Uma experiência do Camiseteria no Twitter

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Há alguns dias o Camiseteria fez uma promoção um tanto quanto arriscada, que me parece ter tido seu sucesso e seu fracasso.

Admiro muito o trabalho deles. Ainda não tenho nenhuma camiseta deles, mas sei que o atendimento é muito bom e eles sabem como (quase) ninguém usar as mídias sociais, web 2.0, etc.

É um benchmark meu de atendimento, inovação, e sobre como ter um negócio “open-source” e cool.

A promoção funcionava assim

Durante algumas hora do dia (acho que de 12h as 17h), quem “retuitasse” uma mensagem promocional do Camisteria, concorreria a 5 cupons que valiam uma camiseta.

Os resultados

Positivo: Mais de 1.300 retuitaram a mensagem. Um estrondoso sucesso, visto que no Brasil há apenas cerca de 30.000 usuários no Twitter. Dá para estimar que um percentual muito alto dos usuários do sistema foram impactados pela mensagem. O Cris Dias, quarto colocado no ranking brasileiro, repetiu a mensagem.

Negativo: Imagine você que segue vários amigos, que mandaram essa mensagem no Twitter. Naquele dia usar o serviço ficou mais chato. Algumas pessoas reclamaram. Eu sigo poucas pessoas, e só o Fábio Seixas, dono do Camiseteria, postou a mensagem.

Conclusões

A marca Camiseteria tem uma enorme reputação junto ao público no Twitter. Acredito que nenhuma empresa consegue fazer uma promoção como essa hoje no Twitter. A empresa é a quinta colocada no ranking brasileiro. A próxima empresa nessa lista está 24° e é um site de notícias.

Acho que o Camiseteria tem mais de 1.000 fãs verdadeiros (1000 true fans), termo citado pelo Seth Godin e criado e analisado em detalhe pelo Kevin Kelly. Segundo Kevin, uma empresa precisa se dedicar mais a ter fãs verdadeiros do que fãs. Um número relativamente pequeno de true fans pode fazer a diferença (leia o resumo do livro Tribes).

O “spam” feitos pelos usuários, em troca da chance de concorrer a uma camiseta, mostrou a fragilidade da promoção. Alguns devem ter pensado: o Camiseteria está “subornando” as pessoas com um brinde, para que elas me mandem spam, num serviço onde quase não há spam.

Um detalhe, para ter os ativos necessários para fazer uma ação como essa, 100% social, é preciso trabalhar muito. Isso não está a venda. E não se constrói do dia para a noite. Leva tempo, continuidade, confiança.

Em resumo: deu um super resultado, mas gerou algumas (poucas) reclamações.

O que se pode aprender com isso?

Talvez se a promoção tivesse sido um pouco diferente, se tivesse algum diferencial, como por exemplo, pedisse que os usuários inventassem alguma coisa, se tivesse alguma pequena jogada de humor, de forma a não ficar tão descarado que era um simples e puro “spam” feito pelos usuários do Twitter, em troca da chance de ganhar uma camiseta bacana.

Só acerta quem arrisca. E quem arrisca de vez em quando erra. Esse é o preço da inovação.

 

1 Comment


  1. Excelente análise Miguel!

    Confesso que eu nem mesmo percebi a campanha… rs
    Mas estaria entre os críticos, você disse tudo.

    Abraços.

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