais em outros locais, com outros consultores, por um preço muito mais baixo. O que a Mckinsey vende é a autoridade. Se você a contrata, terá uma ótima razão para justificar as ações “difíceis” de serem tomadas. Por exemplo, você quer fechar uma unidade que não dá lucro, mas isso vai causar uma série de problemas, demissões, mal-estar, etc. Contrate a Mckinsey e você poderá dizer “contratei a Mckinsey e eles recomendaram fechar a fábrica tal…”

O que vou produzir hoje
No final, algumas perguntas pessoais, sobre dia-a-dia, leituras, coisas de fã. Seth diz ler (trechos) de 6-7 livros diferentes por dia, usando principalmente o Kindle. Todo dia se pergunta, como motivador “What I´m going to ship today?”

Interessante pois ele usou o termo “ship”, que significa despachar, coisa que só pode ser feito com um produto “acabado”. Entendi que procura ver o trabalho de cada dia com início, meio e principalmente fim. Achei simples, e muito interessante.

Como ele ganha dinheiro hoje

Além de ter vendido sua empresa (Yoyodine) para o Yahoo no boom da internet, ele disse que suas principais fontes de receita são 1-palestras e 2-livros. Duas das formas mais antigas de comunicação. Os livros têm alguns séculos, e as palestras, ou a fala, é a forma mais antiga de comunicação usada pelo homem (e provavelmente a mais eficiente).

Impressionante, como mesmo sendo um guru do marketing da internet, e tendo o blog sobre marketing mais famoso do mundo, ele ganha mesmo é com coisas “antigas”. Para se pensar.

Fã-clube
O dia todo funcionou como um grande brainstorming para mim. Todos os participantes, sem exceção, eram fãs do trabalho do Seth Godin, tanto que se formou uma fila depois que eu perguntei se ele poderia autografar os 3 livros dele que tinha comigo.
Seth Godin e Miguel Cavalcanti

Momento tiete: autógrafos e foto.

Outras coisas que fiz em NY: corri no Central Park, fui a vários Starbucks (vou escrever sobre isso), li e pensei bastante sobre muitos temas, e visitei uma série de lojas recomendadas pelo Marinho, amigo e especialista em branding e varejo. Além disso fui jantar com um casal de amigos da minha mãe, que me deram ótimas dicas profissionais.

Quatro dias de muita reflexão e novas idéias.

Valeu muito a pena.

Update de 08-junho-08: Ricardo Magalhães, da BizRevolution, escreveu um texto bem legal sobre esse meu resumo do curso.

 

11 Comments


  1. Hey Miguel,

    You should send me an English translation of this post!!

    Check out my post about the Seminar with Seth Godin at http://kathegalu.blogspot.com/2008/05/goodies-from-seth-godin-seminar.html

    Cheers,
    Prakash

  2. Cara, parabéns pelo post, realmente excelente!

  3. Mas que belo post heim Miguel!

    Queria eu ter a oportunidade que tu teve, conhecer esse mestre frente a frente. Muito bom o conteúdo que tu disponibilizou pra nós, realmete de primeira.

    Parabéns pelo blog, sorte na carreira, um abraço!

  4. Ótimo post! Soube do seu Blog por meio da Bizrevolution!

    Sobre o Google Adwords, Seth tem toda razão ao dizer “uma página que converte bem”…pois é isso mesmo…literalmente trata-se de 1 página e não um site. Clientes buscam o que querem no Google, no momento que apresentamos pra ele um anúncio adequado com o que busca, ao clicar ele deseja que a página de destino contenha tudo que ele deseja…daquela página ele só sai para “solicitar mais informações de pagamento”, “cadastro” e “compra”. O grande erro no Brasil, e é o que vejo em muito dos meus clientes, é que eles querem que agente faça uma campanha em Adwords para o site dele…e isso é apenas 50%…pois na verdade é preciso criar páginas de destino específicas para cada grupo de anúncios criados no Adwords…converter bem é muito simples!

    Parabens Miguel! Grande abraço!

    Peterson Mota

  5. Parabéns pelo post!

    Deve ter sido uma oportunidade incrível de conviver com o Seth Godin, fazendo um curso pessoalmente com O CARA.

    Tenho todos os livros dele e admiro muito o trabalho – legal saber que você esteve lá!

    Acabo de virar assinante do seu blog – que mais boas informações venham!

  6. Publicamos a primeira matéria sobre o Seth Godin no Brasil quando ainda tínhamos a Grandes Idéias em MKT na Editora Quantum. Justamente sobre o MKT da Permissão… Nunca ninguém tinha falado sobre ele – foi nosso primeiro ‘furo jornalístico’.

    Depois vieram muitos outros livros, troca de e-mails com o próprio Seth (queria trazê-lo ao Brasil, mas o cara não quer sair de NY, como bem colocou o Miguel), tentei traduzir a Vaca Roxa mas não encontrei uma editora de livros que me apoiasse (me disseram que com esse título não ia vender), enfim… adoro o cara mas nunca consegui ‘encaixar’ nada com ele.

    Esse post do Miguel é ótimo porque sintetiza muito bem o estilo do Godin – rápido, sem enrolação nem teorias esdrúxulas, tudo muito direto e eficaz. Precisávamos de mais gente assim no Brasil (falo tanto do Seth quanto do Miguel! :-)

    Um projeto pessoal do Seth Godin que acho fantástico é o http://www.changethis.com – vale a pena visitar.

    Abraços invejosos (inveja positiva, ainda vou participar desse curso também),

    Raul Candeloro
    Diretor
    Editora Quantum (www.vendamais.com.br)

  7. Luiz Eduardo

    Post excelente! Obrigado Miguel.
    Abs!

  8. Flavia Moraes

    Oi Miguel,
    gostei muito do seu blog. Achei muito interessante o que vc escreveu sobre o curso que fez com o Seth Godin.
    Trabalho com marketing em uma multinacional e sempre quis fazer um curso de mktg bacana nos EUA. Vc tem alguma indicação?
    obrigada!

  9. Miguel,

    Obrigado pelo “convite” ao teu blog. Gostei muito do que você escreveu sobre o Seth Godin! Fico me imaginando apenas como você faz para conciliar toda esta bagagem trabalhando com um dos setores mais atrasados do Brasil que é este nosso de pecuária…vc não acaba se frustrando?!

    Um Grande Abraço,

    Saviani

  10. Miguel,

    Parabens pelo post. Temos um idolo em comum. Vamos trocar mais ideias e fazer 2009 um ano de grandes oportunidades mercadologicas.

Trackbacks

  1. Um outro post sobre o curso com Seth Godin « Miguel da Rocha Cavalcanti
  2. Prazer e dever « Miguel da Rocha Cavalcanti
  3. O que aprendi com Seth Godin « Miguel da Rocha Cavalcanti
  4. Comentários sobre o 1° Encontro IAB Brasil de Mobile Advertising #iab « Miguel da Rocha Cavalcanti
  5. Como melhorar o Kindle, por Seth Godin « Miguel da Rocha Cavalcanti
  6. Breve resenha de Poke the box, novo livro de Seth Godin | Miguel da Rocha Cavalcanti

Leave a Reply