
No primeiro dia dia da conferência INC 500, nos EUA, no final de setembro, participei de uma reunião extra, opcional, que me surpreendeu demais. Era o lançamento de uma comunidade de empreendedores “small giants”, ou pequenos gigantes.
Esse termo foi cunhado por Bo Burlingham, editor da revista INC. Ele estudou empresas que optaram por serem ótimas e não grandes. Ainda não li o livro, mas está na minha lista, com autógrafo e tudo.
Interessante que nessa pequena reunião (umas 35 pessoas) também tinha pessoas de diversos países, inclusive do Brasil. Raul Candeloro e a mulher (editora da revista Venda Mais) estavam por lá. Raul tem aqui no Brasil uma comunidade inspirada no Small Giants. Se chama Clube dos 100.
Veja abaixo meus principais comentários sobre essa reunião da Small Giants Community, que gostei muito. O evento teve três partes: apresentação inicial do conceito, debate com vários pequenos gigantes e um coquetel ao final.

Apresentação do conceito da comunidade
- Uma das coisas em uma empresa small giant é que você nota que está numa ao entrar, é automático.
- Paul Spiegelman, que está montando a comunidade, escreveu um livro (Why everybody is smiling).
- O slogan dessa comunidade é “Its not what we do, its who we are”, ou não é o que você faz, mas quem você é
- Nunca trabalhei em uma grande empresa. Cuidamos do nosso pessoal primeiro, e tocamos nosso negócio assim. Como cuidamos das pessoas como cuidamos da empresa.
- Ele tem uma empresa de telemarketing premium, cobra mais caro e é 5-6 vezes mais rentável que empresas do setor.
- Quer montar uma comunidade global de empreendedores com mindset especifico. Com propósitos similares, mesmo atuando em diversos mercados e países.
- Uma das primeiras coisas que estão montando, em especial depois dessa primeira reunião, são “safaris” entre empresas. Assim você pode conhecer “in loco” a realidade de uma small giant.
- Uma das ideias mais malucas, que eu gostei, foi um job rotation radical, onde uma pessoa trocaria de empresa por 3-6 meses, conhecendo mais sobre a cultura.
- Após a apresentação, Bo fez questão de pedir a opnião das pessoas. Queria ouvir o que as pessoas não gostaram. Foi bacana pois as pessoas se abriram, criticaram mesmo. E com isso, ficou muito mais rico. Quem estava apresentando teve que “aguentar”, mas aprendeu muito. Vários por exemplo, disseram que os proposto inicial (us$500/ano) era muito pouco.
- Paul disse ter uma equipe na empresa dele que permite que desenvolva novas atividades.
- “A maioria das associacoes é uma burocracia que não entrega nada”, foi uma das frases que ouvi, ao comentarem sobre uma nova entidade/empresa/associação. “Não pode apenas pagar com dólares, tem que pagar com sangue”, foi como um dos participantes disse que tinha de criar mecanismos que envolvesse mais as pessoas.
- Querem “criar uma comunidade que muda o jeito de fazer negócios”.
- “Muitas pessoas que conheci melhoraram meu negócio e me ajudaram a me tornar uma pessoa melhor”.

Debate com os pequenos gigantes
Após a apresentação inicial e comentários, se formou um debate com vários ilustres. Um deles era Norm Brodski, que admiro muito na INC e adorei seu último livro The Knack.
Norm Brodsky:
- “Eu era um pequeno ditador, depois virei um pequeno gigante”. Todos riram.
- Minha primeira meta como empreendedor foi faturar us$ 100 milhões em um ano. Consegui, mas vi que era uma meta ruim. A empresa quebrou. Aprendi muito com isso, mas foi uma experiência péssima.
- O maior trabalho do CEO é desenvolver a cultura da empresa. Temos que dar o tom. Mesmo na crise, falamos a todos que não iríamos mandar ninguém embora. Isso teve um efeito enorme. Os empregados se tornaram parceiros da empresa.
- A melhor época de se criar uma cultura é durante crises como essa.
- Não corte seus preços, de serviços extras.
- Todos os concorrentes mandaram uma carta aos clientes falando que devido aos preços da gasolina, iriam aumentar os preços. E eles mandaram uma carta dizendo que não iriam aumentar os precos, para todos os clientes, depois para todos os clientes da concorrência :-)
Ari Weinzweig da Zingerman e ZingTrain (e outras empresas, todas em Ann Harbor):
- Trabalha com comida tradicional, slow food. Não está nesse mercado porque é mais caro, mas porque é o que mais acredita. Trabalha com “real food”, como definiu.
- Não queria crescer, não era pelo dinheiro.
- Várias empresas poderiam crescer rápido, mas escolheram não fazer isso, pois tinham outras prioridades.
- “Não fizemos nada muito diferente. Tínhamos uma visão clara, para 2020. Foco na sustentabilidade. Dedicação em trazer uma boa comida, em oferecer um bom serviço”.
- Interessante que ele tem uma série de negócios ligados a comidas especiais, como delicatessen. E com isso criou uma empresa de treinamento, onde ensina como atuar como ele faz, para pessoas dos mais diversos setores. Achei super interessante.
- Ari recomendou o livro “Ignore evrybody”, do Huhg McLeod, que acabei de ler e gostei muito.
- O maior erro é não seguir seu sonho. Siga sua intuição, seu estômago.
- “Siga sua paixão, mas faça as contas”. Adorei essa frase.
- “As pessoas precisam ver quem você é.”
Outras frases, que não marquei de quem era:
- Todo mundo começou num “momento ruim”.
- Um dos comentaristas no debate fala que monta uma empresa e vende, monta e vende. Começa e vende: esse é seu negócio. Desde o início da crise, vem comprando empresas, sem demitir, mas sem lucros. Quando o mercado voltar, terá uma empresa com o dobro do tamanho pré-crise, com ótimos resultados. É um otimista, sobrevive na crise, para detonar quando voltar ao normal.
- “Está dificil? Sim, como sempre. Esta diferente, não mais dificil”.
- A maioria das small giants se sente sem graça de ser chamado de small giant.
- Todo sall giant quer deixar sua marca no mundo, quer mudar o mundo, melhorá-lo, a seu jeito.
- Não é fácil, tem que se dedicar 110% a sua ideia. Tem que ter uma causa.
- David x Golias: melhor usar armaduras ou ser você mesmo?
- Competimos, mas de uma forma diferente, reposicionando o mercado.
- Quem está entrando no mercado de trabalho, quer fazer a diferença. Por isso precisa de uma cultura, isso é o mais importante para eles hoje.
O coração da economia dos EUA está nos pequenos negócios (no Brasil é o mesmo). Eles querem usar esse grande conhecimento acumulado nessas empresas e criar formas (site, comunidade, livros, cursos, safaris, etc) para difundir esse conhecimento e essa maneira de trabalhar. Gostei muito da ideia. Um formato que me interessou muito como cliente também.
Foi o primeiro dia, um evento meio despretensioso. Me surpreendeu. Pude conhecer pessoalmente pessoas incríveis, conversar. Pude aprender, ao vivo com excelenes empreendedores. O evento INC 500 foi excelente, muito melhor que o Mixx, na minha opinião. Nos próximos dias, pretendo postr diariamente sobre o evento, que considero parada obrigatória daqui em diante (já estou planejando o 2010).



Descobri vagando pela internet seu blog e gostei muito do conteúdo, da objetividade obtida pela notas em tópicos e pela agilidade do seu texto. Parabéns. E parabéns pela matéria sobre o Kindle, que me trouxe aqui originalmente. Há muito barulho sobre a chegada dele ao Brasil e eu acha fantástico, quem sabe faltasse um brinquedo dedicado a leitura para que as pessoas lessem como baixam músicas no iTunes Store?
Fantástico, Miguel!
Tb sou leitor da Inc. Deve ter sido muito bacana conhecer o Bo Burlingham e o Norm Brodski.
Já estou ansioso pelos próximos posts sobre o INC500, não precisa poupar detalhes, ok?! ;-)
[]s