Li há algumas semanas, e demorei para conseguir fazer um pequeno resumo do e-book gratuito The Business Brickyard, de Howard Mann. Achei esse livro num post “weekend reading” do SG.
É um pequeno livro, cerca de 30 páginas, com lembretes muito bacanas sobre como tocar um negócio. O nome do livro vem da história de um treinador de futebol americano que colocou seus jogadores para treinar com um tijolo ao invés da bola, pois eles estavam tentando “enfeitar” e não faziam o básico, passar e receber a bola direito, com atenção.
Howard Mann traz um resumo muito bom de pontos fundamentais para o sucesso de qualquer negócio.
- Descubra o sentido do seu negócio. Por que ele existe, e porque você trabalha nele. O que você faz bem, e seus clientes gostam. Talvez por já viver bastante isso, serviu apenas como um lembrete.
- Toda verdade está no fluxo de caixa. A maneira mais fácil e simples é gastar menos do que ganha. Se você ainda não vendeu, não faturou, não se iluda com estamos “quase”… Muito útil, em especial em tempos de crise.
- Descubra sua verdadeira história. Não engane a si próprio, não procure racionalizações para justificar seus problemas. Encare a realidade. Encontre sua verdade.
- Foque nos clientes, esqueça seus concorrentes. Geralmente gastamos muito tempo e energia pensando nos concorrentes. Mas eles não pagam suas contas. Atenda bem seus clientes, que vai ser mais fácil ter sucesso. Encontre seus fãs.
- Colha os resultados do dia-a-dia, não fique esperando o “grande negócio”. Muitas vezes você vai ter muito mais resultado se dedicar a buscar os resultados menores. Ele compara com o beisebol, diz queo jogo se ganha com muitos pontos “simples” e “duplos”. E não com os home-runs. Melhor dois gols “feios” do que apenas um “golaço”.
- Relacionamentos e não vendas. Saiba que mesmo tendo um negócio B2B, você vende para pessoas, não para empresas. Se interesse pelos outros. Foque em 20% dos seus contatos, com quem você acredita que pode desenvolver o melhor relacionamento.
- Pague rápido, receba mais rápido ainda. Um bom lembrete de que finanças é o oxigênio de um negócio. Não pode ser o mais importante, mas sem ele, você vive apenas alguns minutos.
- Acelere na linha de chegada. Visualize que você deve considerar a linha de chegada de cada projeto depois do “final” tradicional de cada projeto. Ou seja, sempre tem muita coisa a ser feita, depois do que consideramos a linha de chegada óbvia. Como um treinador que recomenda a seus corredores visualizar a linha de chegada cinco passos depois de onde ela realmente está. Assim você termina correndo mesmo, e não diminui antes de cruzar a linha final. Fiz isso na corrida 10k da Nike e deu certo. :-)
- Coloque seu negócio em uma folha de papel. Tenha a descrição de sua empresa de forma resumida e fácil de entender. Tenha relatórios simples, números na ponta do lápis, que tornem muito fácil você visualizar ao final de cada dia como seu negócio está indo.
- Saia da sua mesa. Vá visitar clientes. Ponha o pé no barro, e a barriga no balcão. Se você se esconder no seu escritório, estará cada vez mais distante do mercado, dos clientes, das necessidades, das oportunidades.
- Defina seu negócio como NÃO. Ou seja, o primeio passo é saber muito bem o que você não faz. Já é um grande passo e ajuda muito.
- Crie metas mensuráveis. Marque reuniões próprias para isso. Trabalhe de trás para frente (defina primeiro o objetivo final, depois o passo anterior, e assim por diante). Envolva as pessoas. Identifique ações reais que podem ser implementadas na prática, alinhadas a suas metas. “Uma meta sem um plano é apenas um vago desejo”.
O livro é simples. Mas me serviu muito bem para reforçar pontos fundamentais para meu sucesso. Os pontos que mais me foram úteis: fluxo de caixa, relacionamentos x vendas, números na ponta do lápis, acelere na linha de chegada, não espere apenas “grandes” negócios.



Oi Miguel, como sempre, excelente post.
Tb tenho meu negócio como consultora de crédito agrícola aqui em Rio Verde e, agora que terminei a agronomia, meu objetivo é entrar em uma boa empresa. Muitos me questionam o porque de deixar meu negócio, ao invés de investir mais e melhor. O fato é que eu conciliava os estudos com o trabalho e, mesmo que não fosse assim, cometi inúmeros erros dos quais alguns foram descritos por você: fluxo de caixa, acelere na linha de chegada (às vezes a gente gasta tanta energia em um projeto e, quando ele já está quase finalizado, a gente já tá cansado dele), colocar na folha de papel e ter metas mensuráveis. Também tive inúmeros pontos positivos: sempre me orgulhei da minha carteira diversificada de clientes, que hoje são grandes parceiros, e do meu networking.
É claro que os erros se tornam aprendizado e, como tudo na vida, ser dona do seu negócio tem suas vantagens e desvantagens. Mas eu, curiosa que sou, preciso experimentar o outro lado da moeda também. Tendo como meta seguir carreira em uma multinacional, também me possibilitará desenvolver aspectos de minha personalidade que ainda não conheço e aprender muito também.
Miguel muito bom esse post, bom fim de semana para voces… beijo
Oi Miguel,
Gostei bastante do texto. Cheio de coisas simples que muitas vezes são subestimadas. No entanto, não concordo tanto com o “não fique esperando o grande negócio”.
Claro que as vitórias do dia-a-dia são importantes e, como disse o Seth Godin no Bootstrapper’s Manifesto, “surviving is succeeding”. Mas é fácil se iludir um pouco com o dinheiro entrando na porta em cima de um negócio não escalável.
Vejo isso de uma forma muito clara, por exemplo, na questão serviço vs. produto. É relativamente fácil criar um negócio e ganhar dinheiro com serviços, mas na minha opinião não é escalável. Por outro lado, produtos são meio ingratos no início pois exigem muitos recursos de investimento, têm um risco bem elevado e demoram muito para dar sinais de que podem ter retorno. No entanto, quando dão certo, não dá nem para comparar. ;)
Obviamente isso tudo não vem com “mágica”. Na minha opinião o empreendedor precisa ignorar um pouco o dia-a-dia, pensar grande e assumir os riscos e consequências dessa decisão. No final das contas acaba sendo uma questão de escolha.
Grande abraço,
Eric