Nizan Guanaes, da África e Grupo ABC, na Casa do Saber

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Assisti há mais de um mês a uma aula na Casa do Saber, com Nizan Guanaes, presidente do Grupo ABC e da agência África. Foi o segundo palestrante/entrevistado do curso Grandes Publicitários. Nizan deu um show. Tem uma energia enorme, literalmente “ocupou” todos os espaços da sala que tinha umas 70 pessoas. Cantou, declamou poemas, falou inúmeros palavrões. Não tentou vender uma imagem de bom moço. Um trator, que faz muito e não tem medo de ser quem é. Achei muito legal. Dizem que não é fácil trabalhar com ele. Acredito. E imagino que deve ser terrível mesmo, se você for “mole”.

Nizan Guanaes tem 51 anos, se considera chato, insatisfeito, inquieto. Fala que trabalha muito, 24 horas por dia. Negócio é negar o ócio. Nizan é filho de libanês e no início da carreira foi radialista. Diz sentir o pulso da audiência. Parece ter uma grande habilidade em perceber o que as pessoas estão sentindo, e mudar se for preciso para deixar sua marca, ou vender o produto do seu cliente. Seus ídolos são: GP Investimentos, Odebrecht, Dorival Caymmi. Gosta muito de trabalhar. Mas gosta também de se divertir. “Sou dono do dinheiro e não o contrário”.

Frases

“Vida é um vôo de tripa a tripa”, sobre a finitude da vida, e a necessidade de se fazer, acontecer enquanto você está aqui. Quando acaba não sobra nada.

“No céu não vou conhecer ninguém”, brincando com a possibilidade de ir para o inferno.

“Luto para que Deus acredite em mim”, ao ser perguntado se acreditava em Deus. São Paulo e São Pedro tinham muitos defeitos e foram eles que fundaram a igreja. Quer ser assim também.

“Minha tradição é mudar”.

“Publicidade compete com as vias urinárias”. Tem que ser muito bom, ele precisa vender o produto no intervalo. Se for ruim, todo mundo vai ao banheiro nessa hora.

“É preciso treinar muito para parecer natural”, Fernanda Montenegro.

“Dinheiro é igual um germe, precisa exterminar”, numa piada (acho que sobre a mulher dele). Gosta de ganhar dinheiro. E gosta de gastar dinheiro.

“Prometo glória, não prometo paz. Vá procurar a Thompson, se quiser paz”, em referencia a outra agência. “Meu slogan é Terrível, mas só contra os insetos”, sobre sua fama de mau, trator. “Sou duro, mas os princípios são bons”.

“Sucesso é uma empresa rentável, que você se orgulhe”. Várias vezes vi ele falando coisas que me lembravam muito o livro Double your profits, que é a bíblia do pessoal do GP. “Sucesso é contra sua natureza”. “A vida é domar a natureza”.

“Sou vulgar, mas minha obra não é”.

“Se você não gosta da segunda-feira, tem problema no trabalho. Se não gosta do sábado, seu problema é no casamento”.

“Acredito em talentos, em time. Talentos que viram sócios”.

“O saber alimenta e atormenta”, sobre o que podemos aprender, como podemos melhorar e como a sensação de que não sabemos nada pode angustiar. Isso acontece demais comigo.

“Na China, quando você se aposenta, vai trabalhar para as crianças”.

“Só é possível viver reinventando a vida”. Tem medo de se acomodar. Medo de se repetir. Roberto Marinho fundou a Globo aos 65 anos. Churchill foi um cara com problemas enormes, muitos fracassos. Teve sucesso só no final da vida. O novo livro do Jim Collins, How de mighty fall, comenta bem sobre Churchill.

“No Brasil, megalomaníaco tem vertigem no primeiro andar”. Falando que pouca gente pensa grande no Brasil. Isso é mal visto aqui. Ele quer sempre um sonho grande. É preciso pensar grande e treinar.

“É preciso colocar a sustentabilidade colocar dentro do modelo de negócios. Minhas agencias não são sustentáveis hoje. Não quero enganar. É muito difícil.”

“Todas as cartas de amor são ridículas”.

“Tudo vai mudar, mas o ser humano continua o mesmo”. Me lembrei do DVD O Poder do Mito.

“Niterói é a nossa Sausalito”. Uma comparação legal, mostrando que aproveitamos mal o que temos de muito bom. Nos EUA, os caras tiram “leite de pedra”.

“Se tudo tá fácil é assalto”. “Se tudo tá fácil, você não está no lugar certo”. “Time campeão está sempre sob pressão”.

“Eu olho a árvore pelo fruto”, sobre como avalia as pessoas, projetos. Sempre pelos resultados. E quer ser avaliado assim, pelo que faz, não pelo que os outros falam dele. “Flamengo não vai ser amado pelo Fluminense”. Ele não se preocupa em agradar a todos. “Não sou medroso”.

“Meu negócio é intervalo, é patrocínio”. Por isso entrou em eventos, como os de moda.

“O Brasil em algumas partes ainda é muito antigo”, sobre querer achar que o Brasil é a cidade de São Paulo, cosmopolita, conectada.

Deixar sua marca

Nizan falou várias vezes da sua vontade de fazer coisas maiores, de deixar sua marca. Além dos negócios visando o lucro, há também o Nizan social. Ele usa o mesmo estilo e sua grande influência e conexões para também fazer muito nessa área. Ajudou a reformar o Convento de Santo Antonio. Tem um programa social na África, com foco em educação contra violência sexual em crianças. Atua com o apoio/parceria da fundação do Bill Clinton.

Educação

“Educação é ditadura”, falando da relação dele com o filho. Força a educação dos filhos. Antonio, seu filho, estuda mandarim “na marra”.

Internet

Depois, quando vendeu a DM9 para a DDB, teve que fazer um contrato “non compete agreement” de dois anos, se afastando do mercado publicitário. Disse “devia ter ido rodar o mundo, que iria aprender muito mais”, mas montou o IG. E aprendeu muito sobre internet. Brincou “achei que iria entrar no programa how to be a millionaire e acabei entrando no Survivor”, sobre a dificuldade de lucrar nesse mercado.

TV ainda vai continuar sendo muito forte para produtos de massa. Internet é importante, mas depende de onde você está no Brasil. “Não copie os EUA, os dados demográficos de lá são muito diferentes do Brasil”, disse.

Negócios hoje

Quando voltou para a publicidade viu que precisava de escala. Tem o foco hoje nos países emergentes.

“As coisas nascem nas periferias, nas garagens”. O BRIC é a periferia do mundo hoje. No bom sentido, onde as coisas estão sendo criadas. Interessante essa comparação entre os BRICs e as garagens de empreendedores, uma boa analogia.

O Grupo ABC tem 17 agencias. Busca a gestão com meritocracia. Tem consultoria do INDG. É fã do GP, da Ambev. Ele quer que o ABC seja o nono grupo do mundo, já que o Brasil é a nona economia do mundo. Hoje é o vigésimo.

Pontos que mais me chamaram a atenção

Tem uma energia altíssima, invejável. Uma das coisas que mais me marcaram e que quero cultivar em mim também. Vontade muito grande, pensa grande, aplica o que sabe, procura aprender com os outros.

Não tem medo de ser ele mesmo. Quer ser ele mesmo no grau máximo.

Tem grande cultura.

Ótimas conexões. Conhece muita gente importante e famosa. Isso abre portas, ele chega “nas cabeças” e pode pedir e pensar grande. Sucesso puxa sucesso.

Mesmo tendo um negócio que é meio arte, com altas doses de criatividade, quer aprender com os melhores de gestão, como GP e INDG. Corta custos no que não é essencial. Mas isso é relativo, pois uma sede é essencial para uma agencia de publicidade. Me lembro de uma matéria da M&M falando da nova sede da Africa. Foco em resultados, pressão, não passa a mão na cabeça.

Nizan é mais do que um publicitário, tem visão de negócios, um empreendedor. Conseguiu ir além da área inicial dele, com muito sucesso. Talvez por isso foi o palestrante que mais gostei, pois consegui aprender e me inspirar mais.

O que levei dessa palestra-entrevista:

  • Seja você mesmo.
  • Pense grande.
  • Deixe sua marca no mundo.
  • Não tente agradar a todos.
  • Busque a excelência.
  • Quem faz muito, vai ter alguns inimigos, vai ter gente torcendo contra. O sucesso é solitário, fracasso é solidário.

Meu sócio, Marcelo Carvalho, que também está fazendo esse curso, escreveu um post, talvez mais completo que esse aqui.

 

7 Comments


  1. Caro Miguel,
    gostei muito do Post.
    Sempre tive vontade de assistir a uma palestra do Nizan, com esta que vc participou.
    Abraço e
    obrigado!

  2. miguel, é bastante interessante, sim, mas sobre os 6 tópicos finais, me parece que eles serviriam para orientar tanto as trajetórias de Hitler e Genghis Khan quanto de Gandhi ou do Dalai Lama.

    acho que é muito importante também pensar no que diferencia esses “empreendedores” todos. o que os aproxima é mais ou menos igual para todo mundo que faz sucesso. como na abertura de “ana karênina”: “famílias felizes são felizes do mesmo jeito. Mas as famílias infelizes são infelizes cada uma a seu modo.”

    não estou nem me referindo especificamente ao caso, mas é possível ser extremamente bem-sucedido sendo um crápula, com “foco em resultados”. obviamente minha cabeça não é das mais empreendedoras, mas eu às vezes me pergunto se é de tanto resultado que o mundo e nossos estômagos precisam.
    abraço!

  3. Olá Thompson,

    Muito bom seu comentário, concordo totalmente com ele.

    Prefiro ficar com a parte boa, para causar o impacto de um Ghandi, você precisa pagar um preço.

    Grande abraço,

    Miguel Cavalcanti @mcavalcanti

  4. acho que sempre tem um preço. mas no caso de hitler e khan, quem paga são os que estão abaixo.
    abraço!
    thom

  5. Eu to tentando usar isso para o bem :-) Mas com certeza tem gente que não usa assim. Mas acredito que continua válido. Abração, Miguel

  6. Olá Miguel,

    Deixa eu me apresentar: Sou Marcelo Liotti, Diretor Executivo do VIVAADIFERENÇA.ORG, que tem por objetivo e finalidade erradicar a tripla invisibilidade institucional e social das mulheres com e sem deficiência.

    Eu estava procurando, maiores informações sobre o Nizan, e acabei encontando seu Blog.

    Foi muito bom ter aprendido – um pouco mais – sobre o Niza, pelos seus olhos.

    Digo isto, pq estou propondo uma reunião ao Nizan, para tentar engajá-lo em nossa causa.

    Mas, o mais interessante é que me identifiquei e muito, com ele. Pelas características que vocês separou para si.

    Digo sempre, que apesar de trabalhar com humanas, faço conta de matemática, muito bem.

    Meu caro, é isso mesmo…Você conseguiu identificar e bem,
    como as coisas de ser…

    Porém, eu gostaria de sugerir que você acrescentasse mais alguns ítens.

    1) Não conte a todo mundo os seus sonhos. Apenas, construa eles.

    2) Faça sempre perguntas. Mas, não aquelas que todo mundo faz.

    Existe perguntas “chave”. Como quem está por detrás disso, quem ganha com isso ou quais são interesses
    envolvidos nisso.

    3) Tenha Fé, pq sem fé nínguem fica de pé.

    4) e último, Meu caro, pense – pq pensar é transgredir, e
    infelizmente hoje, nós temos muita informação e pouca
    reflexão.

    Abraço,

    E obrigado

    LIOTTI

  7. Anna Sofia Soares

    N sei como parei aqui, mas era tudo que eu precisava ler hoje. Terei uma conversa difícil a respeito de mim… alguém de energia, alegira e pensamentos altos.
    Depois q mudei para SP morri, ui cadê eu…precisava desta força para lembrar q eu quero ser eu de novo e que se o negócio está difícil pra “c” piiiiii, então era este o sinal q eu estava esperando para saber q estou no caminho certo.

    Valeu!

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