Os defeitos do empreendedor

Li um tweet do Marcelo Cherto fazendo uma brincadeira/provocação de que um empreendedor precisaria de mil e uma qualidades para ter sucesso. Ele dizia algo como: fazem uma lista enorme, tem que ser bom nisso, bom naquilo. E eu respondi: eu tenho um monte de defeitos e mesmo assim empreendo. Daí foram várias conversas via twitter sobre o tema.

Realmente há muitas listas de qualidades, de coisas que um empreendedor deve saber, deve ser, deve fazer. Algumas até demais. Eu gosto dessas listas. Muitas vezes me ajudam a refletir sobre coisas que preciso/posso melhorar e podem ser uma reflexão própria.

Aproveitei essa conversa (via twitter) para refletir o que acredito ser essencial para um empreendedor de sucesso. Aí vai minha longa lista ;-)

1 – Energia. Aí entra vontade, resiliência, persistência. Eu acredito que é preciso querer, querer muito. Querer mesmo quando tudo está indo mal. Energia para trabalhar muito, pensar muito, seguir em frente. Continuar. Energia contagia, o que ajuda ainda mais. Empreender não é fácil. É bem difícil. Marc Andresseen e Jack Welch concordam nesse ponto, para você ter uma ideia.

2 – Vontade de aprender e de se auto conhecer. Aí entra ir atrás de aprender, saber ouvir, querer melhorar. E querer se conhecer mais. Olhando para trás, quanta coisa eu não sabia quando comecei, quanta coisa ainda não sei e quanta coisa ainda não sou bom. Acho que o segredo é seguir buscando melhorar, se aprimorar. Eu acho que um dos pontos principais é ter um modelo mental de crescimento, de evolução. Tem que ter na cabeça que é possível melhorar.

Eu acredito que se você se dedicar muito a esses dois pontos, vai muito longe. A energia vai te dar força, velocidade, continuidade. E o aprendizado e auto-conhecimento vão te ajudar a mudar de rota, achando seu melhor caminho. Se você tiver muita energia e disposição para aprender, tudo vai ser condição e não obstáculo.

Eu poderia falar muito mais pontos, mas fiquei pensando se é realmente essencial, ou são coisas que acho legais, que acho importante ou coisas que eu valorizo.

Eu resolvi colocar apenas esses dois pontos, pois quem sou eu para dizer o que é certo ou errado em empreendedorismo. Cada pessoa deve seguir seu caminho, seus sonhos e sua verdade. Jantando outro dia, um amigo me disse uma coisa muito bacana: “como é pobre de espírito quem quer imitar alguém, mesmo que esse alguém tenha tido enorme sucesso”. Eu acho muito melhor ser você mesmo, do que tentar copiar alguém. E acredito ainda que essa é uma das essências de quem empreende: seguir seu caminho.

Eu tenho trabalhado muito na terapia essa questão de ser você mesmo. De procurar ser o melhor que posso ser, eu mesmo. E não ser tão bom como alguém. No Man in the Arena com o Pedro Mello, falamos sobre seguir seu caminho, ser você mesmo e se auto-conhecer e eu também já escrevi sobre uma frase do Nietzsche que muito me marca: “Torna-te aquilo que tu és”. Eu até fiz uma relação dessa frase com a palestra que assisti sobre estratégia do Michael Porter ano passado no evento da HSM.

Esse mesmo amigo do jantar, me falou há tempos (e até hoje me lembro): uma empresa é apenas o espelho, o reflexo do dono. Quando ouvi isso pela primeira vez, foi como uma surpresa ruim, como uma má notícia. Então todos os problemas da minha empresa são causados por mim, por minhas ações, minha atitudes, meus defeitos. Sim. Como num espelho, você não arruma o reflexo, mas que está gerando essa imagem. Não adianta tentar arrumar a empresa, se o dono continua torto. Esse tem sido um aprendizado muito bom pra mim ao longo dos anos.

E eu acredito que meus maiores defeitos são minhas maiores qualidades. O problema (ou a solução) é a dose e a maneira que uso essas caracteríticas. Por isso acredito que uma empresa vai se diferenciar, vai se tornar única, a medida que o dono colocar suas características nela, e buscar melhorar, fazendo aparecer mais seus pontos positivos do que os negativos.

PS: Falando em empreendedorismo, outro dia vi uma pessoa falando que era um contrasenso existir um curso de empreendedorismo. Eu achei graça, e faz certo sentido.

Crédito da imagem: TJ.

 

7 Comments


  1. Raquel Marques

    10!

  2. Miguel,

    Sensacional!

    Energia e autoconhecimento descrevem bem as pessoas que conheço que empreenderam com sucesso.

    Parabéns. Aliás, acho que parabéns fará parte da minha assinatura quando comentar aqui. ;-)

    Abraços,
    Gustavo

  3. Nossa Miguel, adorei o post de hoje. Como sempre faco, estava escrevendo um post para meu blog, parei e fui ler os blogs q eu gosto, e me deparei com o seu. Realmente como Empreendedor, temos que criar novas circunstancias, novas oportunidades e o melhor de td, fazer as coisas acontecerem. Qd morava em Boston, montei a minha primeira empresa de baloes, mas naquela epoca, a minha empresa nao tinha a minha cara, era apenas bonitinha e seguia a tendencia dos outros “tantos”, e como td q eh copiado, nao foi pra frente. Fiquei chateada durante um tempo, e nesse tempo pude estudar, pude me restruturar, fui atras de conhecimento, fui atras de responsabilidades, fui atras de melhorar, nao apenas a profissonal Rita, mas a pessoa Rita. Hoje, a minha empresa tem a minha cara, aceitei o desafio, aceitei a tensao, aceitei o conflito, e me concentrava todos os dias na empresa q queria… e ai nasceu a Tristar Balloons, q hoje serve aos clientes com frequencia e consistencia.
    Abracos de bemmmmm longe e obrigada pelas dicas!!!

  4. Eu imaginei que colocaria a energia em primeiro lugar, até pela pergunta que fez para o Christian no Man in the Arena e sem dúvida concordo com ela, afinal quem quer consegue, quem não consegue uma desculpa, mas acho que essa energia vem de uma espécie de paixão/amor ao que faz, com certeza não nas funções, atividades ou cargo, mas na visão do que o negócio é ou deve ser, acho que esse sentimento que alimenta essa energia toda, ele que nos dá aquele sorriso bobo quando alguém elogia nosso trabalho, tipo quando o Christian elogiou o Man in the Arena já chegou a se assistir?

    Só reparei nisso porque estava refletindo exatamente sobre isso enquanto assistia seu videocast e cheguei a conclusão que talvez o que mova e torne alguém empreendedor é essa paixão em realizar algo que mude um pedacinho do mundo, já que ela tras consigo a maioria das qualidades que eu vejo nestas listas que falam sobre o que um empreendedor precisa ter.

    Sei que pode soar piegas mas é a pura verdade.

    Abraços e como sempre parabéns pelo post!

    @richardrx

  5. Miguel,
    O que acho mais legal do conteúdo que você e Leo produzem é justamente esse aspecto mais humano da coisa. Empreender logicamente envolve uma questão técnica, mas na prática o que importa no empreendedor é ser uma pessoa forte que simplesmente vai aprender a técnica necessária.

    Não sei se já te falei, mas em Babson os professores resumem todas as características do empreendedor a “unstopable”. É uma pena que não exista uma palavra equivalente no português, mas é muito bacana imaginar o empreendedor como “aquele que não pode ser parado”. Quem tem essa características, simplesmente dá um jeito de conseguir todas as outras, uns com mais facilidade, outros menos, mas todos que são “unstopable” dão um jeito de conseguí-las.

    Sobre os cursos de empreendedorismo, também tive uma experiência engraçada em Babson. Um dos professores perguntou “Sabem qual é o maior defeito de todo empreendedor? Eu te garanto que vocês têm esse defeito.”.
    Nisso todo mundo ficou em silêncio e ele continuou “O maior defeito do empreendedor é o medo. E eu falo que vocês tem esse defeito por um motivo muito simples, vocês estão em uma sala de aula querendo aprender sobre empreendedorismo. Empreendedorismo se aprende com seu cliente. Arranja alguma coisa, qualquer coisa, e vai vender, não vem achar que vendo aulas você vai aprender a empreender.”.

    Lógico que ele falou isso de forma exagerada para causar choque, mas depois desse dia eu tive certeza absoluta que deveria largar meu emprego, que só servia para ganhar experiência, para empreender. Essa história de “Vou ficar um tempo aprendendo antes de empreender” simplesmente parou de fazer sentido na minha cabeça.

    Abração!

    P.S.: O episódio 7 do MitA ficou sensacional! Entrou na videoteca que temos na Empreendemia.

  6. Todos tem razão em concordar com o Miguel. Ele tem sensibilidade pra falar de um assunto que volta e meia querem tentar didátizar.
    Meu dia, até agora, tinha sido um lix…valeu Miga, salvou, mais uma vez, minha existência hoje.
    Emocionado.
    M.Artur

  7. Miguel,
    tenho visto além de muitas faculdades,até mesmo algumas (boas)escolas,passarem a ministrar aulas sobre empreendedorismo.Acho muito válido,desde que não incentive o aluno a ficar preso sentado em uma cadeira,dentro de uma sala de aula…Mas que motive e incentive-o a sair da sua área de conforto,e simplesmente faça.Simplesmente coloque em prática e pesquise,realize um plano de negócios,sobre uma idéia que venha a ter em mente.

    Acredito e concordo com o Millor,de que o medo muito atrapalha pessoas,com grande potencial no empreendedorismo,diga-se de passagem.

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