Criando coisas realmente incríveis

Ano passado participei do TEDxSP e assisti uma palestra do americano da revista GOOD, Casey Caplowe (o vídeo acima é a palestra dele). Ele falou de um artigo num blog de Harvard que me chamou atenção. Eu li e reli o post e só agora escrevo sobre ele. Umair Haque, autor do post, fala que é preciso ir além da inovação. É preciso criar coisas awesome (a melhor tradução que encontrei foi incrível, ou terrível no bom sentido).

O que é algo realmente incrível:

  • Produzido de forma ética. Isso já é uma necessidade, uma ameaça e uma oportunidade. Produzir de forma ética, em todos os sentidos pode ser uma maneira muito forte de tornar seu produto incrível. Segundo ele, precisamos de ideais e comportamentos diferentes. Pode soar ingênuo, mas olhe para a empresa mais admirada do Brasil (Natura) e avalie como ela se porta nos mais diversos meios. Eu conheço pouco, mas tenho uma impressão ótima. Isso também me lembra a excelente palestra do Fábio Barbosa, também no TEDxSP.
  • Produto insanamente ótimo. Acredito que a grande questão é produzir algo que o consumidor queira realmente, seja muito bom para ele. Produtos que te fazem melhor, que te inspiram, que te deliciam são o futuro da lucratividade. Não consigo deixar de copiar o exemplo do Umair: a Apple e o iPhone. Muitos analistas disseram que o iPhone não ia virar, pois faltava muita coisa. Umair fala que o melhor modelo de negócio do mundo é criar produtos insanamente bons.
  • Amor. Li hoje que essa é uma das palavras mais odiadas no meio de negócios. Eu acho que vai se tornar cada vez mais importante, relevante. Está ficando cada vez mais valioso o trabalho de alguém que faz com amor. Acredito que estamos passando por uma mudança onde vai ser valorizado o que fazemos com dedicação extrema. Algo que amamos fazer é diferente. Acho difícil explicar, mas tenho certeza que isso já acontece. É muito fácil você preceber quando compra/consome/encontra alguma coisa feita com amor. Negócios de sucesso vão/estão entendendo isso. Quem ama se preocupa, escuta, entende, vai atrás.
  • Valor real e palpável. Faça algo que seja realmente ótimo e não apenas uma lista de itens que tenta se diferenciar. Quando Casey falou nisso na palestra me lembrei de um bife de contra-filé, com muito sabor, altamente nutritivo. Totalmente diferente de algum alimento industrializado, sem graça, com enchimento. Isso também me lembra o conceito de lucro bom e ruim do livro Ultimate Question. Quando você lucra sem gerar real valor ao cliente, isso vai se voltar contra você, pois o cliente vai te pagar como se fosse uma taxa obrigatória, e quando tiver uma outra opção pula fora e não volta mais.

Casey Caplowe, da GOOD, também falou outras coisas muito bacanas na palestra (aqui com legendas). A revista dele é para pessoas que se importam (who give a damn, em inglês bem mais agressivo). Falou que precisamos criar melhores modelos, que funcionem melhor. Essa é a melhor forma de mudar o que não funciona. E mostrou um gráfico que acredito muito, onde o eixo dos X é fazer bem X mal, e o eixo dos Y é lucro X prejuízo. Ele disse que buscam maximizar os dois eixos. Querem fazer o bem em grande escala, e ao mesmo tempo, ter muito lucro. Vivo acreditando que isso é possível e tudo que faço segue essa linha. Todas as coisas que venho trabalhando, desenvolvendo estão nessa linha.

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O que você acha disso tudo? Gostaria muito de saber sua opinião.

 

4 Comments


  1. Vale lembrar que quando fazemos algo com amor, ampliamos mais o nosso conhecimento sobre aquilo que estamos fazendo para melhorar mais e mais o que já fazíamos. Nos tornamos doutores do amor à frente dos nossos negócios se partimos da premissa que nossos negócios só existem como uma forte academia de ginástica para a nossa ética, moral e criatividade. Para mim, o verdadeiro prazer de empreender está justamente na idéia de conseguir unir o lado humano ao lado material.

    Outro dia escutei de um amigo meu: “Será que nós já somos humanos ou estamos no caminho para?”

    Façamos com amor, fazendo aos outros mais do que gostaríamos que fosse feito para nós mesmos.

  2. Olá Miguel!

    Valores pessoais também me fazem espontaneamente buscar o equilíbrio ótimo entre fazer o bem e lucrar (isso da margem p/ mta discussão!) na vida de empreendedor.

    Mas entendo que esse equilíbrio deverá ser o “mantra” de qualquer empresa que pensa em sustentabilidade a médio/longo prazo na sociedade da internet onde, em uma ponta empresas estão cada vez mais expostas e na outra, consumidores estão cada vez mais exigentes e conscientes de seus direitos e poderes.

    Puxando um pouco p/ meu lado (produtos e serviços na internet) a questão do equilíbrio é ainda mais complexa. Porque não basta apenas ser “awesome”. Tem que ter “timing” e isso obviamente afeta o resultado do produto final que não é mais final… é beta. :-)

    Um exemplo clássico é o Orkut que apesar de até hoje ser um serviço similar mas BASTANTE AQUÉM do Facebook, foi lançado antes e consquistou uma base de usuários muito maior que este no Brasil onde permanece (ainda) soberano em múmeros de usuários gerais.

  3. Miguel, tenho pensado muito últimamente sobre o amor pelo que fazemos.

    Creio que o maior exemplo que possa dar sejam os filhos, não sou pai, mas se cuidarmos com amor as chances de se tornarem pessoas melhores serão ampliadas.

    Se um amor semelhante for aplicado no ramo profissional certamente negócios mais justos, inovadores e responsáveis surgirão com mais frequencia.

    Forte abraço!

  4. Sou a maior defensora do amor como plano de negócios, mas mesmo com muito amor muita gente se esquece da produção ética. Todos os dias penso em como poderia mudar e melhorar minha relação com o mundo, inclusive a minha relação como empregadora. Quero funcionários felizes, quero pouco (ou nenhum) impacto ambiental, quero ideias geniais… Mas isto leva tempo, um passinho minúsculo por mês.

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