Resenha do livro The Habit Factor, de Martin Grunburg

“Nós somos o que fazemos repetidamente. Excelência não é um ato, mas um hábito”, Aristóteles.

Comecei minha audaciosa (impossível) meta de ler um livro por semana em 2011, no sábado passado, dia 08/01. Para começar estou atrasado uma semana no meu plano, mas o foco aqui é entregar aos poucos, sempre. Não sei como cheguei nesse livro, mas acho que foi uma recomendação via twitter do Chip Conley, autor do excelente livro Peak.

The Habit Factor (ou O fator hábito) é um livro curto sobre produtividade, que gostei muito. A ideia central do livro é a forte relação entre atingir metas e desenvolver hábitos, que viabilizam essas metas. Geralmente, os especialistas em gestão do tempo não fazem essa associação, que fez muito sentido para mim.

Criar um projeto para uma meta, com inúmeros itens na lista de coisas a fazer, me deixava perdido. Por exemplo, se você quer correr uma maratona (minha meta mais audaciosa para 2011), o mais importante não é criar um projeto, mas desenvolver o hábito de correr. Correr com frequência, toda semana, 3-4 vezes, e ir aumentando. É claro que vou precisar de outros hábitos, como ter uma alimentação saudável, estudar sobre treinamento para maratonas, avaliar dicas, melhores provas, etc.

A diferença entre hábito e instinto é que o hábito você aprende. Uma ação repetida com frequência e consistência se torna tão forte e automática como um instinto. Você faz sem pensar e acontece ainda mais intensamente em situações de stress.

Não as listas To-Do enormes

Ele faz uma crítica as metas SMART (em inglês do específica, mensurável, é uma ação, relevante e com prazo) dizendo que você não vai falhar na sua meta por falta de informação, por falta de saber o que fazer. As informações estão cada vez mais fáceis e disponíveis. Você pode falhar numa meta se não executar. E ter um hábito é executar com frequência. Eu sempre achei que esse negócio de meta smart não funcionava para mim.

O conceito central do livro pode ser resumido na frase inicial desse post, citando Aristóteles. O bacana é que o autor desenvolveu um método para facilitar você criar novos (e melhores hábitos). E criou até aplicativos para iPhone e Android para você fazer o monitoramento diário do seu avanço.

Nessa semana, troquei uns emails com um amigo que entende muito desse assunto, e ele me disse que o mais importante para conseguir mudar, fazer algo diferente do que está acostumado é follow-up. E esse método é uma maneira muito prática de você fazer o seu próprio follow-up (acompanhamento) de como está indo em cada hábito que está desenvolvendo.

Estou achando uma libertação esse novo formato, está fazendo muito mais sentido e estou conseguindo realizar muito mais nesse início de 2011, desde quando comecei a aplicar esse método, que é mais simples também. Comecei usando site super simples e gratuito chamado www.joesgoals.com, que funciona muito bem, mas acho que vou passar para a app do iPhone.

Comece

“A viagem mais longa começa com um pequeno passo”, Lao Tzu. É isso que o hábito tenta fazer de diferente, facilitar que você dê o primeiro passo, e que o segundo seja mais fácil que o primeiro e o terceiro mais fácil do que o segundo. Apenas comece. Just Do it! O slogan da Nike parece estar muito associado a começar um hábito. E não fazer (e não falta de planejamento ou de informação) é o principal motivo do fracasso de muitos.

Hábito não é relacionado a vício, mas a costume, que pode ser positivo ou negativo. Hábito é uma ação que você faz sem pensar, é inércia (positiva, se seus hábitos forem positivos). Sua vida é definida pelo conjunto de hábitos. E hábitos podem ser ações, emoções e pensamentos.

Baseado na sua meta, você deve se perguntar quais hábitos precisa desenvolver e reforçar para alcançar seu alvo. No meu caso da meta “maratona em 2011”, inicialmente os hábitos são correr 3xsemana, mínimo de 30km, alimentação saudável, e estudar mais sobre maratona e treinos específicos (ou arrumar um treinador). Para essa primeira etapa é tudo que eu preciso.

No caso da minha meta “um livro por semana em 2011”, há dois hábitos relacionados: ler diariamente 40-50 páginas de um livro e usar menos Facebook, Twitter e email pessoal. Parece simples, e é. Só não é fácil.

Dia ideal

Outra coisa legal que vi (relembrei) no livro é você pensar, escrever e rever como seria seu dia ideal. Quais coisas você faria num dia ideal de trabalho, num dia muito bom, produtivo, alegre, etc. Eu escrevi uma lista de uma série de coisas que gosto de fazer e que quando faço fazem meu dia melhor. Coisas pessoais, familiares e profissionais. Infelizmente até pouco tempo eu não monitorava diariamente essa lista de ações (de hábitos) relacionados com meu dia ideal. Daí eu montei uma lista de hábitos que monitoro diariamente com tudo que considero relacionado a um dia ideal.

Como medir

Nem tudo é feito todos os dias, mas começo a ter metas para cada hábito. Em pouco mais de uma semana que venho fazendo isso, o efeito tem sido excelente. Com o tempo vou refinar, incrementar e melhorar esses hábitos, pois o que é ótimo hoje, amanhã será apenas razoável (se eu estiver melhorando mesmo).

Ele joga por terra o mito dos 21 dias para fixar um hábito. Alguns demoram mais, outros menos. E muitos não são feitos diariamente. Você pode ter um hábito semanal ou mensal, por exemplo. Você precisa de repetição, frequência e consistência. Quando ele fala de dieta e hábitos, me lembrei da explicação sobre juros compostos: pequenos depósitos por um longo tempo geram uma grande fortuna.

Ambiente, harmonia e consistência

O ambiente tem grande influência nos hábitos. É mais fácil ter sucesso em parar de fumar, se você começa isso durante uma viagem. E pode ser uma necessidade construir novos hábitos que te levem a novos (melhores) ambientes, porque os ambientes antigos podem te levar para os velhos hábitos.

Relacionar hábitos e buscar harmonia e balanço. Faz muito sentido que pessoas de muito sucesso se preocupem com alimentação, esportes e sono. Não tente eliminar um hábito, crie outro melhor, para substituí-lo. É muito mais eficaz. Não mensure hábitos negativos. É melhor inverter e acompanhar hábitos positivos.

Consistência ao longo do tempo é o mais importante para formar um hábito. Recompensas e ambiente influenciam e muito na formação de hábitos.

Sobre visualização, ele cita Einstein que falava que imaginação era mais importante que conhecimento. Inteligência real é identificada através de imaginação aplicada e curiosidade. Anote quando, onde e como você trabalha melhor, onde tem as melhores ideias.

Ele até dá uma sugestão de entrevista de emprego: perguntar quais são os cinco melhores hábitos e os dois piores.

No meio do livro o autor “viaja” um pouco falando de energia, de ciclos da natureza. Ele quer mostrar que a natureza tem seus hábitos, seus números, seus ciclos. É verdade, e eu não tinha feito essa associação. Talvez esse seja mais um motivo para eu estar achando isso tão natural.

Como criar suas metas:

  1. Identifique a meta
  2. Especifique a data de início e data projetada de finalização
  3. Descubra e anote o “porque” da meta
  4. Descreva em detalhes como será quando você já tiver alcançado essa meta
  5. Identifique pontos intermediários chave
  6. Defina hábitos alinhados a essa meta

Como criar hábitos (alinhados as suas metas):

  1. Identifique seus principais hábitos (ele diz que são por volta de 35)
  2. Defina o que será o critério mínimo para considerar realizado (ex.: correr mínimo de 10km)
  3. Descreva porque cada hábito é importante
  4. Identifique quais dias da semana são os alvos (ex.: correr segunda, quarta e sexta)
  5. Estabeleça o dia para começar a medir e o período que vai medir
  6. Acompanhe, mensure diariamente cada hábito (usando papel, planilha, site ou app)

Frases legais do livro:

  • “Não há caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.” Buda.
  • “O hábito é mais forte do que a razão”, George Santayana.
  • “A solução vem até você e você não sabe como ou porque”,  Albert Einstein.
  • “O melhor momento para plantar uma árvore foi há 20 anos atrás, o segundo melhor momento é agora”, provérbio chinês.
  • “Sou um sucesso da noite para o dia, só levou 20 anos”, Monty Hall.
  • “Estar em todos os lugares é estar em lugar nenhum”, Seneca.
  • “Silêncio é uma cerca em volta da sabedoria”, provérbio alemão.
  • “Energia flui para onde sua atenção está”.
  • “Não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos”, Anais Nin.
  • “A vida encolhe ou expande de acordo com a sua coragem”, Anais Nin (essa eu achei na página da Wikipedia)
  • “Excelência é alcançada pela dedicação aos fundamentos”, Vince Lombardi.
  • “A vida de verdade é vivida quando as pequenas coisas acontecem”, Leo Tolstoy.
  • “Você não consegue o que quer, você consegue o que mede”.
  • “Nós não desperdiçamos o tempo, nós desperdiçamos nossas vidas”, George Matthew Adams.
  • “O que um homem pode ser, ele deve ser”, Maslow.
  • “Não há amanhã, não há hoje, não há ontem. Há apenas o agora.”
  • “O grande uso da vida é fazer algo que vai durar mais do que ela”. William James.

Mercador da morte ou Nobel da paz?

Para terminar, uma história interessante. Alfred Nobel era um químico sueco que inventou o dinamite. Certa vez, por acidente, um jornal publicou a notícia de sua morte quando seu irmão tinha morrido. Na manchete, o chamaram de mercador da morte. Ele foi uma das únicas pessoas do mundo a ler seu próprio obituário (o único que conheço…). Ele ficou chocado e resolveu mudar isso. Em sete anos criou o que hoje é conhecido como prêmio Nobel, talvez o prêmio mais famoso do mundo.

Estou usando muito do que aprendi nesse livro e está me ajudando muito a começar 2011 diferente, muito melhor.

Para ir além:

 

6 Comments


  1. Roberto Tostes

    Muito bom post, Miguel! Este livro realmente parece valer a pena! Voce resume e destaca os pontos muito bem! Abs

    Roberto Tostes

  2. Olá Miguel,

    “Descobri” você no blog do Christian Barbosa, quando ele colocou no blog o podcast seu e do Leo Kuba…
    Desde de lá acompanho vocês.
    Enfim, esse comentário é mais a título de feedback mesmo. Acho importante salientar como objetivo de dar incentivo a essa idéia tão bacana de vocês. Que ela continue e outras também venham…

    Quero aproveitar o ensejo de deixar aqui uma dica: por favor, se possível em todos os episódios falem mais e mais das dicas de livros, pelo menos um livro por episódio.

    Por fim, sobre esse seu post aqui, parabéns.
    O que gostei muito foi do “Dia Ideal”.
    Já li o livro do Christian, acompanho ele também… Esses dias mandei um e-mail compartilhando a dificuldade de conseguir atingir minha metas.
    Sinto-me com um nível de iniciativa muito, muito grande, porém, minha acabativa é péssima.
    Acho que não sou privilegiada, porém, em contra-partida acho que me cobro acima da média por não conseguir atingir meus objetivos. O sentimento de frustração acaba sendo cíclico e doloroso demais. Mas…

    Acredito que leituras como essas são doses semanais/mensais de incentivo a começar de novo, a continuar e mesmo não conseguindo, tentar denovo e denovo… Nunca desistir, jamais!

    Grande abraço, parabéns!
    Thalita Mara de Souza
    thalita@nexaprojetos.com

  3. Você é um extra-terrestre…

    Um livro por semana é para seres não humanos…

    Obrigado por compartilhar.

  4. Olá Miguel,

    Interessante é que no livro Motivação 3.0 há um capítulo sobre excelência que também aborda a importância do hábito e da perseverança .
    []s,
    Thiago de Assis Silva
    thedomnetwork.wordpress.com

  5. Miguel,
    gostei muito da resenha.
    Queremos mais :D
    Um abraço!

  6. Miguel Cavalcanti

    Eu também quero mais :-)
    Abs, e obrigado!

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