Sobre saber falar, ler e escrever em inglês

Faz tempo que gostaria de escrever sobre isso. Eu acho que a melhor dica de carreira para quem estuda/gosta de administração e/ou marketing é aprender inglês.

Se você lê inglês, você pode:

  • ler livros antes de todo mundo no Brasil
  • ler inúmeros blogs com vasto conteúdo e gratuito
  • ler tweets de experts
  • enfim, estar na frente de grande parte dos profissionais

Se você entende bem inglês, você pode:

  • assistir muitas e muitas aulas e palestras em vídeo em inglês
  • ouvir podcasts
  • escutar audiolivros

Se você escreve e fala em inglês, você pode:

  • interagir via email e twitter com os maiores experts do mundo (sim, a maioria responde a um email/tweet bem escrito)
  • conversar com pessoas quando for para fora do Brasil
  • participar de eventos fora do Brasil

Enfim, as vantagens são muitas. Vão te colocar muito a frente. Vai te dar muito diferencial, muito assunto para conversar. E a maioria das coisas é de graça. O ponto negativo é que não se aprende inglês dormindo (eu acho rs..). É preciso dedicação e muito tempo.

Como escolher um bom curso de inglês.

Quais perguntas fazer? Eu sou bem suspeito em relação a cursos de inglês aqui no Brasil (não sei se funciona em outros lugares). Minha impressão é que a grande maioria das pessoas participa de aulas/cursos de inglês porque todo mundo acha importante participar, faz bem para a carreira, a empresa exige, blablabla. Enfim, a maioria não tem uma vontade enorme em aprender inglês. A maioria está ali gastando seu tempo e fazendo o que todo mundo faz.

A pergunta matadora é em quanto tempo (e dinheiro) eu vou estar falando fluentemente, lendo fluentemente, escrevendo fluentemente. Eu já participei de cursos com grupos que estavam se formando numa das melhores escolas do país, que já tinham feito mais de 10 módulos e investido uns R$ 20.000 na brincadeira, onde mais da metade da turma não falava bem.

Eu acredito que a melhor forma seja ter um professor particular e trabalhar em cima de temas do seu interesse pessoal. E medir o avanço, medindo sua capacidade de ler, escrever e conversar na vida real. O resto é blablabla.

Morar fora do Brasil.

Eu morei fora do Brasil. Ganhei uma bolsa da CAPES e passei 12 meses nos EUA, no Arizona, durante a faculdade. Lá aprendi inglês realmente. Lá abri a cabeça. Lá vi o tamanho do mundo. Eu acho que sair do Brasil, passar um tempo longe de casa, dos amigos, do seu mundinho, faz muito bem. E além disso você pode aprender inglês super bem. Eu não conheço ninguém que morou fora do país e não conte como uma das suas melhores experiências de vida.

Minha única sugestão é: não more/conviva com brasileiros. Você está lá fora com um objetivo e passar grande parte do seu tempo com brazucas (em grande parte das vezes que não tem nada a ver com você) é uma perda de tempo, no sentido que atrasa seu avanço em entender melhor o mundo, conhecer novos pontos de vista e aprender uma nova língua.

E outras línguas? Chinês, espanhol? Eu falo muito mal espanhol e não sei nada de chinês. Não sei nem xingar. Já falei bem francês e hoje sou quase um zero a esquerda. Eu acho muito legal e válido falar outras línguas, mas teria como objetivo principal e primeiro: falar, escrever e ler muito bem o inglês e português.

Sim, as vantagens de se escrever e falar bem português são ainda maiores do que as do inglês. E olhe que tem pouca gente que está nesse time :-)

Boa sorte, e me conte como você faz.

 

12 Comments


  1. Miguel, como professor de inglês posso te dizer que uma coisa chamada Filtro afetivo é que faz toda a diferença. Quando “a grande maioria das pessoas participa de aulas/cursos de inglês porque todo mundo acha importante participar, faz bem para a carreira, a empresa exige, blablabla” o filtro sobe (é mais difícil passar por ele) e dai não tem professor, curso ou escola que resolva. Agora, quando a pessoa vai por vontade própria, com interesse genuíno de aprender, ou quando o tema é algo de domínio ou interesse da pessoa (mesmo que não seja inglês instrumental – inglês para fins específico, como tem sido chamado recentemente) o filtro caí (tudo passa mais fácil) e daí é sussa! A mesma situação é válido pra imerssão (intercâmbio) já que nessas situações quase sempre o filtro fica super baixo.

    Ah, depois que se aprende inglês, francês, … ir aprendendo novas línguas fica muito fácil do que quando se aprende a primeira. Isso é cientificamente comprovado! Então, mãos a obra!

  2. Oi, Miguel,

    Muito bom o post. Estava falando ainda ontem sobre isso. Acho que o segredo para um bom inglês (e para entender o comportamento, a cultura etc, que acho igualmente importante) é apredender o quanto antes. Para crianças (e adultos dipostos), a Cultura Inglesa funciona muito bem. Ensina uma ótima gramática. E, realmente, viajar, morar fora, longe de outros brasileiros, mergulhado em outra cultura, passando uns perrengues, faz muito bem!

    :-)

    Laura

  3. Diego Borin Reeberg

    Muito legal abordar isso Miguel.

    Acho que a questão da prática é uma coisa que faz realmente a diferença. Há cerca de 6 meses eu comecei a ler muitos blogs e livros em inglês. No começo foi um pouco difícil (nunca saí do Brasil, mas havia feito cursos por aqui que garantiam o suficiente para eu entender o que estava lendo), mas hoje – pouquíssimo tempo depois – a diferença já é gritante, leio e compreendo os textos bem mais rápido e quase não vou ao dicionário.

    Só por este fato de ler melhor já seria bom, mas o tanto de novas pessoa que conheci, ideias que passei a conhecer ou criei e pude compartilhar, são imensamente mais satisfatórios.

    Abraços!

  4. Oi Miguel, quero aqui expressar minha opinião corretamente pois em 140 caracteres pode não ficar muito claro.

    Em primeiro lugar, parabéns pelo texto e por sua opinião a maioria das coisas que você disse são verdadeiras e nós, ELT Professionals [os verdadeiros profissionais na área de ensino de língua inglesa], lutamos para que a população entenda que aprender inglês [ou qualquer outra língua se resume apenas a frequentar aulas em uma escola]. Ou seja, como você bem colocou em seu post “é preciso dedicação e muito tempo”.

    Outro problema sério no Brasil é que a maioria das pessoas ainda estudam inglês por simples modismo. Ou seja, a “motivação” é apenas externa; embora por dentro a pessoa encara apenas como obrigação, exigência do mercado de trabalho, cobrança dos superiores [pais, professores universitários, chefes, etc]. Enfim, enquanto esta visão não mudar o Brasil não conseguirá uma população realmente fluente em língua inglesa.

    Hoje em dia, nós no Brasil [Braz-TESOL, British Council, algumas universidades e várias associações de professores de língua inglesa] lutam por uma melhor qualidade no ensino da língua inglesa. Exigimos uma política pública de ensino da língua inglesa em nossas escolas. Os cursinhos de inglês são coisa da elite e não funcionam da forma que deveriam. Estes cursos são, na maioria das vezes, máquinas de fazer dinheiro que continuam utilizando metodologias baseadas em abordagens ultrapassadas que não satisfazem os adultos e o ritmo da vida moderna. Hoje sabemos através de estudos em neuro e psicolinguistica que é perfeitamente possível um adulto aprender inglês assim como uma criança. Tudo é uma questão de aplicar a abordagem de ensino correta.

    Na maioria dos países latino-americanos os estudantes de escolas regulares concluem seus estudos [ensino médio] e entram na faculdade com nível de inglês equiparado a exames como FCE e CAE [exames de nível intermediário e avançado conferidos pela universidade de Cambridge]. O Brasil por sua vez deseja ser líder mundial sem que pelo menos 10% de sua população fale inglês fluentemente. Como pode isto? A discussão é longa!

    Sobre viajar para fora do Brasil, concordo que amplie a mente, que ajude muito, etc. Porém, conheço pessoas que nunca saíram do Brasil e falam inglês ao ponto de enganar nativos. São pessoas que possuem uma cabeça em termo de cultura que muitos doutores de faculdades que moraram fora e conviveram com falantes nativos não possuem. Como você bem disse via Twitter agora a pouco “morar fora não é o único caminho”.

    Concluo com o que você disse em sequência no Twitter infelizmente “não se aprende/ensina bem no Brasil”. E isto é culpa do Governo que não se preocupa com o tema e das escolas de idiomas que se preocupam apenas em encher seus bolsos e não com um ensino de qualidade e desenvolvimento profissional de suas equipes.

    Enfim, a discussão vai além de tudo o que foi dito aqui!

    That’s it! Sorry for being so long on my comment. Anyway, I really liked the post! It’s a great point of view and sharing it contributes a lot to the issue!

  5. Miguel:

    Que legal esse post!

    Eu aprendi inglês… Na escola. Pública. Juro.
    Na verdade, desde muito nova eu queria entender as músicas que gostava. Aproveitei todas as oportunidades. Prestava atenção às aulas, consultava dicionários, tentava associar as legendas dos filmes ao que estava sendo dito, arrumei ‘pen pals” (ih, entreguei a idades, rs…), comprava aquelas revistas de músicas traduzidas, conversava com alunos de intercâmbio que vinham para a minha cidade…

    Enfim, quando terminei a faculdade e fui morar no Canadá para, finalmente, fazer um curso de inglês, entrei na turma mais avançada. E mesmo lá, acredito que aprendi muito porque optei por não sair com a “turma dos brasileiros” (de qualquer forma só havia europeus e asiáticos na minha turma.)Falei inglês quase 100% do tempo que fiquei por lá, inclusive porque optei por morar em uma casa de família canadense a ficar na Universidade.

    Enfim, acho que aprendizado depende sempre de duas vias: quem ensina e quem aprende. Ambos tem que estar dispostos.

    (sou fã do Man in the Arena!)

    Bj

  6. Muito bacana este post Miguel e os comentários também. Eu ainda não sou fluente, mas estou me esforçando muito para aprender. Depois que deixei de encarar o inglês como meu inimigo, tudo mudou, estou aprendendo mais rápido e eficientemente. Sou cara de pau mesmo, assisto filmes sem legendas, vejo vídeos no Youtube, ouço rádios em inglês na net, já fiz aulas online no Meu Inglês, e mesmo quando não entendo nada, insisto. Tive uma professora (particular) que dizia: “Aprenda a pensar em Inglês. Imagine-se num país de língua inglesa e nenhum brasileiro para te ajudar, o máximo que terá é um analgésico para passar a dor de cabeça, mas precisará se virar para entender e se fazer entendido”.

    Abs!

  7. Sou mais um que concorda com o seu artigo. E falo isso por experiência própria… Eu sempre estudei inglês, em escolas privadas e escolas de idiomas mas no fundo nunca aprendi direito por dois motivos: nunca levei muito a sério, e ainda mais importante para aprender um novo idioma você precisa praticar todos os dias (seja falando, lendo, escutando). Me arrependo profundamente disso porque sempre gostei muito de música e sou um desenvolvedor web (conteúdo bom, geralmente é em inglês).

    Felizmente minha vida “mudou” a dois anos atrás quando conheci uma americana na Argentina. Em três meses meu inglês mudou completamente. Foram 3 meses de muitos e-mails, conversações e aprendizado. Lembro que o primeiro e-mail que escrevi tinha 2 linhas e era a coisa mais básica do mundo. No final desses três meses, escrevia e-mails gigantescos. Após isso começamos a namorar e aí foi um passo para melhorar ainda mais o meu inglês.

    A questão é: eu tinha um excelente motivo para aprender. Na verdade, fui obrigado. Se eu quisesse manter o relacionamento com ela, teria que aprender. Além disso, foi a prática incessante que me ajudou.

    Por isso que eu acho que você nunca vai aprender inglês em escolas de idiomas. Você vai lá com 5, 10 pessoas que não querem realmente aprender nada, você fala um pouco, escuta e escreve muito menos e geralmente sempre com alguém falando português ou traduzindo coisas pra você. Depois desses 50 minutos, você volta para a sua vida normal: em português. Na boa, é jogar dinheiro fora.

    Após isso ela se tornou uma professora de inglês e desde então moramos na Argentina, Itália e Espanha. Posso afirmar que o problema é universal e não único do Brasil. Os alunos tem geralmente as mesmas dificuldades e o mesmo método de ensino. O legal é acompanhar a evolução desses alunos (geralmente, com classes particulares) e ver que quando existe essa relação um pra um (professor particular + aluno) eles aprendem muito mais. Ela sempre leva textos e materiais sobre coisas que os alunos tem interesse. Melhor para os dois lados.

    Mas é isso, se você quer aprender inglês ou qualquer outro idioma vai viajar ou tenha um bom motivo para isso, caso contrário você não vai aprender e vai jogar dinheiro no lixo.

    Abraços,
    Guillermo

  8. Olá Miguel,

    Abaixo, um texto mais detalhado sobre o bab.la. abraços!

    O bab.la (http://pt.bab.la/) é um portal linguístico interativo, com sede na Alemanha, que oferece dicionários bilíngues, lições de vocabulário, jogos e quizzes gratuitamente. O bab.la está disponível em 16 línguas e funciona no estilo wiki, que permite o usuário criar testes de idiomas, lições, sugerir sua própria tradução nos dicionários e participar de fóruns em todos os idiomas disponíveis no site.

  9. Olha, a leitura é muitíssimo importante mesmo, eu usei de uma prática que fez com que o meu inglês ficasse bem melhor, foi conversar por msn,facebook,skype e coisas do gênero com nativos da língua inglesa…isso fez com que eu desenrolasse bem mais rápido e que aprendesse muitas coisas que os livros não chegam a ensinar…

    Mas ler é sempre muito importante, não tem como fugir !

  10. Olá!
    Bom, achei surpreendente o que a Nina escreveu, porque até hoje, dos meus amigos que falam inglês fluente, todos moraram ou moram fora do Brasil e só adquiriram a fluência nos países onde estavam.
    O resto das pessoas que conheço e que só estudaram nas “escolinhas”, sabem apenas o básico ou ler e escrever.
    Alguém sabe me dizer se o curso de inglês da FAAP é bom?

  11. Marcos Brandão Teixeira

    Não poderia concordar mais com você sobre a importância e as vantagens de se falar inglês, sem dúvidas esse ‘detalhe’ já me ajudou e ainda me ajuda muito na carreira e na ‘competição’ por vagas. Na minha opinião o mundo de hoje dá muito valor à duas coisas: ideias inovadoras e comunicação. Esses ‘ativos’ apesar de intangíveis valem mais que qualquer estoque material. Meu inglês melhorou muito em viagens ao exterior mas também dou muito crédito à ler letras de músicas (inicialmente) e depois passar a ler livros em inglês. Fiz uma escala de dificuldade de livros em inglês e estou nessa escadinha, vale a pena (mantenho sempre um dicionário ou o celular pra traduzir as palavras que não conheço. Não viro a página se não entendi direito, nem que releia várias vezes). Da-lhe Miguel sempre acertando as ideias e as dicas. Abraços

Trackbacks

  1. Tweets that mention Sobre saber falar, ler e escrever em inglês | Miguel da Rocha Cavalcanti -- Topsy.com