
Michael Porter fez duas palestras seguidas na manhã do terceiro dia da Expo Managemente, em São Paulo, há duas semanas. Michael Porter é considerado uma das maiores autoridades do mundo em estratégia, tendo escrito alguns dos livros mais famosos sobre o tema.
Ele é daquelas raras pessoas que sabem tanto de um assunto, que já ensinaram, estudaram e revisaram tanto um tema, que tem uma capacidade incrível em explicar de forma simples de entender. Eu fiquei fascinado com a clareza que ele conseguiu explicar estratégia em profundidade.
Esse post é dedicado ao principal insight que tirei da sua primeira palestra. Não tente ser o melhor, seja único. Ele mostrou a declaração de visão e missão de grandes e admiradas empresas brasileiras: Brasil Telecom, Ambev e Embraer. E destacou quantas vezes há a palavra melhor. Foi uma maneira de chamar a atenção, e provavelmente não agradou aos que estavam lá e eram dessas empresas, mas faz parte do show.
Escolha seu cliente e procure ser único. Atenda o perfil de clientes que escolheu, mas não procure atender a todos. Procure se posicionar como único, através do valor que entrega, das competências que desenvolve na sua empresa. Através até da rede de valor que você constrói na sua empresa e fora dela. Tudo pode te ajudar a se tornar único (e não melhor). Eu fiquei pensando em quantas vezes já me vi falando melhor, em quantas vezes já vi bons profissionais falando em ser melhor. E como esse não é o melhor caminho.
Refletir sobre meu negócio e minha atuação pessoal, em todas as áreas, pensando em como ser único e não melhor. Para ser único, você trabalha pela sua excelência individual. Para ser melhor, fica se comparando. Eu me lembrei muito da frase do Nietzsche “Torna-te aquilo que tu és”, que gosto muito e já escrevi sobre isso.
Quando você compete nas mesmas dimensões, tende a tornar o mercado pior, e até menor. Ao competir para ser o melhor, o modelo mental é a soma zero: eu ganho, você perde. Quando compete em dimensões diferentes, a tendência é aumentar o mercado. Se você conseguir isso, sai da soma zero, e sua vitória deixa de depender da derrota do outro.
Ele deu dois exemplos interessantes de empresas com estratégia focada: a IKEA, que faz móveis muito baratos (e atende muito bem a filha do Michael Porter, mas ele não gosta), e a Nespresso, linha da Nestlé, de café espresso ultra-especial, que não é vendida em supermercados (como a grande maioria dos produtos Nestlé).
Eu achei muito interessante. Pensei também em como isso é básico. Em como é simples. E como é difícil e raro de se fazer, de se colocar em prática realmente. Porter ficou aproximadamente 30 minutos falando sobre isso, e achei que valeu o dia.
Para ir além:

Participei no último sábado, dia 14 de novembro do TEDxSP, um evento no formato do TED que acontece na Califórnia todos os anos, sempre lotado, com fila de espera e mais de US$ 4.000 de inscrição. Esse aqui foi gratuito, realizado com o suporte e permissão do TED, mas independente. Foi um dia e tanto, muito cansativo para o cérebro. Abaixo minhas anotações, palpites e reflexões.
O que faz um evento de sucesso
Hoje, com muita informação, com a internet, com tudo disponível, é ingênuo achar que um evento vai te trazer muito conteúdo novo. Se isso acontecer, você deve estar pouco informado. Me lembrei da pergunta que fiz ao Tim O’Reilly no início desse ano, sobre como o evento dele ia ganhar dinheiro, se estava colocando (quase) tudo de graça na web. Ele me disse, bem resumido: evento de sucesso é: conteúdo, mas também é curadoria (misturar e ordenar muito bem os temas/palestrantes) e é experiência.
O TEDxSP foi isso, uma experiência de passar um dia inteiro (de 07:30hs as 20:30hs num sábado) convivendo, ouvindo, vendo, falando, pensando e refletindo sobre o que o Brasil tem de melhor. O que o Brasil tem a oferecer para o mundo. É lógico que o Brasil tem muito a oferecer, mas como temos muitos e muito grandes pepinos também a resolver, já viu, falamos/pensamos no dia-a-dia quase que só sobre os problemas. O TEDxSP conseguiu abrir uma janela nessa nossa rotina. Por isso a sensação de 99% do público era muito boa durante e depois do evento.
O que eu não gostei muito
O evento não foi perfeito, e como um bom (e chato) observador, anoto aqui. Muita gente usando o twitter para repetir o que o palestrante dizia, sem comentar, sem conversar. Parecia que muita gente estava ali vendo, mas não refletindo.
Eu também achei o público muito focado em publicidade/comunicação e em grandes empresas. Pouco diverso. E me surpreendi quando me falaram que tiveram apenas 1.000 e poucos (1.300, sei lá) inscritos. Para um evento gratuito, com 700 vagas, me pareceu pouco. E eu que fiquei bem encanado que não seria convidado… :-)
Vários palestrantes não respeitaram o tempo estipulado. Do terceiro andar do teatro, de onde estava, dava para ver o relógio piscando 00:00. O primeiro palestrante, que era da Superinteerssante, falou uns 15 minutos quando tinha 5… Tudo bem qu eeu já tenho uma certa implicância com a revista… O que já li deles, sobre temas que entendo (carne bovina) tinha muita bobagem. Parecia uma matéria que estava pronta antes de entrevistar os dois lados. Outras palestras também não foram boas, teve uma que um amigo descreveu como a leitura dos folders de três ONGs.
E um dos palestrantes, o Luiz Algarra, brincou que não existem talks no TED, o palestrante não conversa, não escuta, apenas fala. É uma verdade.
Mas eu acho que esses detalhes são pequenos perto do que o evento conseguiu fazer.
A organização
O pessoal da organização deu um show. Usaram o know-how do TED americano e deram um toque brasileiro. Tudo funcionou bem, desde o email de boas-vindas, com todas as informações, enviado dois dias antes. Além disso, pude conhecer mais o pessoal da Colméia, que trabalha entre outras coisas com vídeos online. É uma empresa com uma cara, cultura diferente. O pessoal é gente boa, amigo, sem pressão. Achei muito bom mesmo. Outr acoisa legal é que algumas empresas (entre elas a Batuq) fizeram um makeup dos PPTs, que estavam impecáveis. Coisa rara de se ver. E alguns nem usaram PPT, o que surpreende ainda mais.
Três pessoas da organização, além do apresentador do evento, falaram no palco. Todos me pareceram extremamente dedicados ao tema, a proposta. Tinha mergulhado de cabeça na ideia do TEDxSP e colocavam ali todo seu ser. Uma das melhores surpresas foi a palestra do estagiário do TED, de 17 anos, que fez uma palestra empolgante, animada e com conteúdo. Seu pedido: vamos ajudar a traduzir os mais de 500 vídeos em inglês do TED para o português.
As palestras que mais se destacaram (e me marcaram)
As palestras que mais me marcaram foram as de:
Guti Fraga, pela emoção de falar do projeto Nós do Morro (no Vidigal, RJ/RJ). Ele estava muito emocionado e falou coisas muito legais como: ajudar os outros é muito bom, todo esse projeto ajudou muita gente, mas me ajudou muito mais.
Professora Adozinda, uma professora de 92 anos, exemplo de dedicação, amor a profissão, alegria. Ela finalizou fazendo quadrinhas sobre o que é ser professora. Uma das coisas mais legais que já vi sobre educação. Muito bom mesmo ver alguém com essa idade e esse estado de espírito.
Osvaldo Stella, por deixar o PPT de lado, e fazer a palestra no improviso. Ele disse, se eu chorar mais, vou desidratar. Pessoal que fez o PPT, muito obrigado, mas não vou usar isso, vou contar minha história. E mandou muito bem, contou sua história de vida, entremeando com a questão ambiental. E falou uma série de coisas muito longe do discurso chato de eco-xiitas. O cara tem conhecimento, e falou com o coração. Surpreendeu.
Regina Casé, também pela alegria e energia de falar de um assunto que ela adora: perifieria, cultura, gente. Contou histórias super legais e divertidas, e junto mostrou um lado diferente do Brasil. Outra coisa legal, é a globalização da cultura de periferia. O que acontece no Pará é parecido com o que acontece em Angola, México e até subúrbio de Paris. Contou uma história de menino com síndrome de down na favela que tinha uma vida com muito mais inclusão do que um menino rico, que seria isolado. Regina Casé fala negão, preto, viado. Não importa o que você fala, mas como você fala. Como ela tem paixão, emoção, carinho por tudo isso, não soa estranho. Deve ser difícil um chato politicamente correto entender. No site dela tem uma frase que me identifiquei “É muito trabalho, mas é isso mesmo que eu quero na vida. Fazer boas coisas e me divertir com elas”. Deixou um link extra para o pessoal do TEDxSP.
Fábio Barbosa, por falar de ética e por acreditar que dá para fazer um Brasil melhor trabalhando direito. Fábio ´eum dos maiores executivos do Brasil, e o principal a carregar essa bandeira. “Não dá para ir bem num país que não vai bem”. Deu o recado de que uma empresa pode fazer diferente. “Resultado sim, mas precisamos focar nosso impacto”. ” Se precisamos comprar de quem vai contra a lei para ter resultado, não dá”. “Não tem mais on e off. Estamos sempre on”. A transparência não é mais uma opção, mas a realidade nua e crua. “O que você faz no dia a dia, transforma o Brasil de alguma forma?” “Diversidade gera pontos de vista diferentes, e a possibilidade de pensarmos melhor. Achamos muito inteligentes quem pensa como nós e o oposto acontece”. “A reforma mais importante não é a política, etc. É a reforma moral”. “Melhoramos como consumidor de produtos, mas não como consumidor de cidadania. Ainda votamos errados. Não deixamos um mundo melhor para nossos filhos, mas filhos melhores para o mundo.” Escrevi um post bem completo de uma palestra excelente do Fábio Barbosa que assisti ano passado.
Casey Caplowe, da revista GOOD, dos EUA, também fez uma palestra muito boa. A Good é uma revista para quem quer viver bem, fazendo o bem. Achei interessante o conceito. Veja o site da revista GOOD. Ele falou algumas coisas bem legais, como: “America: ame-a ou deixe-a”. Tiraram o deixe-a e colocaram arrume-a. Muito bom, acho que podemos fazer o mesmo com o Brasil. Eu fiquei com uma impressão de que eles fazem uma revista que consideram top, que consideram que vai fazer a diferença, e não querem fazer uma coisa enxaguada, imbecilóide, para vender para mais Homer Simpsons. Os EUA têm uma classe de gente criativa, empreendedora incrível. Outro conceito que gostei muito foi o de produzir algo que seja awesome, ou incrível, especial. Ele citou um artigo que falava justamente sobre isso como maneira de enfrentar a crise e a concorrência. Acredito demais nisso.
Todas essas palestras, de alguma forma me emocionaram. Também gostei muito da palestra sobre o projeto Many Eyes, da IBM, que facilita muito mostrar dados de uma forma fácil de se ver. E várias outras foram bacanas, vale a pena acompanhar o site deles e esperar pelos vídeos.
O que faz uma palestra de sucesso
Revendo minhas anotações (tweets) e refletindo sobre o evento, chego mais uma vez a conclusão que uma boa palestra é feita de emoção. É feita de histórias bacanas, que te tocam. Teve uma menina que conseguiu fazer uma palestra legal sobre substâncias químicas no resíduo da banana par adespoluição de água. Amazing!
Também cheguei a conclusão que para fazer uma ótima palestra, com muit aemoção e com ótimas histórias, é preciso ter investido muitas e muitas horas da sua vida naquela assunto. Talvez as 10 mil horas do Malcom Gladwell. E você só vai conseguir investir esse tempo todo e ainda falar com o coração de um assunto que goste muito, muito mesmo. Tem que ser o assunto da sua vida. É claro que um PPT template pode arruinar sua apresentação e que existem muitas e boas técnicas sobre como apresentar bem, que podem ser treinadas e aprendidas (é fácil), mas isso só não basta. É o complemento.
Principal conclusão do evento
Por incrível que pareça, a principal conclusão do evento é o amor. Várias pessoas falaram de formas diferentes sobre o amor. Sobre querer bem os outros. Um dos primeiros disse: “se você está aqui hoje, é porque alguém, um dia, cuidou de você”. Eu vi gente falando ou pulsando no palco sobre amor ao próximo, amor a educação, amor a profissão, amor ao que faz, amor a arte, amor a música. Ainda relacionando ao tópico acima, as melhores palestra foram sobre temas que os palestrantes realmente amavam, a ponto de dedicar toda sua vida nisso. Parece piegas, mas foi o principal que levei para casa. Me lembrei de uma frase do Peter Drucker, citada pelo Jim Collins, na INC500: “Não se preocupe em sobreviver, não se preocupe em ser bem sucedido. Se preocupe em ser útil”.
Tribal Leadership e o TEDxSP
No momento estou lendo (na verdade ouvindo o audiobook) um livro chamado Tribal Leadership, onde o autor fala de 5 tipos de tribos, cada uma com suas caracteríticas. A cada tribo, cada degrau, você vai mehorando, tendo uma vida mais plena e também produzindo mais, em especial em grupo. O quinto nível tem o nome de “Life is great”, onde os integrantes da tribo pensam de forma abundante, não tem inimigos ou concorrentes, trabalham por um sonho maior. E com isso conseguem realizar muito mais. O autor diz que são muito poucas empresas qu estão nesse nível.
Ao sair do TEDxSP, estava com uma sensação muito boa. Uma sensação de que a vida era boa. De que há muita gente boa no Brasil. De que é possível construir algo melhor aqui. Eu acho que o TEDxSP conseguiu, pelo menos por algumas horas, dias, a construir esse sentimento em muitas pessoas. Não foi a informação que cada palestrante passou, mas o clima, a energia, a emoção de todo aquele dia, do espírito das pessoas. Pode sair algo muito bom daí.
Um evento muda alguma coisa?
Dessa minha relação meio maluca do TEDxSP com o nível 5 do Tribal Leadership, fiquei me perguntando: será que um evento consegue mudar as pessoas? Minha resposta é não. Não é o evento que vai mudar as pessoas. Mas cada um, que estiver pronto, estiver querendo mesmo mudar, pode mudar pelo que viu, mas principalmente pelo que pensou, refletiu e decidiu fazer. E olha que eu sei que é difícil mudar. Tem um monte de coisas que quero mudar em mim, e estudo, leio, tento, converso, e as coisas andam mais devagar do que eu queria.
O TEDxSP vai me mudar? Não. Mas as coisas que eu fizer com o TEDxSP podem me mudar sim.
Feedback
O que você achou dessas minhas reflexões sobre o TEDxSP? Gostaria muito de saber sua opinião.

Estamos aqui no teatro Mooca, iniciando o TEDxSP. Vou tentar postar impressões ao vivo. Só há dois dias na vida que não se pode fazer nada: ontem e amanhã. Apresentador do TED pede que hoje se aproveite o hoje, em cada momento. Primeira performance foi do pianista Vitor Araujo.
Para ver fotos, acesse mcavalcanti.posterous.com
Para ver os tweets, acesse twitter.com/mcavalcanti

No primeiro dia dia da conferência INC 500, nos EUA, no final de setembro, participei de uma reunião extra, opcional, que me surpreendeu demais. Era o lançamento de uma comunidade de empreendedores “small giants”, ou pequenos gigantes.
Esse termo foi cunhado por Bo Burlingham, editor da revista INC. Ele estudou empresas que optaram por serem ótimas e não grandes. Ainda não li o livro, mas está na minha lista, com autógrafo e tudo.
Interessante que nessa pequena reunião (umas 35 pessoas) também tinha pessoas de diversos países, inclusive do Brasil. Raul Candeloro e a mulher (editora da revista Venda Mais) estavam por lá. Raul tem aqui no Brasil uma comunidade inspirada no Small Giants. Se chama Clube dos 100.
Veja abaixo meus principais comentários sobre essa reunião da Small Giants Community, que gostei muito. O evento teve três partes: apresentação inicial do conceito, debate com vários pequenos gigantes e um coquetel ao final.

Apresentação do conceito da comunidade
- Uma das coisas em uma empresa small giant é que você nota que está numa ao entrar, é automático.
- Paul Spiegelman, que está montando a comunidade, escreveu um livro (Why everybody is smiling).
- O slogan dessa comunidade é “Its not what we do, its who we are”, ou não é o que você faz, mas quem você é
- Nunca trabalhei em uma grande empresa. Cuidamos do nosso pessoal primeiro, e tocamos nosso negócio assim. Como cuidamos das pessoas como cuidamos da empresa.
- Ele tem uma empresa de telemarketing premium, cobra mais caro e é 5-6 vezes mais rentável que empresas do setor.
- Quer montar uma comunidade global de empreendedores com mindset especifico. Com propósitos similares, mesmo atuando em diversos mercados e países.
- Uma das primeiras coisas que estão montando, em especial depois dessa primeira reunião, são “safaris” entre empresas. Assim você pode conhecer “in loco” a realidade de uma small giant.
- Uma das ideias mais malucas, que eu gostei, foi um job rotation radical, onde uma pessoa trocaria de empresa por 3-6 meses, conhecendo mais sobre a cultura.
- Após a apresentação, Bo fez questão de pedir a opnião das pessoas. Queria ouvir o que as pessoas não gostaram. Foi bacana pois as pessoas se abriram, criticaram mesmo. E com isso, ficou muito mais rico. Quem estava apresentando teve que “aguentar”, mas aprendeu muito. Vários por exemplo, disseram que os proposto inicial (us$500/ano) era muito pouco.
- Paul disse ter uma equipe na empresa dele que permite que desenvolva novas atividades.
- “A maioria das associacoes é uma burocracia que não entrega nada”, foi uma das frases que ouvi, ao comentarem sobre uma nova entidade/empresa/associação. “Não pode apenas pagar com dólares, tem que pagar com sangue”, foi como um dos participantes disse que tinha de criar mecanismos que envolvesse mais as pessoas.
- Querem “criar uma comunidade que muda o jeito de fazer negócios”.
- “Muitas pessoas que conheci melhoraram meu negócio e me ajudaram a me tornar uma pessoa melhor”.

Debate com os pequenos gigantes
Após a apresentação inicial e comentários, se formou um debate com vários ilustres. Um deles era Norm Brodski, que admiro muito na INC e adorei seu último livro The Knack.
Norm Brodsky:
- “Eu era um pequeno ditador, depois virei um pequeno gigante”. Todos riram.
- Minha primeira meta como empreendedor foi faturar us$ 100 milhões em um ano. Consegui, mas vi que era uma meta ruim. A empresa quebrou. Aprendi muito com isso, mas foi uma experiência péssima.
- O maior trabalho do CEO é desenvolver a cultura da empresa. Temos que dar o tom. Mesmo na crise, falamos a todos que não iríamos mandar ninguém embora. Isso teve um efeito enorme. Os empregados se tornaram parceiros da empresa.
- A melhor época de se criar uma cultura é durante crises como essa.
- Não corte seus preços, de serviços extras.
- Todos os concorrentes mandaram uma carta aos clientes falando que devido aos preços da gasolina, iriam aumentar os preços. E eles mandaram uma carta dizendo que não iriam aumentar os precos, para todos os clientes, depois para todos os clientes da concorrência :-)
Ari Weinzweig da Zingerman e ZingTrain (e outras empresas, todas em Ann Harbor):
- Trabalha com comida tradicional, slow food. Não está nesse mercado porque é mais caro, mas porque é o que mais acredita. Trabalha com “real food”, como definiu.
- Não queria crescer, não era pelo dinheiro.
- Várias empresas poderiam crescer rápido, mas escolheram não fazer isso, pois tinham outras prioridades.
- “Não fizemos nada muito diferente. Tínhamos uma visão clara, para 2020. Foco na sustentabilidade. Dedicação em trazer uma boa comida, em oferecer um bom serviço”.
- Interessante que ele tem uma série de negócios ligados a comidas especiais, como delicatessen. E com isso criou uma empresa de treinamento, onde ensina como atuar como ele faz, para pessoas dos mais diversos setores. Achei super interessante.
- Ari recomendou o livro “Ignore evrybody”, do Huhg McLeod, que acabei de ler e gostei muito.
- O maior erro é não seguir seu sonho. Siga sua intuição, seu estômago.
- “Siga sua paixão, mas faça as contas”. Adorei essa frase.
- “As pessoas precisam ver quem você é.”
Outras frases, que não marquei de quem era:
- Todo mundo começou num “momento ruim”.
- Um dos comentaristas no debate fala que monta uma empresa e vende, monta e vende. Começa e vende: esse é seu negócio. Desde o início da crise, vem comprando empresas, sem demitir, mas sem lucros. Quando o mercado voltar, terá uma empresa com o dobro do tamanho pré-crise, com ótimos resultados. É um otimista, sobrevive na crise, para detonar quando voltar ao normal.
- “Está dificil? Sim, como sempre. Esta diferente, não mais dificil”.
- A maioria das small giants se sente sem graça de ser chamado de small giant.
- Todo sall giant quer deixar sua marca no mundo, quer mudar o mundo, melhorá-lo, a seu jeito.
- Não é fácil, tem que se dedicar 110% a sua ideia. Tem que ter uma causa.
- David x Golias: melhor usar armaduras ou ser você mesmo?
- Competimos, mas de uma forma diferente, reposicionando o mercado.
- Quem está entrando no mercado de trabalho, quer fazer a diferença. Por isso precisa de uma cultura, isso é o mais importante para eles hoje.
O coração da economia dos EUA está nos pequenos negócios (no Brasil é o mesmo). Eles querem usar esse grande conhecimento acumulado nessas empresas e criar formas (site, comunidade, livros, cursos, safaris, etc) para difundir esse conhecimento e essa maneira de trabalhar. Gostei muito da ideia. Um formato que me interessou muito como cliente também.
Foi o primeiro dia, um evento meio despretensioso. Me surpreendeu. Pude conhecer pessoalmente pessoas incríveis, conversar. Pude aprender, ao vivo com excelenes empreendedores. O evento INC 500 foi excelente, muito melhor que o Mixx, na minha opinião. Nos próximos dias, pretendo postr diariamente sobre o evento, que considero parada obrigatória daqui em diante (já estou planejando o 2010).


Ashton Kutcher, mais conhecido como o marido da Demi Moore, ou o cara que chegou primeiro a ter mais de 1 milhão (!!) de seguidores no twitter, foi a palestra-entrevista encerramento no Mixx 2009, em NY, que aconteceu dias 21 e 22 de setembro.
Ashton Kutcher me surpreendeu, até porque minha expectativa era muito baixa em relação a apresentação dele. Fiquei meio que pré-julgando: lá vem um galã americano dizer umas baboseiras sobre mídias sociais e todo mundo vai bater palmas (em especial as mulheres). É claro que a mulherada não decepcionou, o frisson foi engraçado no evento.
O Sr. Kutcher sabe do que está falando. Ele obteve realmente um feito inédito no twitter e tem hoje cerca de 3,8 milhões de seguidores. Um número incrível.
Algumas anotações que fiz sobre a entrevista do Ashton Kutcher:
- “Nós vivemos em público”. Saber disso ajuda e muito. Eu entendo que cada vez mais tudo o que fazemos será público. Se você faz o bem, é tranquilo. Mas se você é um picareta, vai ficar cada vez mais complicado se dar bem. Além de vivermos em público, agora é mais fácil rastrear o que você fez há 10 anos atrás. A memória da internet é muito boa. “Nós vivemos em público” também se aplica a marcas, a empresas.
- “Vídeos curtos, de 3-5 minutos, são um ótimo formato de interagir com seu público”. Achei interessante, pois ele mostrou alguns exemplos e me confirmou mais uma vez que vídeo é a nova fronteira da internet. O potencial de impacto é muito maior do que com texto (apesar de dar muito mais trabalho fazer) e do que com apenas áudio. Ele falou de uma empresa de compartilhamento de vídeos com duração máxima de 12 segundos!
- Honestidade será um grande ativo. Ele deu como exemplo a indústria de filmes nos EUA, que é muito fechada e que está indo (sendo forçada) a se tornar mais aberta, mais honesta. “Não dá para usar maquiagem na web”.
- “Se conecte, compartilhe, colabore”. Essas três palavras formam o mantra do Ashton Kucther. Meio simplista, mas como ouvi hoje (19-10) “Nas mídias sociais, o difícil não é planejar, mas executar“.
- “Produza conteúdo que seja sinônimo da sua marca”. Se as pessoas compartilharem seu conteúdo, estarão falando da sua empresa. Concordo 100% com isso.
No início da palestra dele, fiz uma piadinha no twitter, sobre como obter 1 milhão de seguidores: namore a Demi Moore ;-)
Interessante que a maioria das coisas que procurei, feitas pela empresa dele na web, quando clicado, vai para o Facebook. Não tem site, apenas direciona para uma “fan page” ou app page” do FB. Um exemplo aqui.
Outra coisa que mandei para o twitter durante a palestra dele é que ele acha que na internet, você pode ser o Roberto Marinho de si mesmo (em outras palavras, é claro). Essa é uma frase do Marcelo Tas, o rei do twitter no Brasil.
Para finalizar, uma foto do casal ;-)

Mixx 2009: valeu a pena? O evento em si, as palestras, não pagaram a viagem. Não valeria a pena ir só para isso. Mas valeu a pena passar dois dias em NY (sempre bom), e conhecer muita gente interessante que trabalha com internet no Brasil. Não sei se vou em 2010, se for, vou na feira de stands.

Nikesh Arora foi um dos melhores palestrantes do Mixx 09, que aconteceu em 22 e 23 de setembro, em NY. O tema da palestra foi “O fim do marketing digital?”.
Antes chamávamos de telefone celular, hoje de telefone. Antes de carruagens sem cavalos, agora de carros. Antes TV a cores, agora só TV. Logo vamos chamar o marketing digital de apenas marketing.
Como todas as mídias, que quando surgiram, ainda passaram por um longo processo de evolução para se tornarem um sucesso (ex.: TV, rádio, etc), a internet, o marketing digital ainda vai evoluir muito frente ao que conhecemos hoje. Criticar o que temos hoje é um passo para não enxergar o que vem pela frente.
Com o tempo, e a tecnologia, cada vez mais vamos ser capazes de entender quando, como e onde cada pessoa está consumindo conteúdo, informação e publicidade. E isso não será apenas na internet ou no celular. Em breve, TV e rádio serão mais e mais sob demanda, e com essas características de entender onde/como/quando está seu consumidor. E se adaptar a isso.
Arora disse que o marketing é a nova finanças, querendo dizer que quem entende de matemática vai ter uma vantagem no novo marketing. Métricas serão cada vez mais importantes. Ele deu um exemplo interessante: antes se fazia amostragem, hoje o Google faz um teste com toda a opulação. Lançar um produto beta não é mais um experimento em que se expõe seu produto a uma parcela, amostra da população. Agora você mostra a todo o seu mercado alvo. Essa é realmente uma mudança incrível, e o Google é um exemplo de como fazer isso bem.
Outro exemplo legal foi o de realidade aumentada. Ao se filmar/fotografar um edifício com seu celular, ele automaticamente acessa web, e checa onde você está, o que tem de dados sobre aquele prédio (história, informações, etc). Isso vai influenciar tudo, inclusive a publicidade. Imagine mostrar mensagens relevantes para a pessoa certa, no lugar certo, na hora certa. A matemática por traz disso tudo deve ser mosntruosa, mas é o sonho de consumo dos marketeiros. Essa nova tecnologia pode ajudar a tornar todo anúncio envolvente, uma vez que você mede os resultados e só mostra o que é relevante.
Outro comentário interessante dele foi que o inventário de mídia está crescendo de forma muito mais rápida do que a capacidade atual de vender publicidade sobre essa mídia. Um dos grandes desafios vai além a venda. É a organização desse inventário de conteúdo. Imagine quantas páginas do orkut ou Facebook seriam interessantes para centenas se não milhares de empresas. O problema é que hoje não se consegue separar essas páginas de outras com pornografia, xingamentos, agressões, etc. Essa incapacidade de filtrar, organizara e separar o “joio do trigo” torna mais difícil (para não dizer impossível) vender esses espaços.
Duas frases muito interessantes:
- O santo graal da publicidade é fazer com que ela se pareça com informação.
- No futuro, tudo estará muito próximo de você.
Veja o vídeo resumo, do IAB, abaixo:

Steve Wadsworth e George Bodenheimer, altos executivos da Disney e ESPN (uma empresa da Disney, para minha surpresa), falaram da experiência de uma empresa que é líder em várias telas: TV, PC, celular. Foi uma palestra marcada pelo padrão americano de apresentação de executivos dos EUA, bem ensaiada. Parecem que tomam um grande cuidado de não falar nada fora do script. Mesmo assim foi interessante.
Alguns dos principais pontos que anotei e trouxe para cá:
- Falaram que a ESPN há 10 anos deixou de ser uma empresa de televisão. O NY Times (jornal) também não quer ser jornal. :-)
- “Nossa missão é servir fãs onde eles quiserem, não só na TV”. Distribuição de conteúdo agora é “everywhere”, para Disney e ESPN. A ESPN é pioneira em conteúdo e canais mobile.
- “Compramos direitos de mídia (não apenas direitos de TV), e queremos transmitir de todas as formas”. Só a publicidade não vai pagar a conta toda. Estamos experimentando, um exemplo é a ESPN 360.
- Um tema comum dos palestrantes do Mixx foi o foco no consumidor, não em um único canal de mídia para alcançá-lo. Talvez pensar só em internet também seja um erro (apesar da Amazon ser um sucesso).
- “Vamos tentar nos diferenciar pela qualidade, pela marca, pela experiência”. Com barreiras de entrada diminuindo, marcas serão cada vez mais importantes.
- A Disney é uma empresa que atua servindo clientes: mídia, parques, etc. Mas é preciso inovar sempre.
- Um detalhe, muito importante do negócio da ESPN: 99% dos esportes são vistos ao vivo. É um dos únicos tipos de programa que precisam ser vistos ao vivo, logo ainda há um bom espaço para publicidade para TV. O exemplo clássico é o Super Bowl. Mas também é uma oportunidade para mobile.
- “Patrocinar a barra inferior da tela do vídeo, com sua marca e informações de esportes é muito bom para quem anuncia. Temos como provar isso.”
- “Clientes vem pagando menos por online do que analógico”. Diz não se preocupar. “O foco é qualidade, experiência do usuário”.
Gostei da apresentação, por mostrar uma empresa que atua classicamente na TV, mas está se aventurando (parece que com sucesso) em outros canais, como internet e movile. Por outro lado, fica muito claro que ninguém sabe muito bem onde tudo isso. Mesmos as grandes empresas, de sucesso, nos EUA, ainda estão “experimentando”. Quem bom. ;-)
Assista ao vídeo resumo da conversa:
Que ESPN: Há 10 anos deixamos de ser uma empresa de televisão.
NYTimes tb não quer ser empresa de midia
Nossa missao é servir fãs onde eles quiserem, não so TV
Compramos direitos de midia (não apenas direito de TV), e queremos transmitir de todas as formas
So a publicidade não vai pagar a conta toda
Estamos experimentando, exemplo ESPN 360
Common theme from speakers at MIXX – focus on the customer, not a single channel with which you reach them
Vamos tentar nos diferenciar pela qualidade, pela marca, pela experiencia.
Disney é uma empresa que atua servindo clientes: midia, parques, etc
Mas é preciso inovar sempre
Distribuicao de conteudo agora é everywhere para Disney e ESPN
Com barreiras de entrada diminuindo, marcas são cada vez mais importantes.
ESPN é pioneiro em mobile.
99% dos esportes são vistos ao vivo
É um dos únicos programas que precisam ser vistos ao vivo, ainda é um espaço para publicidade.
Mas também é uma oportunidade para mobile.
Patrocinar a barra inferior da tela do video, com sua marca e informações de esportes é muito bom para quem anuncia. Temos como provar isso.
Clientes vem pagando menos por online do que analogico.
Diz não se preocupar. O foco é qualidade, experiência do usuário.

Elisa Steele, CMO do Yahoo!, foi uma das palestrantes mais criticadas do Mixx 2009 NY. Ela fez muito jabá da empresa e entregou pouco conteúdo. Teve a ousadia de repetir um vídeo institucional, não se contentando em passar uma vez.
Um dos brasileiros participantes do evento disse, ao assistir o vídeo: se trocasse o logo caberia várias empresas nesse vídeo, sem personalidade. Outro também brincou: a especialidade atual do Yahoo! é cometer erros estratégicos. Enfim, o Yahoo!, ao contrário da Apple e do Google, não é mais uma queridinha do público e da mídia. Parece que todo mundo (até eu, um pouco, tenho que confessar) olha torto quando eles anunciam algo novo.

Vou tentar sumarizar aqui, o que achei de interessante da apresentaçao dela:
- Há um grande gap entre o que as pessoas esperam da publicidade online e o que entregamos.
- O potencial de investimento na web é muito maior do que é realmente gasto.
- Foco no consumidor, mas não preste atenção apenas em dados demográficos (olhe comportamento).
- Falta simplicidade na internet.
- Vão lançar a possibilidade de você usar o GMail dentro do Yahoo!, mostrando o foco no cliente, no conteúdo e não mais na tecnologia.
- Idosos é um dos grupos que mais cresce na web.
- As telas estão se expandindo na nossa vida, são cada vez mais numerosas e de tamanhos diferentes (mega televisões e pequenos celulares, interligados).
- Não há online e offline, há a vida. É assim que as pessoas usam a web.
- Você quer encontrar seu mundo: amigos, interesses, notícias, coisas locais. Ela chamou isso de “My world”.
- E chamou “the world” as outras coisas. Disse que o Yahoo! está tentando juntar “meu mundo”, com “o mundo”.
- Yahoo !perdeu o charme, mas parece estar fazendo coisas legais.
- O anúncio pode virar um presente para o usuário, se for uma informação relevante, se for útil.
- Yahoo! está se centralizando em torno do usuário e do anunciante. Não são mais empresa de tecnologia, mas com foco no cliente, no conteúdo, no anunciante. Não sei se isso vai funcionar.
- O novo conceito central do Yahoo! é It’s all about you!

Não sei se isso vai dar certo. Tenho minhas dúvidas. Lições que tirei dessa apresentação:
- não abuse do jabá, pode te atrapalhar muito
- não adianta fazer coisas bacanas, se todos já acham, antecipadamente, que você não é mais bacana, cool
Uma das coisas que ela apresentou e que conheço pouco, é o uso de personas. Me pareceu uma maneira interessante de entender os diferentes tipos de clientes que você atende e criar ofertas para cada um desses grupos. Acho que é uma das cosas que vou procurar melhorar daqui em diante, colocando em prática.
Assista ao vídeo que a IAB colocou sobre a palestra, resumido:
Se você quiser ver todos os vídeos oficiais do evento, acesse o canal do IAB no youtube.

Bob Greenberg e Nick Law, da R/GA, fizeram uma palestra em forma de entrevista no Mixx, em NY, dia22-09-09. O entrevistador era Randall Rothenberg, da IAB. A conversa foi uma das melhores do evento. A R/GA desenvolve alguns dos trabalhos mais interessantes de marketing hoje, como o Nike+.
Disseram que a R/GA fala que faz de tudo, é uma agência, mas também cria produtos. O tema da entrevista era “agência digital tradicional”, que eles definiram como uma agência que faz sites para empresas.
Outro conceito apresentado por Bob, que achei interessante foi o de plataforma e campanha. O Nike+ é uma plataforma, não uma campanha. Já a corrida Human Race é uma campanha. O objetivo de uma plataforma é entrar no modo de vida do cliente. Uma campanha é conseguir atenção, ganhar alguma coisa. Mais pontual. Plataformas requerem interação entre empresa e cliente.
Falaram em ser o curador de um time de pessoas, para se fazer uma ação digital. Como integrar quem escreve, desenha e programa? É preciso ser muito bom em liderança e colaboração entre os mais diversos membros do time. Greenberg disse: no passado, diretor de arte e redator eram o time criativo. Hoje esse time é muito maior (tecnologia, dados, análise, etc).
Citou os “unboxing vídeos”, um fenômeno entre geeks (nerds). Há muitos vídeos demonstrativos no youtube ensinando como usar determinado produto.
No final disseram, a discussão daqui em diante não vai ser sobre TV, print ou digital. Vai ser sobre China, Russia, etc. Achei interessante.
Dois cases apresentados:
- Criaram uma campanha, envolvendo mídia online e offline muito legal, com informações para adolescentes não deixarem seus namorados/as divulgarem fotos íntimas na web. Criaram um site www.thatsnotcool.com com informações, depoimentos, vídeos e fóruns. Deu muito certo. Conseguiram chegar nos adolescentes, mostrando um tema tabu e importante.
- Outra campanha legal apresentada foi “Dear Mr. President”, para a Pepsi, que colocou a Pepsi mais conectada ao público jovem, altamente conectado e mais engajado na política. Veja o site e vídeos em www.refresheverything.com.
Bob Greenberg acha que propagandas apenas com metáforas puras não vão funcionar mais. Comparou, dizendo que o anúncio do iPhone é uma demonstração. A propaganda Mac x PC é demonstração e metáfora. A mídia mudou, agora é interativa. Na internet, você quer saber sobre o produto.
Veja o vídeo resumo, disponibilizado pela IAB, abaixo:
Como criar uma plataforma para sua marca pode ser uma boa pergunta para refletir sobre sua empresa, sobre seu negócio, sua marca. Foi minha lição de casa da palestra (ainda não tenho a resposta rs..).
No site deles, tem um material muito interessante sobre a agência. Coloquei no slideshare e você pode ver abaixo.
O Marcelo Tripoli, da iThink, que também esteve no evento, postou o vídeo completo da apresentação.

David Moore, fundador da 24/7 Real Media e chairman do IAB abriu o segundo dia do Mixx 09 em NY. Foi uma fala política, mas gostei. O grande destaque foi ver ele contando sobre o trabalho que o IAB faz de formação, e crescimento do mercado de publicidade interativo. Acredito que esse deve ser o principal foco de toda entidade que representa um determinado setor.
Nessa linha de levar informação, favorecendo o crescimento do setor, Moore contou sobre o trabalho de auto-regulamentação capitaneado pelo IAB e a produção de manuias de boas práticas. Eles também desenvolvem estudos para comprovar o tamanho do mercado. O último provou que o negócio internet contribui com US$300 bilhões para economia dos EUA. O PDF da apresentação resumo está aqui.
A IAB criou um projeto de pequenos filmes que se chama http://iamthelongtail.com/. A imagem que ilustra esse post é a home desse site.
A IAB produz materiais para construir o mercado de publicidade na internet. No Brasil, o UOL fez algo parecido recentemente, com muito sucesso (o material se tornou viral, muita gente divulgando – inclusive eu).
A IAB tem programas de treinamentos para certificar profissionais no setor. Moore disse que a entidade tem uma guerra contra a discrepância. Para isso, atua em três áreas: 1- mensuração, standards epesquisa quantitativa, 2- melhoria de processos e 3- integração de sistemas (muitas vezes de empresas concorrentes, pelo que entendi).
Em 2010, vão patrocinar um estudo com o título Building brands online, explicando como construir marcas online. Um tema que muito me interessa e que pode ajudar muito quem trabalha com internet e com marketing. Fiquei muito interessado. Vão lançar também um material sobre como proteger sua privacidade online.
Pelo discurso do David Moore, me pareceu que a IAB é muito dedicada a difundir melhores práticas, standards e padrões, visando a construção/ampliação do mercado. Terminou dizendo que em 2015, a publicidade interativa terá a maior fatia do mercado publicitário total, nos EUA.
Essa pequena palestra, que tinha tudo para ser muito mais uma propaganda da IAB (e foi), me atraiu, pois foi um bom resumo, na minha opinião, do que uma entidade precisa trabalhar, quando pretende defender e representar um setor novo, com muito potencial e que precisa crescer.

Marcello Serpa foi o terceiro palestrante-entrevistado do curso Grandes Publicitários na Casa do Saber. Me pareceu o mais “artista” entre Alexandre Gama e Nizan Guanaes. Disse ser “um eterno garoto de 7 anos, segurando uma antena”, que capta tendências, entende o que está no ar.
Minhas anotações, comentários e frases do Marcello Serpa
- Aos 15 anos, sentiu necessidade de viajar e foi para Europa.
- Procurou fazer arte aplicada. Começou designer, terminou publicitário.
- É incrível como as relações entre esses “grandes publicitários” parece ser estremecida, como que enormes egos sempre se chocando. Fiquei com essa impressão na palestra dele, quando fala de outros profissionais.
- “Diretor de arte era chamado de decorador de anúncio (DA)”, sobre como sua função era criticada por redatores.
- “Sempre tive ídolos, em cada fase da vida”. Depois, com tempo, deixou de ter ídolos. Disse que a relação ficou mais humana, mais próxima, mais de igual para igual. Achei interessante e correto.
- O mercado de publicitário está em SP. Nizan comentou a mesma coisa, de outra forma. Não adianta querer ter uma agência nacional com sede no Rio ou em Salvador.
- “Liderança não é título, se exerce pelo exemplo e com empatia”. Quer levar seus liderados “a um lugar melhor”, ou seja, quer ajudá-los a ir mais longe. O Petit (da DPZ) fazia isso e tenta fazer isso sempre, com todos que trabalham com ele. “Já fui líder sem ter cargo”.
- “Sucesso é reconhecimento”. Mas é preciso ter cuidado com o ego, que “pode ficar gordo, e o colesterol do ego faz mal”.
- De uma maneira humilde até falou da sorte e do acaso. Chegou onde chegou também com a ajuda do destino. “Talento existe sim, mas um talento específico”. E ele também acredita na intuição.
- “Não sou piloto de avião”, sobre poder errar na publicidade. “O máximo que vai acontecer é perder a conta do cliente”, não é o fim do mundo. Deve ser difícil praticar isso na vida real. E deve ser mais difícil ainda assumir os erros, numa profissão de tanta imagem, e egos “com colesterol”. :-)
- “Talento em publicidade é associar coisas diferentes, que combinam quando juntas. É a síntese. É ver o óbvio.” Gostei muito dessa explicação. Simples.
- “Só aprendi a ter sócios depois dos 35 anos”. “Não sou empresário”. Não quero ter chefe.
- “É preciso acreditar na felicidade. A vida tem que ser gostosa”.
- “Nenhuma sociedade que aboliu Deus sobreviveu”.
- Fazer “propaganda é vender”.
O que mais gostei
Para fazer uma boa campanha é preciso apenas responder duas perguntas:
- Defina o problema do cliente. Onde você precisa chegar? Qual o posicionamento, qual a mensagem? Há uma única resposta para isso.
- O que precisa ser dito é relevante, convence?
“Toda ideia boa cabe em uma frase”, sobre simplicidade e como fazer um teste matador para saber se você está no caminho certo.
É preciso simplificar, resumir seu conceito, seu produto em apenas uma frase, que explica, vende e convence o cliente. Antes de se procurar fazer uma campanha, é preciso responder as duas perguntas chave: 1-qual o desafio? e 2-alcançando esse desafio, você conseguiu vender o produto?
Gostei muito disso, pois acredito que esse exercício bem feito: resumo, problema e checagem da solução, pode aumentar incrivelmente o resultado de um trabalho de marketing. Tenho a impressão de que é muito comum campanhas e estratégias que não levam esses simples conceitos em conta.
Esses dois tópicos acima (2 perguntas, e ideia numa frase) valeram a noite. Uma ótima reflexão sobre todos os materiais promocionais que fazemos. Fiquei pensando no que produzo e no que consumo, e me dei conta, que muitas vezes não se consegue atender a esses dois critérios tão básicos: entender o problema, e resolve-lo, de forma simples.
Se você gostou, leia os outros posts, da série Grandes Publicitários.
Veja também uma imagem que achei no site da agência dele, que gostei.


No segundo dia do MIXX 09, evento da IAB em Nova Iorque, a grande atração da manhã foi Chris Anderson, autor dos aclamados Long Tail e Free, entrevistado pelo jornalista Charlie Rose, considerado o melhor entrevistador dos EUA. O tema da conversa foi o livro Free e como as empresas de mídia vão se adaptar a esse novo modelo. Chris fez um resumo bacana do seu livro, dando alguns destaques interessantes.
Produzir e distribuir conteúdo pela internet se democratizou. Custa muito pouco e esta cada vez mais barato. Os precos caem 50% ao ano. Nao há mais monopólio das grandes empresas de mídia. Como os empregadores de Chris e Charlie :-) A facilidade de produzir e disponibilizar, leva a um grande inventário de mídia a ser vendido. Oferta cresce mais que demanda, preco cai.
O desafio da mídia hoje não é mais construir uma grande base de usuários, ou eyeballs como os gringos adoram repetir. O problema agora é outro, como fazer para ganhar dinheiro se grande parte do seu conteúdo é de graça. Segundo Anderson, o desafio agora é criar novos produtos, novos serviços que serão a parte premium do seu produto, usando o modelo de negocio freemium (free + premium).
Nao há receita de bolo e parece que ninguém sabe a resposta ainda. Mas todo mundo está procurando a sua. As pistas sao serviços, conteúdo extra, formato diferenciado, souvenirs, entre outros.
Chris Anderson citou dois exemplos. O primeiro foi o grupo de comédia Monty Python, que cansado de ver seus vídeos pirateados no youtube, resolveram eles mesmos criar um canal exclusivo do grupo, com tudo de graça. E venderam muito, muito mais DVDs com isso. O outro exemplo é o proprio livro Free. Teve versão grátis (por apenas uma semana) no Kindle, outra grátis para leitura online, audiobooks grátis. E mesmo tendo muitas versões grátis virou bestseller da versão paga (impresso). É provavel que as versões grátis ajudaram a vender mais a versão paga, pois gerou atenção, buzz. Eu mesmo tenho duas versões grátis (kindle e audiobook), mas não tenho a paga.
Chris falou muito: atenção hoje vale dinheiro, pois é escassa.
No final, falou de um tema que não conhecia e fez sentido, despertou o interesse. Disse que o “small” é cada vez mais importante. Mesmos as grandes empresas, com presença global, estão pensando em como construir negócios com foco no local, em pequenas comunidades, pequenos grupos de pessoas. Um bom dever de casa, para quando voltar ao Brasil.
O modelo freemium pode não estar definido como será na prática para as empresas de mídia, mas Chris Anderson já descobriu o dele. Escreve livros sobre o grátis e vende palestras caras para explicar o conceito ;-)
Escrevi esse post para o Blue Bus, e foi publicado resumido no mesmo dia do evento, há duas semanas.
Um debate, que consegui pegar apenas a parte final, foi sobre o futuro do vídeo online. Três comentários interessantes, que anotei, foi que vídeo é parecido com musica. Se houver disponibilidade, conveniência, qualidade e segurança, há público disposto a pagar por isso. O iTunes é um exemplo de que muita gente prefere pagar a correr o risco de pegar vírus, ter baixa qualidade, etc.
Outro ponto que me chamou a atenção foi um comentário sobre modelo de negócios. Muita gente acredita que as formas de monetização serão muitas. Venda de assinatura, venda de conteúdo extra, publicidade, etc. E por fim, alguém da mesa falou que o consumidor segue o conteúdo.
E o vídeo e cada vez mais um conteúdo que as pessoas querem consumir, que causa impacto. Se isso e verdade, vídeo na internet veio para ficar, e o modelo de negócios vai surgir, mesmo que nenhum desses atuais.
E completou, “minha dúvida é apenas em relação ao curto-médio prazo, pois vídeo online veio para ficar”.
Fui comprar minha câmera ;-)
Um dos panelistas fez uma apresentação, que disponibilizou para download (exceção no evento). Coloquei no slideshare e você pode ver abaixo. É interessante notar que os números podem levar a conclusões erradas. Há muita gente assistindo vídeos online, mas o tempo gasto na frente da TV é ainda muito, muito superior.
Vale a pena assistir abaixo.
Outra palestra bacana do evento foi o estudo de caso apresentado por Adam Turinas, da agência Organic e Jennifer McDonald, executivo de marketing digital do Bank of America. Eles mostraram como estão usando o twitter para se aproximar dos clientes, ganhar uma cara mais humana, diminuir os problemas. Falaram e mostraram alguns conceitos aplicados interessantes.
É normal que uma grande empresa tenha alguns clientes frustrados. E eles já estão falando (mal) da empresa por aí. Por existir o twitter, agora alguns expressam sua insatisfação lá. O twitter não criou essa situação, apenas tornou mais visível e transparente. Eles falaram que defendem internamente o uso do twitter como uma ferramenta de interação com os clientes como qualquer outra forma ou ferramenta de atendimento.
Mostraram casos em que a atuação pró-ativa da empresa conseguiu reverter casos bem negativos. Um exemplo foi um post com um titulo mais ou menos “BofA talvez não seja tão ruim assim”.
Um detalhe que me chamou a atenção e que o twitter @BofA_help não tem o logo do banco como imagem do perfil, mas uma foto da pessoa que opera essa conta. Não tinha visto isso acontecer ainda, não sei se mudei minha opinião, mas foi um pequeno detalhe que me fez pensar mais. Se você vai ao banco e interage com uma pessoa especificamente, poderia ser assim também no twitter. É provável que de uma impressão mais humana, mais próxima. Um detalhe que pode causar um impacto positivo, mesmo que passe despercebido.
No final, contaram que estão começando a divulgar mais a conta de atendimento ao cliente no twitter, pois vem tendo bons resultados. Ainda nesse painel, sobre mídias sociais, outra apresentação resumiu seus desafios em autenticidade, transparência, relevância e engajamento.

Tim Armstrong já trabalhou no Google, antes de ir para a AOL, uma empresa com um grande desafio pela frente. Já foi uma das empresas mais importantes do mundo na internet e hoje está meio que esquecida, de lado. Tim deu muito destaque para o conteúdo. Falou que a empresa é focada nisso, e tem aí seu principal diferencial competitivo.
Iniciou a palestra mostrando alguns números e pedindo para a plateia adivinhar o que cada um significava. O primeiro era o número 1560. Alguém disse da plateia: é o numero de jornalistas da AOL? Ele respondeu que não, eram 3.000 no total. 1560 era o número de lojas fechadas da Blockbuster. E mostrou um outro lado. Ao mesmo tempo que mostra os problemas, dificuldades da Blockbuster, mostra uma série de oportunidades para a Netflix e até para a AOL.
Se tem menos gente alugando filmes em lojas físicas, pode ter mais gente consumindo entretenimento de outras formas, seja alugando um DVD pela internet, ou consumindo vídeos pela internet. Ele tem razão, enquanto uns choram, outros vendem lenços.
Também fez questão de mostrar a força do twitter e como ele pode ajudar uma série de outros produtos, como séries de TV. Com o twitter ficou mais fácil segmentar muito a informação que chega a cada um.
Ainda sobre conteúdo, a visão do Tim e colocar o conteúdo certo para o consumidor certo com a publicidade certa. A fragmentação é nossa amiga, disse. As áreas de atuação da AOL atualmente são conteúdo próprio, venda publicidade em rede de sites parceiros, sites regionais/locais, comunicação e mensagem (a AOL é dona do ICQ e de um messenger próprio) e AOL Ventures, uma espécie de fundo de investimentos em novos negócios.
De tudo isso, o que mais me chamou a atenção foi o último. Mostra que eles perceberam que dificilmente uma grande empresa vai conseguir criar negócios altamente inovadores dentro de casa, por isso apostam em ter uma série de investimentos em startups, podendo lucrar muito com isso. O novo Google ou o novo twitter não vai surgir dentro da AOL, mas pode surgir dentro de uma startup financiada pela AOL.
Perguntaram o que ele aprendeu nos tempos de Google, que aplicava na AOL e também o que não servia no novo posto. Respondeu que aprendeu com o Google que a tecnologia pode ajudar muito. Falou que o Google é muito bom em conectar os “tubos subterrâneos”, ou seja, faz funcionar o que ninguém vê, mas que faz toda a diferença. O que não aplica na AOL é o pouco foco em conteúdo dado pelo Google, que quer integrar, mas não produzir conteúdo.
Achei a palestra interessante, mas é difícil imaginar que a empresa terá um futuro brilhante pela frente. Me parece que muito dificilmente ocupará o local de destaque que já teve, no “início” da internet.
Jeff Benjamin, vice presidente e diretor de criação interativa da Crispin Porter + Bogusky também fez uma mini-palestra de 5 minutos. Disse uma coisa bacana e humilde.
Ele não acha que ele mesmo vai fazer essa revolução criativa, mas a molecada que está começando a trabalhar agora, que tem uma vida muito mais digital. Uma geração onde o digital é onipresente.
Lucas Watson, Global Team Leader de Estratégia de Negócios Digitais da Procter & Gamble, no #Mixx 09

Lucas Watson começou a palestra falando de dois campos de golf dos EUA, um feito pelo Donald Trump, em que se construiu tudo do zero. Um outro campo totalmente feito pelo homem. O outro, um campo de golf muito simples no estado de Nebraska, onde pouca coisa foi feita. Um campo de golf com pouca interferência do homem. E esse mais simples e mais barato, é mais admirado. Ele usou essa comparação para falar de ações digitais.
As vezes, fazemos uma grande obra, se mexe em muita terra, mas alguém faz muito menos esforço e tem mais resultados.
Ele mostrou alguns conceitos bacanas.
Você precisa de um ideal e de uma ideia. Mostrou um video simples, de bebes dormindo com uma musica calma, usado para vender Pampers.
Ou então você pode ter uma ideia muito boa, que e colocada em prática de forma fácil. Mostrou o caso de um banner da batata frita Pringles, que era uma brincadeira, com frases engraçadas, que iam mudando a cada clique do internauta.
Eram 128 telas com pequenas frases diferentes em cada um, com o mesmo fundo, layout, etc. Disse que a maioria das pessoas clicava atá o final. Isso mesmo, 128 cliques! A parte que ele mostrou na palestra era realmente bem engraçada, arrancou risadas da plateia. Simplicidade é o verdadeiro brilho criativo, disse. “Use o campo que você tem”, lembrando da comparação inicial entre campos de golf.
A criatividade pode vir de qualquer lugar. Lucas mostrou outro exemplo de crowdsourcing, onde o design de uma campanha do perfume da Hugo Boss foi feita por um tailandês de 18 anos, sem formação em design ou publicidade. O engraçado é que era a marca de perfume que eu uso.
Outro trocadilho que ele fez e que o dinheiro não pode comprar felicidade. E tambem não consegue comprar (sozinho) criatividade.
Ao final, contou o que a P&G vem fazendo para aumentar sua criatividade. Estão aumentando importância do digital, simplificando o briefing creativo, medindo e aprendendo o tempo inteiro, premiando a colaboração entre agências que os atendem e por fim, estimulando experimentos e a inovação.








