Grupo de empreendedores (GEMP): uma ótima forma de aprender

Na sexta-feira, participando de um evento organizado pela AgriPoint, sobre associações de pecuaristas, falei sobre um grupo de empreendedores que participo, que se reúne uma vez por mês e é uma excelente forma de aprendizado para mim. Fiquei impressionado, várias pessoas vieram conversar comigo sobre isso, perguntar, saber como funciona, etc. Esse post é minha explicação dos motivos, formato e aprendizado desses quase 2 anos de GEMP. Espero que sirva de inspiração para você.

Como funciona

É um grupo de seis pessoas, com idade entre 30 e 36 anos, todos sócios de algum negócio. O grupo é pequeno e acreditamos que possa crescer a até 10-12 pessoas, no máximo. O foco não é quantidade de pessoas, mas qualidade da interação entre as pessoas. Entre os membros, ninguém é concorrente e atuamos em setores diferentes. Isso facilita a conversa sobre temas difíceis ou espinhosos, mas também pode ser uma barreira para se discutir problemas específicos de cada um.

Por sermos de setores diferentes (eu sou o único do agronegócio e agrônomo), temos backgrounds bem diferentes, o que é muito bom para trazer visões bem diferentes sobre uma situação específica que uma pessoa pode estar vivendo. É incrível as diferenças e nuances nas percepções de cada um. Isso é muito rico.

Como o grupo é pequeno, com o tempo a confiança e respeito mútuo se tornam muito grandes. Isso permite que se possa fazer perguntas difíceis e colocar o dedo na ferida. Temos essa abertura, o que é quase impossível de se conseguir em outros ambientes. Em que lugar/situação você não se tornaria defensivo quando alguém te pergunta algo bem difícil ou aponta uma possível grande falha sua, que você “sem quere” está escondendo de você mesmo :-)

Isso me lembra a afirmação do Jim Collins de que o melhor professor não é aquele que dá as melhores respostas, mas aquele que faz as melhores perguntas. Perguntas difíceis podem ser desconfortáveis, mas é uma maneira poderosa de se crescer/aprender.

Formato

Temos uma reunião por mês, numa sala de reunião bem confortável e com boa comida e bebida. Atualmente estamos alugando a sala de reuniões do Octavio Café em SP, que é muito boa. Veja fotos aqui, quando gravamos o MitA nessa mesma sala.

A cada seis meses, temos a eleição de um presidente e vice-presidente. O ex-presidente vira vice-presidente na gestão seguinte. Cada reunião tem um responsável pela pauta e temas a serem discutidos. Outra pessoa é responsável pela ata, que deve estar pronta 1-2 semanas depois da reunião, no máximo. Usamos um google groups e um google sites para trocar mensagens e compartilhar arquivos. Uma semana antes da reunião, o presidente e vice almoçam com o responsável pela pauta do próximo encontro para alinhar/organizar/planejar a reunião.

Toda essa organização é fundamental para que a reunião seja muito produtiva. Precisa de formato e regras claras, que precisam ser levadas a sério (e são cobradas pelo presidente). Isso é muito importante pois somos amigos e se bobear vira um happy-hour (o que fazemos em outra hora/dia, quando dá, porque ninguém é de ferro rs..).

A reunião começa as 15hs, com atraso tolerável de 15 minutos. A primeira meia hora é dedicada a assuntos internos/administrativos do grupo. O restante da reunião é dividida em duas partes.

A primeira falamos sobre problemas individuais. Cada um pode levar ou dois pequenos temas pessoais que gostaria de apresentar/compartilhar/discutir com o grupo. Essa é geralmente a melhor parte da reunião. Já discutimos sobre como lidar com contratação, demissão, estratégia, problemas pontuais, rumos de carreira, etc. É nesse momento que a confiança, respeito, admiração e amizade fazem a diferença. Por mais duro que alguém possa estar sendo, isso não fica nem um pouco agressivo, muito pelo contrário. Minha impressão é de um desejo mútuo de ajudar e te fazer melhor.

A segunda parte é dedicada a um tema específico, escolhido pelo responsável pela pauta do dia. Nesse momento que podemos ter um convidado (potencial futuro membro do grupo ou não) ou um palestrante que nos ajuda trazendo informações sobre área de conhecimento específica que ele domina, além de dar sua opinião pessoal sobre o tema. Já contamos com a participação do Christian Barbosa, da Tríade do Tempo, e da Cristiane Correa, editora da revista Exame.

Outras observações e conclusão

Esse formato não é invenção nossa. Nos inspiramos em coisas que já existem há muito tempo e funciona muito bem. Benjamin Franklin criou o Junto em 1793, nos EUA. O Vistage é uma empresa global que organiza esse tipo de grupo, com grande sucesso e eficiência.

O GEMP faz parte da minha ideia/estratégia de ter o meu próprio MBA, num formato único. Ainda vou escrever sobre esse “MBA Miguel Cavalcanti” :-)

Eu procuro (e gosto muito de) aprender, me questionar, sair da zona de conforto. O GEMP tem me ajudado muito nisso. Tem me ajudado muito a me tornar aquilo que sou e a não procurar ser o melhor, mas ser único.

Espero que esse post sirva de inspiração para você. Se tenha alguma dúvida, comentário ou sugestão, gostaria muito de te ouvir.

 

7 Comments


  1. Miguel

    Adorei.

    E mais ainda (tá, como boa pata choca que você sabe que eu sou) de sua foto com o filhote.

    Linda foto, linda família.

    bjs

    Raquel

  2. Muito bacana Miguel, valeu por compartilhar.

    Inspirado no grupo de vocês, criamos um semelhante em Floripa, mas depois de ler o seu post vi que temos muito a melhorar na organização ainda. :P

    Abraços!
    Eric

  3. Miguel, legal saber que você incentiva encontros nessa linha!

    Eric, fazemos a mesma coisa em diferentes formatos desde julho/2007. Aprendemos que cada grupo tem uma identidade única, e criamos algumas formas diferentes de lidar com isso.

    Quanto mais novos são os participantes, menor a preocupação com estrutura e formato – mesmo assim, há uma “pauta subliminar” desenvolvida pela Aceleradora. Com empreendedores mais maduros, funciona bem o M.O. de pauta – follow-up – discussões – ata – tarefas. Em alguns grupos, a coisa desanda por motivos diferentes (timing, interesses dos participantes, entre outros).

    Não preocupe muito com o jeito “profissional” que o Miguel está levando no grupo dele, e tente achar um formato que funciona para você :) A estrutura não necessariamente é sinônimo de evolução, quando se trata de startups e geração Y ;)

    Abraço pros dois,

    – Yuri
    @aceleradora

  4. Miguel Cavalcanti

    Oi Yuri, bom dia.

    Muito obrigado pela resposta e comentários. Eu concordo com você, cada um acha seu jeito e estilo.

    Eu sou contra esse esquema de manual, na maioria dos casos. Espero que esse meu texto sirva de inspiração e não de modelo.

    Abs, Miguel

  5. Olá Miguel, tudo bem?

    Parabéns!! Valeu por compartilhar essa idéia. Tenho acompanhado o MitA e os textos seus e do Leo. Eles têm me ajudado bastante a refletir e melhorar profissionalmente. Gostei tanto da idéia do grupo que vou adaptá-lo a minha área (Pesquisa Biomédica Acadêmica).

    Boa sorte e continue nos presenteando com bons textos e idéias.

    Abs,

    Carlos.

  6. Cara, texto mto bom! Vou tentar levar um pouco disso pro meu Rotaract Club, ctz irá ajudar bastante!

  7. Oi Miguel,

    Excelente post!
    Ótimo falar sobre o GEMP para inspirar outros grupos se formarem e terem o mesmo benefício que nos proporciona.

    Abç,

    Leo

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