
Li há poucos dias o livro Rework, de Jason Fried e David Hanson, sócios da empresa de software como serviço 37Signals. Há tempos acompanho o trabalho deles. Gosto dos produtos (usamos Basecamp na AgriPoint) e gosto ainda mais da postura e das ideias sobre negócios, vida profissional e produtividade. O livro é muito bom. Tem algumas partes um pouco repetidas, em especial para quem le o blog deles sempre e já leu Getting Real, o primeiro livro deles.
Abaixo minhas anotações dos pontos que mais gostei.
- Ignore o mundo real. Muita gente vai te dizer que sua ideia não vai dar certo, pois a realidade é assim/assado, blablabla. Se você não for nem um pouco contra a maré, contra todo mundo, dificilmente criará algo inovador.
- Planejamento é achismo. Essa é a mais polêmica do livro. Eles falam que planejamento precisa ser encarado como um achismo. Quando planejamos usamos muitos pressupostos que não sabemos se é verdade ou não. Encarar como achismo nos faz melhor. Eu acredito muito em planejamento, mas concordo com eles. As coisas mudam muito rápido e você achar que tudo vai se manter estável como no papel, é acreditar em duendes.
- Deixe uma marquinha no mundo. Se você vai começar algo, trabalhe para deixar uma pequena marca sua no mundo. Faça algo que faça mesmo a diferença. Acredito muito nisso e relembrar sempre é bom.
- Coce sua coceira. Ao desenvolver um produto, procure atender uma necessidade sua. Assim é muito mais fácil dar certo. Concordo plenamente.
- Seja leve. Não invista muito, comece pequeno, sem investimentos grandes, custos fixos. Você não sabe como as coisas vão se sair e cada dia é possível começar com menos. Criar uma lista enorme de coisas que você precisa antes de começar é uma desculpa. Você pode começar sozinho, na sua casa, sem escritório, sem equipe. Leve.
- Ao lançar um produto, pense o que é realmente essencial. Pense na salsicha do cachorro quente. Um hot dog sem salsicha não é hot dog, mas pode não ter batata palha, e outras coisas.
- Foque no que não muda. As bases do seu negócio estão em coisas duradouras, ou apenas numa modinha passageira? Simplicidade, funcionalidade estão sempre demandadas, pro exemplo.
- Venda seus subprodutos. O melhor exemplo é o próprio livro deles. Ganham dinheiro vendendo um livro (e dando palestras) ensinando e falando sobre como eles tocam o negócio deles. Por experiência própria, isso funciona.
- Vá dormir. Pouco sono diminui sua criatividade, aumenta sua teimosia e irritação. Concordo, apesar de nem sempre dormir cedo. No livro Happiness Project tem uma frase ótima: sleep is the new sex.
- Listas longas de coisas a fazer não funcionam e te frustram. Tenha uma lista pequena das coisas mais importantes que você tem que fazer hoje, essa semana.
- Coloque você dentro do seu produto. Assim fica impossível copiarem o que você faz. Dá credibilidade, personalidade e alma ao seu negócio. Acredito muito nisso e quero fazer isso mais e mais.
- Não copie seus concorrentes. Foque nos seus clientes. Aprenda com eles.
- Ensine. É uma das melhores formas de marketing. Faça como os chefs de cozinha: vendem livros com as receitas completas dos seus restaurantes. Nem por isso a concorrência aumenta. Os chefs fazendo isso, se diferenciam e se tornam ainda mais especiais e únicos.
- Construa uma audiência. Ensinando, cada dia você terá mais gente que acompanha seu trabalho. Uma audiência que gosta de você, vai te indicar clientes e vai comprar de você. Eles são os reis nessa área.
- Aprenda a fazer a função que você quer contratar alguém. Na dúvida entre dois candidatos, contrate aquele que escreve melhor. Ele pensa melhor.
- Quando algum pepino acontecer com sua empresa, seja o primeiro a contar. E saiba pedir desculpas. “Me desculpe” sincero é muito mais valioso do que “Lamentamos o inconveniente… blablabla…”.
- Seja você mesmo. Dá originalidade e personalidade ao seu negócio. Convide seus clientes a conhecerem o backstage do seu negócio. Isso é uma coisa que quero fazer mais.
- Tudo é marketing. Lembre-se disso. Tudo.
- Cultura de uma empresa não é criada. É o subproduto de um comportamento consistente. Seja ele qual for. Concordo. Por isso é tão difícil construir uma grande cultura.
- Inspiração é perecível. Comece. Se você teve uma grande ideia, comece agora. Até por isso estou escrevendo esse post agora :-)
Como bônus, o livro tem uma série de ilustrações do ótimo Mike Rohde, um desenhista de mão cheia, que há tempos admiro. Ele faz resumos de palestras desenhados que são uma loucura.
Christian Barbosa, meu amigo e grande especialista em gestão do tempo me convidou a fazer uma resenha em mapa mental para o site dele. Quando ele publicar, coloco o link por aqui.
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Muito bom Miguel!
Obrigado por já exercitar um dos pontos que você enfatizou: ensine.
Concordo com muitas coisas que você citou do livro. O que mais me chamou a atenção foi “seja leve” e “ensine”.
Está cada vez mais fácil começar um negócio mesmo. Tiro como exemplo um cliente meu que investe absurdo em cursos presenciais e está sendo uma dificuldade para convencê-lo a investir um pouco mais no EaD. Mas estamos conseguindo!!!
“Ensine” – esse eu acho o melhor. O exemplo dos chefs foi ótimo. Eu acrescentaria uma frase que li: Você é o que você compartilha. Um pouco chavão… mas é!
Ficarei de olho no mapa mental.
Um abraço.
AristeuLivingstone.com
Miguel, muito boa a resenha. Ainda estou esperando chegar o meu ReWork porque não tenho Kindle… :) Já, já chega e farei os meus comentários. Sigo a linha de pensamento deles e acrescento fazendo o que eu acho que deve ser feito e não o que eles acham.
Um dos principais problemas das pessoas é ficarem esperando gurus lhes darem alguma resposta feita sobre as coisas ou o caminho a percorrer. Cada um tem que ter discernimento suficiente para decidir aquilo que deseja e não se basear no que os outros estão fazendo.
A publicação do meu terceiro livro, Marco Zero, ainda não saiu justamente porque eu percebi que nas entrelinhas estava sendo uma “cópia” e nunca é bom ser uma cópia, é legal ser original e falar das suas próprias experiências iluminando o caminho para os outros dizendo “Olha, por aqui eu vim e até que deu certo, aproveite algumas pistas e abra um novo caminho”.
Acho que me inspirei neste comentário e vou até publicar no blog… :)
Ficou excelente, forte abraço!
Saudades de suas resenhas.
Welcome back!
Raquel Marques
@raquelmarques
Também acompanho a 37Signals, sou usuário do Basecamp e gosto muito de alguns pontos defendidos por Jason e David…
Exatamente por acompanhar o blog, vídeos e podcasts dos dois, não identifiquei dentre os pontos do livro nada muito novo no discurso dos dois…
De qualquer forma, o que é bom tem que ser passado. Os pontos são muito válidos e o mais bacana de toda essa estória é exatamente ter o pensamento crítico e a capacidade de filtrar o que realmente vale a pena…
Pelo sim pelo não, mais um ponto pros dois.
Abraço,
Ótima resenha Miguel.
Muitas dessas dicas parecem obvias, mas na correria do dia a dia acabamos nos esquecendo delas…
Abs,
@mminutti
Cacete, você leu o livro na cozinha fazendo bolo de fubá??? Troca essa toalha de mesa da vovó!!!! REWORK NA COZINHA!!!
O livro é legal, eu gostei, não tem nada de novo ou muito tesão, mas eu gostei.
Muitos especialistas dizem que uma das inteligências mais importantes do século é a capacidade de SINTETIZAR as coisas, DIZER o que tem antes do quê, FILTRAR o que interessa etc.
Ainda que REWORK não seja inovador, o produto ganha uma nota 10 porque sumariza o que interessa em gestão para pequenas empresas.
JOGA FORA O MICHAEL POTTER e a sua vontade emular as mulas das big corporations, e REWORK!
ARREBENTA!!!
Ricardo
Sobre planeamento, concordo com você, eu não usária uma postura tão radical. Até onde li, a SEMCO do Ricardo Semler usa o meio termo. A SEMCO usa planejamento de 6 em 6 meses, justamente por que as coisa mudam muito.
Há uma palestra muito legal da 37signals no ecorner da universidade de stanford.
http://ecorner.stanford.edu/authorMaterialInfo.html?mid=2334
Marcos,
Obrigado pelo ótimo comentário e sugestão de linlk.
Abs, Miguel
Miguel,
Ainda não li o rework mas tenho muita vontade. Os caras da 37 signals realmente mandam muito bem com a ideia de “Você não precisa ficar procurando uma fórmula mágica para ser o próximo Google. Resolva problemas reais, de pessoais reais e faça bem seu trabalho todos os dias”.
Concordo plenamente com essa linha de raciocínio. Acho que se mais pessoas passassem a encarar isso no dia-a-dia teríamos melhores serviços e produtos por aí.
Abração!
Bem bacana esse resumo. Quase compro esse livro, mas acabei optando por outro, também de um empreendedor da área de tecnologia, o criador do Salesforce.com.
Caro Miguel.
Muito bacana a sua resenha. O livro é mesmo ótimo, e a edição brasileira sairá em 2011 pela Editora Sextante.
Um abraço.
Legal o Post! Tenho minha propria empresa de internet, que funciona no meu apartamento. Todo dia, recebo 5 desenvolvedores para tocar projetos num ap com vista pro mar. Super despojado, maravilhoso, focado no principal, poucos custos fixos, etc etc.
mas…
Já perdi muitos negócios ao mostrar pro meu cliente que minha empresa é como as empresas que ele idolatra lá fora e não como a empresa dele.
Abraço
Muito boa a resenha Michael!
Já estava com saudades!
As suas são sempre maravilhosas!
Beijos e saudades
LM