Gostei tanto do livro Delivering Happiness, que achei interessante dividir em alguns posts, para tratar de temas mais específicos. Uma das coisas que mais gostei foi esse conceito de investir na marca, na cultura da empresa e na formação de pessoas internamente. Engraçado, que tudo isso aconteceu meio que por acaso na Zappos.
Tony Hsieh, autor do livro e CEO da Zappos, defende que a marca é a mesma coisa que a cultura da sua empresa. Ele defende isso muito bem, com exemplos, casos. Eu concordo. Cultura é algo mais duradouro, mais forte, que por consequência também não é contruído da noite para o dia. É cultivado. E cultivar vem de cuidar com carinho por um longo tempo.
A cultura é construída de duas formas que andam juntas: seleção e treinamento. A Zappos tem um processo de seleção de novos funcionários muito especial. Procuram pessoas capacitadas para cada função, mas também procuram pessoas que tenham o perfil da empresa. Já deixaram de contratar muita gente que era excelente mas que não era humilde (um dos valores centrais deles). O outro ponto é o treinamento e isso me surpreendeu no livro. Muito do que Tony fala no livro eu já sabia ou imaginava que era daquele jeito. Mas não esperava que ele tinha uma estrutura, modelo, processo tão estruturado de formação de pessoas.
Esse processo de formação de pessoas me lembrou um pouco os livros E-myth, do Michael Gerber e Verdadeiro Poder, do Vicente Falconi. O primeiro li no início de 2008 e foi um despertar para processos e método. O segundo estamos lendo e estudando na AgriPoint no momento. São muito bons, excelentes e recebem a crítica de antiquados, emburrecedores, trava de inovação, etc. Eu acho que o sucesso está no meio do caminho. Como disse um amigo nos comentários do post sobre o livro da Zappos: eu queria ter uma empresa que mesclasse Vaca Roxa com E-Myth. Engraçado que é isso mesmo que eu procuro e acredito que é possível. Esse capítulo da Zappos foi um reforço de que isso é possível.
O que ele recomenda? Monte uma espécie de MBA interno na sua empresa, treinando em várias fases, todos os conhecimentos, competências necessárias para que o trabalho seja feito. Tente contratar somente funcionários juniors, com total aderência a cultura e perfil da empresa. Uma vez com esses funcionários novos, com o perfil da empresa, mas sem os conhecimentos necessários, comece esse programa de treinamento, fazendo com que aos poucos eles possam ir subindo na empresa, a medida que aprendem, se esforçam e se dedicam. E isso pode ser feito de maneira conjunta com sua própria equipe, que pode preparar os treinamentos, as aulas, e em uma revisão/apresentação refinar o “produto final”. Quem se destaca mais, sobe mais. E vice-versa.
Me lembrou também uma palestra do Nildemar Seches, da Perdigão, na Casa do Saber em SP quando ele disse que tinham um programa de treinamento de sucessores e as vezes uma pessoa não era promovida (e avisada disso) por que não tinha treinado seu sucessor para seu cargo atual.
Em resumo, acredito que o caminho a seguir é trabalhar fortemente a cultura da sua empresa, selecionando pessoas com o perfil que deseja e ao mesmo tempo reforçando constantemente os valores que você realmente acredita. Junto a isso você precisa trabalhar intensamente o treinamento. É um caminho que fez muito sentido para mim e que pretendo aplicar de forma mais intensa daqui em diante: cultura, visão/valores e treinamento.
E você, como faz? Deixe seu comentário.
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Miguel,
Mudança ou formação de cultura é algo extremamente complicado no Brasil. Até mesmo pela nossa “colonização”, somos um povo que aprendeu a trabalhar forçado, sem vontade. A relação empregado e empregador ainda é complicada.
Sou de Brasília e aqui as pessoas estão mais preocupadas em conseguir um cargo de funcionário publico não com propósito de construir ou criar algo que melhore a imagem do governo, mas se acomodarem, se estabilizarem.
Lendo seu post, lembrei Ricardo Semler que no livro Você está louco, fala da importância de quebrar paradigmas, pensar diferente, virar o jogo, ser um louco.
A Zappos trás esperança, quero muito aplicar esses e outros conceitos na minha empresa e quem sabe ser um Hsieh e ficar louco como Semler.
Eu estou tentado, você também e muitos outros que estão compartilhando esse excelente post, então: Há esperança para o Brasil.
Abraços,
Danilo @danilointeweb
Miguel,
Tem previsão do livro sair em português?
abs
Muito bom seu Blog Miguel, meu primeiro acesso :)
Estava questionando desde segunda-feira comprar esse livro, comprou o seu no Brasil mesmo?
A Zappos é uma referência muito forte quando se fala em customer service online, e vai além disso o site deles quebra vários paradigmas em relação a conteúdo, contato com o cliente sem falar que é absurdo de forte quando se fala em SEO, provavelmente devem também possuir uma equipe bem forte na parte de web analytics.
No final de tudo, é como alguns já dizem a inovação parece vir das idéias simples, até meio romantizada.
Oi Richard,
Eu ganhei o livro como advance copy. Vale muito a pena. Sugiro comprar pela Amazon.
Obrigado pela visita :-)
Abs, Miguel
Oi Danilo, bom dia. Não sei quando sai em português, mas desconfio que sai logo. Abs, Miguel
Fiquei com água na boca, fui comprar para o meu Kindle e este é o primeiro e único livro que não consegui comprar! “This title is not available for customers from your location in: Latin Am. & Caribbean”
Que maldade da Amazon!