Resenha do livro The Habit Factor, de Martin Grunburg

“Nós somos o que fazemos repetidamente. Excelência não é um ato, mas um hábito”, Aristóteles.

Comecei minha audaciosa (impossível) meta de ler um livro por semana em 2011, no sábado passado, dia 08/01. Para começar estou atrasado uma semana no meu plano, mas o foco aqui é entregar aos poucos, sempre. Não sei como cheguei nesse livro, mas acho que foi uma recomendação via twitter do Chip Conley, autor do excelente livro Peak.

The Habit Factor (ou O fator hábito) é um livro curto sobre produtividade, que gostei muito. A ideia central do livro é a forte relação entre atingir metas e desenvolver hábitos, que viabilizam essas metas. Geralmente, os especialistas em gestão do tempo não fazem essa associação, que fez muito sentido para mim.

Leia mais

Clube do livro – lendo e comentando em conjunto

Depois que escrevi no twitter e facebook que estou decidido a ler um livro por semana, alguns amigos comentaram que seria legal montar um clube do livro, uma maneira bem simples de comentar, discutir e trocar ideias oriundas da leitura de livros interessantes. Eu gostei da ideia, e acho que podemos fazer isso uma vez por mês.

Acredito que a melhor (ou mais simples) forma de fazer isso é criar um google groups com as pessoas interessadas. E escolher os livros.

Leia mais

Breve resenha do livro The Art of Non-Conformity

Li essa semana um livro novo, curto e muito interessante. Li 80% no kindle para iPhone e 20% no iPad, brinquedinho novo que chegou no domingo, por um amigo que foi aos EUA. O livro é bem bacana, segue a linha do blog do Chris Guillebeau.

Leia mais

Relendo sobre o Kindle e seus impactos no negócio livro

Nook, da B&N, para você não pensar que o Kindle da Amazon está sozinho nesse mercado

Tenho visto muitas matérias sobre o Kindle, com opiniões sobre o aparelho e o futuro do livro, em especial sobre o futuro do negócio livro. Eu acredito que muita gente ainda não entendeu, ou não quer entender. Por outro lado, já tem gente se adaptando, se preparando para o futuro.

Um breve background sobre mim, que pode te ajudar a entender meu ponto de vista:

  • sou aficionado por livros, em especial de negócios
  • eu adoro ler, estudar, aprender – temas de meu interesse
  • gosto muito de tecnologia, em especial de gadgets, como iPhone, laptop, máquina fotográfica digital, e claro, Kindle :-)
  • trabalho com informação (no agronegócio), usando internet
  • acredito muito no potencial da internet, de levar informação ultra segmentada de forma instântanea

O que gosto no Kindle (e de outros leitores de ebooks):

  • tem muitas das vantagens de um livro: fácil de carregar, leitura confortável para os olhos, confortável para ler na cama, no sofá
  • tem muitas das vantagens da internet: acesso imediato a informação, sem custo de frete, sem risco do produto esgotar
  • está tornando muito mais fácil, rápido e barato editar um livro
  • está tornando mais fácil para novos autores difundir seu trabalho (e até ganhar dinheiro com isso)

O que ele pode mudar no negócio livro

  • a agregação de valor das editoras vai mudar, pois toda a logística de impressão e distribuição deixa de existir
  • a barreira de entrada para novas editoras diminui muito
  • a possibilidade de autores editarem seus livros independentemente, sem uma editora
  • maior facilidade para editoras ultra segmentadas surgirem (e darem certo)

O que se pode esperar de mudanças no Kindle (e outros leitores de ebook):

  • a concorrência vai aumentar, com novos modelos, com novidades, com preços mais baixos
  • hoje o Kindle é muito “travado”, com DRM nos livros, isso deve mudar rapidamente
  • a possibilidade de se emprestar um livro eletrônico, como já acontece com o Nook, da Barnes&Noble, vai se tornar mais comum
  • editoras vão lançar seus livros em vários formatos, como a O’Reilly Media já faz (na minha opinião a editora que melhor entendeu esse fenômeno), para Kindle, iPhone, PC e outros
  • os livros vão baixar de preço, inclusive com versões gratuitas (por tempo limitado, em versões limitadas, etc) como o Chris Anderson fez com seu livro Free, com sucesso
  • a rentabilidade das editoras tende a ser mais apertada, em especial das que se negarem a enxergar a situação atual
  • lançar o ebook antes pode ser uma estratégia de muito sucesso, mais rápido e barato, dependendo do sucesso, se imprime com uma tiragem maior ou menor

Sobre pirataria, me lembro de uma frase do Tim O’Reilly que disse algo do gênero: há uma coisa pior que pirataria, é o desconhecimento. Ele defende que os autores e editores (ele é provavelmente o editor mais famoso de livros de tecnologia nos EUA) entendam a pirataria como uma taxa/imposto progressiva. Você vai ter pirataria proporcional ao seu sucesso. Em outros casos, a pirataria pode até ajudar a divulgar seu produto. Ele é o editor que abraçou a ideia do livro como produto digital, por exemplo, lançou a cerca de 10 anos um serviço de assinatura mensal que te dá acesso a todos os livros da editora dele. Se chama Safari books.

Concorrentes:

  • Outras livrarias vão lançar, como a Barnes&Noble, com seu Nook
  • Empresas de eletrônicos vão lançar, como a Sony que já tem o seu, sem grande sucesso
  • Empresas de mídia vão lançar, nos EUA o Murdoch já falou sobre isso. Quem será o primeiro no Brasil?
  • A Apple pode (deve) lançar um tablet, computador de colo, algo como um iPhone do tamanho de um laptop, que é previsto como um grande concorrente do Kindle
  • Outras empresas, como o Techcrunh, um blog muito famoso que cobre startups nos EUA, que tem até um protótipo há meses, o Crunchpad.

Duas empresas brasileiras que estão lançando livros no formato eletrônico (Kindle inclusive):

Para ir além:

E você, qual sua opinião?

Anotações do livro "A cabeça de Steve Jobs", de Leander Kahney

livro-cabeca-steve-jobs

Ganhei o livro A cabeça de Steve Jobs no Natal e até hoje não tinha lido. Já tinham me falado muito bem dele, até que minha psicóloga me contou que estava lendo e gostando. Fiquei curioso com alguns comentários que ela fez, e comecei dia 07-08.

O livro é muito bom, fácil de ler, e com muitas ideias boas. Talvez tenha muita coisa difícil de aplicar, mas valeu a pena.Só não achei que é um livro de liderança, mas de marketing, em forma de reportagem. Não acho que Steve Jobs seja um bom exemplo de liderança, em especial pelo que o livro conta. É um outlier, com estilo muito característico, que deu muito certo. Acho improvável alguém usar o perfil dele como “manual”.

Uma das coisas legais do livro é um resumo de uma página no final de cada página, chamado de “As lições de Steve”. Te ajuda a recapitular o que acabou de ler. Todo livro de negócios deveria ter isso. Li algumas pessoas criticando esse resumo, porque parecia um guia passo-a-passo. Não vi assim, achei bom por ser um resumo. Eu procuro não copiar o que leio, mas usar como inspiração para pensar melhor e como posso aplicar no meu dia-a-dia.

Minhas anotações sobre as ideias do livro.

steve-jobs

Como Jobs pensa

  • Objetivo de Jobs: criar tecnologia fácil de usar para o público mais amplo possível.
  • Na Pixar ele tentou fazer produtos que durassem mais. O filme Branca de Neve, por exemplo, vende até hoje e tem 60 anos.
  • Menos é mais. Ter poucos produtos é uma grande vantagem, facilita para o usuário, fica mais fácil vender cada um, baixa custos.
  • Quando voltou a Apple, fez um orçamento base zero, cortando tudo que não fosse fundamental.
  • Jobs controlava tudo que podia, mas não se metia no que não sabia fazer, como dirigir filmes, na Pixar.
  • Jobs sempre foi atrás das informações, não tomava decisões apenas com suposições.
  • Concentre-se naquilo que você é bom, delegue o resto.
  • Ao entrar em um outro ramo, ou quando precisava de alguém de fora, começava por cima, indo atrás da melhor pessoa “do mundo” para aquela função ou naquela especialidade. Mesmo que não pudesse pagar e as vezes não conseguisse trazer a pessoa. Interessante, mostra o comprometimento, a busca pela perfeição e o desejo de ter as melhores cabeças. Sempre pensou grande.
  • Fez um concurso de design para conseguir o melhor desenho industrial e contratar uma pessoa especial. Seu objetivo era um design que tornasse o produto Apple “instantaneamente reconhecível”. Funcionou.
  • Lançou um computador com um só modelo, como Ford fez com o Modelo T. Muito arriscado, mas que poderia ser um grande sucesso. Ter linhas de produtos muito enxutas sempre foi uma marca da empresa, que parece ser um dos fatores que mais contribuiu para o sucesso. É uma empresa hoje de US$ 30 bilhões com cerca de 30 produtos. Isso nunca aconteceu antes.
  • Em tudo, até mesmo na hora de comprar uma máquina de lavar roupa, só se contentava com o melhor.
  • Jobs pratica o “pugilismo de ideias”. Debate incansavelmente suas ideias. Você precisa ser bom de lábia e argumentação para convence-lo de alguma coisa. Achei interessante e acho que faço isso muitas vezes.
  • Jobs focou muito nos vídeos digitais, quase perdendo o bonde da música online. As lições: até ele erra. E outra, os erros não te afundam, como disse Alexandre Gama.

Sobre a Apple

  • Por um tempo, a empresa tinha produtos ruins, mas a marca forte sustentou a empresa.
  • A Apple quer ser a empresa para quem pensa diferente. Até o slogan diz isso. É um pouco pretensioso, mas muito forte. E tem funcionado muito bem.
  • Os ativos da empresa eram: equipe muito boa e clientes fãs.
  • Foco em poucos produtos que funcionam, com simplicidade. Usabilidade é chave para a empresa. É óbvio, mas poucas empresas de tecnologia conseguem entender isso hoje.
  • Design, facilidade de uso e boa propaganda – pilares do sucesso da Apple.

Simplicidade

  • Fazer coisas simples pode ser bem complexo, demorado, cansativo.
  • Ao desenvolver produtos de tecnolgia, não ser engenheiro ou ter MBA pode ajudar.
  • Quando chegam ao produto final, falam: “É isso aí. Por que fazer as coisas de outra forma?” Quando algo é simples, parece óbvio. Mas dá um trabalhão chegar nesse “óbvio”.

Como desenvolve produtos

  • Insista em ter opções. Faça vários protótipos. Jobs exigia ter várias opções, para escolher a melhor.
  • Essa é polêmica: Não ouça seus clientes, eles não sabem o que querem.
  • Busque a perfeição em tudo que faz.
  • Ao escolher qual produto desenvolver, não é possível fazer isso em grupo. Uma empresa de sucesso tem que ter uma pessoa que saiba “escolher” qual produto desenvolver. E hoje, muitas empresas são dirigidas por comitês. Não funciona.
  • Todos os produtos da Apple são prototipados, testados e refinados. Gostei muito e troquei três tweets com Eric Ries sobre isso ontem.

Mercado de computadores

  • Cada fase dos computadores tinha um programa que tornava o computador essencial. Já foi a planilha, agora pode ser o editor de imagens e vídeo.
  • Eras de ouro do computador: 1-produtividade (Word, Excel, etc), 2-internet e 3-hub digital, local onde toda sua vida digital se encontra (fotos, vídeos, celular, etc).
  • A Apple não vende para empresas, que é o foco da Microsoft. Não vende PCs como as outras empresas, com foco em custos cada vez mais baixos. Por isso acaba criando um novo mercado, não competindo diretamente com HP, IBM, Dell, etc.

Design

  • Design é função, não forma.
  • A embalagem pode ser tão importante quanto o produto, o “tirar da embalagem” deve ser previsto e estudado.

Luxo

  • Lendo o livro, me lembrei de uma frase do Rogério Fasano que gosto muito: luxo é cuidar dos mínimos detalhes.

Marketing

  • Uma campanha publicitária é um sucesso quando se torna um evento cultural. Surgem paródias, imitações. As pessoas falam sobre essa campanha.
  • As pessoas que são loucas o suficiente para pensar que podem mudar o mundo, são as que mudam o mundo, dizia um dos anúncios da Apple.
  • Anúncios precisam ser inclusivos e envolventes.
  • Fórmula secreta: tecnologia e marketing.
  • Transformou eventos em notícias.
  • Marketing é no final das contas uma peça teatral.
  • As campanhas de marketing da Apple combinam boatos com ações tradicionais, com um sincronismo perfeito, planejado.
  • Crie expectativa em relação a seu produto.
  • A Apple é um show em relações públicas. Investe em publicidade, mas gera milhões em mídia espontânea, pois seus produtos são notícia.

Trabalhando com Jobs e na Apple

  • Não é fácil trabalhar para Jobs. Ele grita, exige muito. É preciso ser um guerreiro e ter uma auto-estima muito boa. Além disso, as pessoas trabalham muito.
  • Para contratar o CEO da PepsiCo, perguntou: “Você quer vender água açucarada pelo resto da vida, ou quer mudar o mundo?”. A Apple era muito, muito menor e menos “estrela” que a Pepsi na época. O cara aceitou. Um insulto, um elogio e um desafio filosófico ao mesmo tempo.
  • Na Pixar, “a arte é um esporte de equipe”. Promovia cursos sobre diversos assuntos, para todos os funcionários, do diretor ao faxineiro. Implantou uma forte cultura de aprendizado, além de ter como regra básica só contratar pessoas “nota 10″.
  • Para manter uma equipe nota 10, sendo exigida ao máximo: aprendizado, diversão, ambiente de trabalho (local) e $$ (stock options).
  • Mais de uma vez no livro, alguém fala que Jobs ligou o “Campo de Distorção da Realidade”, uma forma engraçada de descrever quando Jobs usava toda sua persuasão e charme para conquistar uma pessoa para a empresa. Fez isso com funcionários e parceiros chave, como por exemplo, fazer com que a Microsoft desenvolvesse o Office para Mac.
  • Contrate só nota 10. Demita os idiotas. Só quem é inteligente e psicologicamente forte “sobrevive” na Apple. Jobs se parece com um pai exigente e difícil de agradar.

Senso de missão em tudo que faz

  • Em tudo que faz, há um sentido de missão.
  • Todos na empresa acham que a Apple está mudando o mundo, pelo menos um pouco. A empresa tem um pique incrível. “Noventa horas por semana, e adorando” era o slogan da equipe Mac.

Estilo controverso de liderança

  • Jobs inspira e força as pessoas a performarem muito acima de sua capacidade. Com isso, as pessoas sofrem, se cansam, mas se lembram da experiência como algo muito bom, muito positivo. Ele é intimidador, mas as pessoas o admiram. Ele intimida e seduz, alternadamente, um balanceando o outro.
  • “As pessoas reagem ao medo e não ao amor. Isso não é ensinado no catecismo, mas é verdade.” Richard Nixon
  • Jobs é muito bom no teatro. E muitos líderes famosos faziam isso. O general Patton ensaiava sua “cara de general” no espelho.
  • Saiba brigar é uma das lições que tiro do livro. Quem não briga nunca, perde muita coisa. Ninguém vai te dar o que é seu. É preciso que você vá pegar o que é seu de direito.
  • Dê alguns chutes nos traseiros para que as coisas andem melhor.

Inovação

  • Inovação depende muito mais de equipe, motivação e de quanto você entende do assunto que do seu orçamento. A Apple investe menos em R&D e inova mais.
  • Não fazem “cursinhos” de inovação. Não tentam estruturar a inovação. Não tentam achar as “5 regras” da inovação. A Apple inova de forma mais natural.
  • A inovação que dá mais dinheiro é a inovação de modelo de negócios, e não a de produtos. Por isso o iPod é tão lucrativo. Não é um player de MP3, mas um “ecossistema” com player, iTunes, e loja de música. Tudo interligado.
  • O sistema é que não há sistema. Processos aumentam sua eficiência.
  • Para inovar: saber qual seu mercado alvo, estar aberto a novas ideias, estar atualizado, ser flexível, aprender sempre, centrado no consumidor.

Estratégia

  • Resolva o problema do seu cliente, de forma simples e eficaz. Muitas tecnologias a venda atualmente são soluções a procura de um problema.
  • Interessante que Jobs cita como exemplos de insucesso a subida de Steve Ballmer na Microsoft. Ele é o cara de vendas, que manda na empresa. Com isso diminui a inovação. O foco é “ordenhar” o máximo cada produto. Não há coragem em abandonar produtos atuais e favor de novas promessas. Admiro o Steve Ballmer, mas achei que faz sentido.
  • A meta primária da empresa é fazer ótimos produtos.
  • Nunca tivemos vergonha de roubar grandes ideias. Muito interessante que eles não têm medo de pegar coisas que funcionam, de outras empresas. Não têm a síndrome de evitar tudo que é “not invented here”, que acontece em muitas boas empresas e bons profissionais.
  • Apple não vende mais computadores (hardware). Vende hardware, software e serviços. Tudo num pacote só, amarrado. Vende a solução. Vende experiências digitais e não mais produtos.
  • O foco é o entretenimento digital e não o computador para empresas.
  • É difícil dizer não quando todos dizem sim, mas para a Apple se pagou. Com foco em poucos produtos, conseguiram se dedicar muito a desenvolver cada um. Foi um dos pilares da retomada da empresa.
  • A estratégia atual da Apple é ser o hub da vida digital do consumidor. De forma simples e eficiente. O iMovie multiplica o valor de uma filmadora.
  • Apple pratica o abandono audacioso de produtos.

Criatividade

  • Criatividade é apenas conectar as coisas.
  • Quanto mais experiências diferentes você tem, mais provável que consiga ter boas ideias.
  • Jobs leva sua equipe a museus. Quer sair do quadrado.
  • Criatividade tecnológica e artística são dois lados da mesma moeda.
  • Land, fundador da Polaroid, “Quero que a Polaroid se coloque na interseção da arte e da ciência”.

Lojas Apple

  • Lojas Apple buscaram a inovação na experiência, com foco na compra pelo cliente, não visando otimizar vendas.
  • A loja da Apple é muito sedutora.
  • O serviço faz toda diferença.
  • A loja é uma ótima oportunidade de se ter contato direto com o público.
  • O objetivo é ter a melhor experiência de compra.
  • Ninguém acreditou na estratégia de varejo da Apple. Mas tinham contratado as melhores pessoas do setor e feito um protótipo de loja inteiro dentro de um galpão e estudado a exaustão. Inclusive descobriram que estavam no caminho errado e mudaram de rumo. Não tem medo de sunk costs.
  • No varejo que manda são três coisas: localização, localização e localização.
  • “Como não temos produtos suficientes para encher uma loja desse tamanho, vamos enche-la com a experiência de possuí-los”.
  • A visão que direcionava a estratégia das loja era: enriquecer vidas. Muito ousado, como tudo na Apple.
  • A questão não é ter muitas opções, mas ter as opções certas.
  • A loja não é separada por zonas de produtos, como é comum no setor, mas por zonas de soluções.
  • Criaram um balcão (Genius Bar) para suporte, usando o conceito de balcão de hotel, onde você chega e resolve seu problema rápido. Essa ideia veio de um grupo de foco.
  • Os vendedores não recebem comissão. O objetivo é não forçar vendas, que geram resultados no curto prazo. Querem que a venda seja o primeiro passo de uma relação e não o último. Criaram cargos diferenciados, para dar status para os melhores vendedores. O mais top é o Mac Genius. Como diz Bob Fifer, cargos são baratos. A rotatividade é de 20%, quando o normal é de 50%.
  • A loja quer ser high touch e não apenas high tech. O foco é o ser humano.

Música online

  • iTunes domina 80% do mercado de música online.

iPod e seu ecossistema

  • O iPod não foi “inventado” do nada. Era um Nomad Jukebox com todas as falhas corrigidas e outras melhorias. Além, é claro, da loja online e do iTunes para o computador. Muitas coisas do iPod foram copiadas de outros produtos, de diversas fontes, como o HotSync do Palm. Foi uma junção de muitas ideias boas, em um pacote só. Essa é das coisas que mais me anima, quando alguém cria algo genial, só juntando peças soltas.
  • iPod é o meu casulo. Interessante, onde você pode se refugiar, na sua música, nas suas escolhas. Se desligar da bagunça do mundo, do dia-a-dia.
  • O iPhone só teve todo esse sucesso pois já existia todo o ecossistema do iPod (iTunes, loja online, etc).
  • iPod é uma isca para usuários Windows.
  • Computador é estilo de vida e não apenas trabalho. Estou tentando :-)

Sistema fechado

  • Ter um sistema fechado tem muitas vantagens, como menos vírus, menos incompatibilidades, etc.

De onde vem tanto sucesso?

  • Uma combinação especial de tecnologia, talento, negócios, marketing e sorte.

O que tirei do livro, o que aprendi e quero aplicar na vida e nos negócios:

  • Acredite em você, seja até um pouco teimoso.
  • Não tente ser bonzinho, tente ser você, na sua magnitude.
  • Foque o cliente, foque a simplicidade. Resolva problemas.
  • Design e experiência do usuário é mais importante que tecnologia pura.
  • Equipe nota 10 e clientes fiéis é dificílimo copiar e conquistar.
  • Todo mundo erra, até mesmo o Steve Jobs. Não tenha medo de errar, mas busque sempre corrigir rápido e aprender o que puder com cada queda.

Minha relação com a Apple

Ganhei um iPhone 2G ano passado, que gosto muito (apesar da tela hoje toda quebrada por uma queda sem case). Aprendi muita coisa com ele – usabilidade, simplicidade, etc. É totalmente diferente de qualquer celular que já tive.

Esse ano comprei um iPod nano nos EUA para usar o Nike+. Outra aula de design, simplicidade e usabilidade.

Nessa mesma viagem aos EUA fui de novo a uma Apple Store. É uma experiência incrível. Você pode experimentar, degustar os produtos realmente. Mexa em fotos, edite vídeos (esse ainda quero aprender bem) e veja seus emails. Ninguém vem te incomodar, empurrar nada. Você pergunta alguma coisa, os caras te explicam com a maior boa vontade.

Agora em setembro vou aos EUA de novo e quero comprar um notebook top de linha da Apple. Ler esse livro aumentou minha vontade de comprar, em especial pela questão dos vídeos que quero aprender a fazer muito bem rápido.

Por outro lado, começam a aparecer pessoas que eram fãs e agora estão fazendo campanha contra, como o Jason Calacanis. Ele tem pontos muito bons, que fazem ainda mais sentido ao ler esse livro.

Talvez essa busca por controle (excessivo) traga problemas para a Apple logo logo. Novas empresas entram no mercado, cada vez mais entendendo o consumidor. O Techcrunch, por exemplo, vai lançar um tablet, que promete ser mais barato, open source e excelente. Usabilidade, funcionalidade, sistema aberto e preço baixo. Um novo tipo de concorrente, que vai incomodar. Esse tipo de concorrente (não convencional) é que vai aparecer cada vez mais.

Veja também dois posts sobre o livro, do Julio Daio Borges, do Cris Dias e do Tiago Doria. Veja também o site oficial do livro, edição brasileira.

Escrito em Trancoso, BA, de férias. :-)

Para contratar o CEO da PepsiCo, perguntou: “Você quer vender água açucarada pelo resto da vida, ou quer mudar o mundo?”. A Apple era muito, muito menor e menos “estrela” que a Pepsi na época. O cara aceitou. Um insulto, um elogio e um desafio filosófico ao mesmo tempo.

Will Smith fala sobre vida e sucesso: correr e ler

O ator Will Smith fala nesse vídeo do youtube sobre as chaves para o sucesso na vida. Correr e ler. O vídeo é curto, e em ritmo de rap, quando ele apresentou em conferência para crianças (ele está com um brinde da Nickeledon nas mãos).

  • Correr porque te dá resistência e resiliência. Você tem que se superar. É você contra você mesmo.
  • Ler porque te dá acesso a um enorme conhecimento acumulado pela humanidade, há milhares e milhares de anos.

Muito bom a forma resumida que revisei duas coisas que considero agradáveis e muito produtivas.

Foi engraçado achar um vídeo desses que fala tão bem de duas coisas que gosto tanto de fazer na vida. E que acho que me agregam muito, como pessoa.

Resiliência e conhecimento são duas das habilidades e competências chaves que considero para o sucesso de qualquer coisa na vida. Nos negócios, nos esportes, no dia-a-dia.

A dica foi do Ben Casnocha.

Juliano Spyer lança livro "Para entender a internet" #paraentender

 

livro-para-entender-internet-capa

Juliano Spyer organizou um livro muito bacana sobre internet com o sugestivo título “Para entender a internet”. E ele o fez da maneira mais internet possível. Convidou dezenas de pessoas para escreverem cada um um capítulo e postou tudo na web, em um blog.

Agora todo mundo pode comentar, participar, interagir, e quem sabe depois eles lançam uma segunda versão, impressa, já melhorada, incluindo os pontos que todos que leram e comentaram, que podem ajudar a tornar o livro ainda melhor.

O livro pode ser baixado aqui, gratuitamente.

É uma iniciativa ainda mais ousada e bacana que a já interessante ideia de fazer um beta teste do seu livro, pelo Ricardo Cavallini.

Para saber mais, acesse o blog do livro e do Juliano Spyer.

Gostei muito e vou ler o livro o mais rápido possível. Uma das coisas legais que o @jasper (esse é o nome do Juliano no Twitter) disse quando anunciou o lançamento foi que lançar esse livro mostrou para ele como é fácil e rápido fazer coisas bacanas pela internet hoje, com qualidade.

Inspirador. Aproveite essa ideia a sua (melhor) maneira.

Amazon lança Kindle 2, mas com poucas novidades

kindle2-1

A Amazon lançou hoje nos EUA a versão 2 do Kindle, o leitor de e-books mais famoso do mundo. O produto parece ser bem melhor do que o primeiro.

As principais mudanças (são melhorias incrementais, nada revolucionário):

  • muito mais fino
  • mais leve
  • mais nítido
  • bateria dura mais
  • usa tecnologia 3G (download mais rápidos)
  • tem mais memória
  • botões “próxima página” e similares muito menores, o que melhora muito o manuseio do aparelho (essa para mim é a melhor mudança no design)
  • parece haver uma funcionalidade onde o aparelho “lê” o livro para você (se for uma voz de máquina falante, é difícil aturar rs…)

O que realmente faltou:

  • o grande salto do Kindle será quando ele permitir que você interaja com outros leitores e quem sabe até com os autores do livro. A coisa mais legal de um livro, depois de lê-lo, é conversar sobre ele com amigos. Se o Kindle facilitasse isso, seria uma coisa incrível, um segundo salto na revolução que a Amazon está fazendo no hábito milenar de ler.

Aproveite e veja as fotos.

kindle2

scaledimg_7208

O que outras empresas estão fazendo

Outras empresas estão procurando reagir, além do óbvio e irrelevante rival da Sony. O Google está lançando um versão do Google Books para celulares e editora Penguim uma versão online (Penguim 2.0) onde os leitores podem interagir sobre os livros que lêem.

Imagino que esse novo Kindle vai aumentar muito a vontade de quem não tem, de ter um. Até porque agora há um jeito simples de comprar os livros do Brasil. Mas acho que muito pouca gente vai trocar o primeiro pelo segundo (como eu).

Hoje recebi um email da Amazon me oferecendo o novo Kindle, como um privilégio por eu já ter um. Achei que forçaram um pouco a barra. Outro exagero foi a carta na home da Amazon. Quando lançaram o primeiro, a carta era incrível, contava uma história. Essa de hoje não passa de uma lista de atributos.

Minha entrevista sobre o Kindle da Amazon, para o jornal O Globo

Há algumas dias respondi a uma entrevista sobre o Kindle da Amazon, feita pelo André Miranda, do Segundo Caderno, do jornal carioca O Globo. A matéria saiu hoje.

Abaixo publico todas as perguntas e respostas, que dá um pouco da minha opinião sobre o aparelho da Amazon.

1. Quando, em que situação e por que você comprou o Kindle?

Comprei em abril-2008, quando fui aos EUA fazer um curso de marketing. Comprei porque queria conhecer como funciona. Sou amante de gadgets e principalmente por livros. Além disso minha empresa trabalha com informação digital – portais na internet e cursos online, por isso achei que valia a pena testar para conhecer mais sobre o produto, formato, modelo de negócios. Poderia sair daí boas idéias para minha empresa.

2. Você costuma comprar os livros digitais? Quantos já comprou? Poderia citar alguns exemplos?

Só comprei um livro digital até o momento, se chama Getting Real, da 37Signals. Já comprei audiobooks da Audible.com dos EUA e resumos de livros da Summary.com, também dos EUA. Agora estou comprando vários livros, para o Kindle. Além disso, o Kindle permite que eu transfira arquivos .DOC, .PDF e outros para o aparelho. Assim posso ler como se fosse impresso, sem gastar papel.

3. Antes do Kindle, você já tinha uma hábito forte de leitura? O Kindle mudou alguma coisa neste hábito?

Sim, sou apaixonado por livros, especialmente de negócios. Leio, e compro muitos livros. São uma fonte de inspiração e idéias. Além de me permitir, por um preço baixo, estar em contato com os maiores pensadores do mundo, de ontem e de hoje. Mudou um pouco, agora levo mais livros comigo, pesando menos rs…

4. Você acha que um aparelho como o kindle poderia pegar no Brasil? Poderia, talvez, incentivar as pessoas a lerem mais?

Acho que vai chegar sim, talvez demore um pouco, mas vai chegar. Sim, pode mudar muito, toda a indústria de livros. Pode criar uma nova “classe média de autores”, pode aproximar mais os leitores dos autores. Pode facilitar e acelerar a chegada de um livro ao mercado. Os preços hoje são ainda caros, apesar de custar menos que o livro impresso. A tendência é o aparelho ficar melhor e mais barato. E o preço dos livros (hoje custa no máximo US$ 9,99) deve baixar e muito. Muita gente vai querer dar o livro de graça.

5. Só para identificação: Você é natural de qual estado? E qual sua profissão ou ocupação?

Sou natural do Rio de Janeiro, tenho 30 anos. Fui criado em Laranjeiras e estudei no Colégio São Bento. Minha família trabalha com pecuária, graças a isso passei parte da minha infância e adolescência em Goiás, na fazenda. Em 1997 vim a Piracicaba estudar agronomia. Me formei em 2001 e desde então trabalho na AgriPoint, empresa que hoje sou sócio. Minha ocupação hoje é empreendedor. Desenvolvemos portais, cursos online e eventos em segmentos específicos do agronegócio – carne, leite, café e ovinos/caprinos.

Já escrevi dois outros posts, um explicando como comprar livros no Brasil e outro com uma análise mais completa sobre o Amazon Kindle.

Um detalhe legal (e meio nerd) é que tirei uma foto parecida com essa capa da Newsweek com o Jeff Bezos… Me diverti.

[Update] Para ir além, resenhas sobre o Kindle, de três amigos meus, que também têm um, e entenderam o negócio:

Primeira crítica que li sobre Outliers

Acabo de ler uma crítica bem completa do novo livro do Malcom Gladwell, já famoso pelos best-sellers Tipping point e Blink. O livro se chama Outliers, e trata dos motivos que levam algumas pessoas a terem muito sucesso.

Leia três passagens que gostei da crítica, e recortei aqui. Vale a pena ler o post na íntegra.

Gladwell descobriu uma fórmula muito eficaz: trata de temas relativamente complexos, em uma linguagem acessível; desenvolve teorias que vão contra o senso comum, em cima de temas de grande apelo; e escreve com muita habilidade, de forma que o leitor se sente tentado a terminar logo o livro, como um bom romance em que a narrativa flui muito bem.

Segundo Gladwell, mais importante do que o talento é a preparação (pessoas bem sucedidas se dedicam bem mais do que as outras), a oportunidade (muitas vezes igual à sorte de estar no lugar certo, no momento certo) e o ambiente cultural, isto é, o legado que cada pessoa recebe e que permite ou não que o sucesso ocorra.

É sempre bom ler algo redigido e argumentado de forma inteligente e com fluência, desde que se mantenha o espírito crítico e não se deixe levar totalmente por isso.

Marcelo, autor do blog, é meu sócio na AgriPoint. O livro já está comprado. Começo essa semana, apesar de ter ouvido dizer que o livro Talent is over-rated é melhor.

Sou fã do Malcom Gladwell, mas prefiro o primeiro em relação ao segundo. Na minha opinião, Tipping Point é um ótimo resumo sobre como entender e tentar criar idéias virais.

Porque fazemos o que gostamos

flow

Acabei de ler um texto antigo e excelente do Eduardo Carvalho, no Digestivo Cultural, sobre aventuras.

“Se alguém me perguntasse qual a utilidade de escalar, ou de se tentar escalar o pico mais alto do mundo, eu seria obrigado a responder ‘nenhuma’. Não há nenhum objetivo científico a ser alcançado; e simplesmente a satisfação do impulso de realização, o desejo indomável de ver o que jaz além, que sempre pulsa no coração do homem”.

Me lembrei de um livro de 1990, chamado Flow, que foi publicado no Brasil com um título ruim (Psicologia da Felicidade) e esquecido. Nos EUA é bestseller e comentado até hoje. Comprei uma edição paperback o ano passado quando estava por lá e adorei o livro, que fala sobre a “psicologia da experiência ótima”.

O autor de nome bem difícil (Mihaly Csikszentmihalyi), estuda o que são, e como funcionam as atividades que dão mais alegria ao ser humano. Varia de pessoa para pessoa, de país para país, de cultura para cultura. Mas a estrutura, o perfil da atividade e as sensações que trazem, são muito parecidas em todo o mundo.

Me animei a escrever um resumo, para despertar o interesse do pessoal. Em breve por aqui.

Medo da crise, por Marinho do Bluebus

grito

Luiz Alberto Marinho, do Bluebus, escreveu hoje um artigo muito bacana sobre as percepções das classes C e D em relação a crise financeira mundial. O resumo: a crise não chegou, mas o medo sim. Graças ao barulhão que a mídia vem fazendo.

Veja algumas partes do artigo, que considero mais interessantes.

76% estao preocupados ou muito preocupados com a crise, 90% pensam que o país será afetado por ela e 88% dizem que a própria família sofrerá de alguma maneira as consequências desse problema.

Mesmo sem entender direito o que acontece no mundo, 61% dos brasileiros que habitam a base da pirâmide social cogitam pisar no freio e adiar a realizaçao de sonhos de consumo. Os mais preocupados sao os que moram no interior, as mulheres e os mais velhos.

Entre as medidas que poderao ser adotadas, caso a situaçao piore de fato, estao a diminuiçao dos gastos, a reduçao do grau de endividamento, a busca por mais um emprego e o adiamento de compras planejadas para o ano que vem, especialmente a aquisiçao de automóveis, eletrodomésticos e eletrônicos, a reforma da casa e a compra de imóveis.

Os setores que sofreriam menos, se a crise bater na porta das classes C e D, seriam os relacionados com limpeza, saúde, moradia, alimentaçao e educaçao. Os maiores cortes seriam em lazer, vestuário, cartoes de crédito e celulares.

O grande termômetro do pessimismo do consumidor popular brasileiro será este Natal. Nada menos do que 63% dos entrevistados pensam em mudar a forma de presentear.

Acho que ele tem razão. A crise não chegou, mas vai chegar. E deve apertar mais quem vende produtos de maior investimento, processo de decisão longo e também os supérfluos.

Vale a pena ler na íntegra. Como de costume, o artigo do Marinho é curto, informativo, com opinião embasada. É um dos meus especialistas de marketing favoritos. Sou leitor desde 2002.

O básico do seu negócio

tijolo

Li há algumas semanas, e demorei para conseguir fazer um pequeno resumo do e-book gratuito The Business Brickyard, de Howard Mann. Achei esse livro num post “weekend reading” do SG.

É um pequeno livro, cerca de 30 páginas, com lembretes muito bacanas sobre como tocar um negócio. O nome do livro vem da história de um treinador de futebol americano que colocou seus jogadores para treinar com um tijolo ao invés da bola, pois eles estavam tentando “enfeitar” e não faziam o básico, passar e receber a bola direito, com atenção.

Howard Mann traz um resumo muito bom de pontos fundamentais para o sucesso de qualquer negócio.

  • Descubra o sentido do seu negócio. Por que ele existe, e porque você trabalha nele. O que você faz bem, e seus clientes gostam. Talvez por já viver bastante isso, serviu apenas como um lembrete.
  • Toda verdade está no fluxo de caixa. A maneira mais fácil e simples é gastar menos do que ganha. Se você ainda não vendeu, não faturou, não se iluda com estamos “quase”… Muito útil, em especial em tempos de crise.
  • Descubra sua verdadeira história. Não engane a si próprio, não procure racionalizações para justificar seus problemas. Encare a realidade. Encontre sua verdade.
  • Foque nos clientes, esqueça seus concorrentes. Geralmente gastamos muito tempo e energia pensando nos concorrentes. Mas eles não pagam suas contas. Atenda bem seus clientes, que vai ser mais fácil ter sucesso. Encontre seus fãs.
  • Colha os resultados do dia-a-dia, não fique esperando o “grande negócio”. Muitas vezes você vai ter muito mais resultado se dedicar a buscar os resultados menores. Ele compara com o beisebol, diz queo jogo se ganha com muitos pontos “simples” e “duplos”. E não com os home-runs. Melhor dois gols “feios” do que apenas um “golaço”.
  • Relacionamentos e não vendas. Saiba que mesmo tendo um negócio B2B, você vende para pessoas, não para empresas. Se interesse pelos outros. Foque em 20% dos seus contatos, com quem você acredita que pode desenvolver o melhor relacionamento.
  • Pague rápido, receba mais rápido ainda. Um bom lembrete de que finanças é o oxigênio de um negócio. Não pode ser o mais importante, mas sem ele, você vive apenas alguns minutos.
  • Acelere na linha de chegada. Visualize que você deve considerar a linha de chegada de cada projeto depois do “final” tradicional de cada projeto. Ou seja, sempre tem muita coisa a ser feita, depois do que consideramos a linha de chegada óbvia. Como um treinador que recomenda a seus corredores visualizar a linha de chegada cinco passos depois de onde ela realmente está. Assim você termina correndo mesmo, e não diminui antes de cruzar a linha final. Fiz isso na corrida 10k da Nike e deu certo. :-)
  • Coloque seu negócio em uma folha de papel. Tenha a descrição de sua empresa de forma resumida e fácil de entender. Tenha relatórios simples, números na ponta do lápis, que tornem muito fácil você visualizar ao final de cada dia como seu negócio está indo.
  • Saia da sua mesa. Vá visitar clientes. Ponha o pé no barro, e a barriga no balcão. Se você se esconder no seu escritório, estará cada vez mais distante do mercado, dos clientes, das necessidades, das oportunidades.
  • Defina seu negócio como NÃO. Ou seja, o primeio passo é saber muito bem o que você não faz. Já é um grande passo e ajuda muito.
  • Crie metas mensuráveis. Marque reuniões próprias para isso. Trabalhe de trás para frente (defina primeiro o objetivo final, depois o passo anterior, e assim por diante). Envolva as pessoas. Identifique ações reais que podem ser implementadas na prática, alinhadas a suas metas. “Uma meta sem um plano é apenas um vago desejo”.

O livro é simples. Mas me serviu muito bem para reforçar pontos fundamentais para meu sucesso. Os pontos que mais me foram úteis: fluxo de caixa, relacionamentos x vendas, números na ponta do lápis, acelere na linha de chegada, não espere apenas “grandes” negócios.

Prazer e dever

amanhecer-amazonia-castanheira

Um dos assuntos que mais tenho pensado nos últimos dias é sobre a diferença entre as coisas que faço por prazer e por dever. Consegui refletir sobre várias atividades e rever cada uma delas. Avaliando se faço por que gosto ou preciso, e está me ajudando muito.

Li há alguns dias um texto sobre isso do Seth Godin, e por coincidência também discuti sobre isso na terapia.

O texto do Seth fala:

Quanto do seu tempo é gasto fazendo coisas que você “deve”?

As pessoas bem-sucedidas geralmente usam a maior parte do tempo fazendo o que dá prazer, e por isso são bem-sucedidas.

Na terapia discuti sobre algumas atividades que eu queria diminuir, como ler dezenas de feeds de blogs. Descobri que isso é uma das coisas que adoro fazer. Gosto muito de ler, de me manter informado, saber das novas tendências. Avaliei que a chave aqui era usar esse meu prazer de uma forma mais produtiva. Como assim? Avaliando que frutos eu poderia tirar desse meu passatempo.

Foi fácil concluir, precisei apenas me dedicar mais a aplicar e compartilhar o que tenho lido. O incrível é que com apenas essa mudança, minha sensação ao fazer isso mudou da água para o vinho.

Também avaliei o que fazia e considerava um dever. Revendo esses pontos, procurei fazer um redesign dessas atividades, visando ter satisfação no fazer. Isso também me ajudou bastante.

Um tema relacionado, para um próximo post, que ainda não conheço o suficiente a ponto de escrever sobre: a diferença entre você buscar um “ideal” (que tem alguém como padrão) e buscar o “impossível” (que ninguém ainda fez, ou seja, escrever sua própria história).

Um detalhe: tentei não usar a palavra “tarefa”, que em si só já tem uma conotação de dever, e não de prazer.

Próximo livro que vou ler

Pequeno trecho, em português, do próximo livro (Atlas Shrugged) que vou ler, indicado pelo Ricardo Jordão.

Enquanto a produção era governada pela força, e a riqueza era obtida pela conquista, não havia muito que conquistar. No entanto, no decorrer de séculos de estagnação e fome, os homens exaltavam os saqueadores, como aristocratas da espada, aristocratas de estirpe, aristocratas da tribuna, e desprezavam os produtores, como escravos, mercadores, lojistas – industriais.

Para a glória da humanidade, houve, pela primeira e única vez na história, uma nação de dinheiro – e não conheço elogio maior aos Estados Unidos do que esse, pois ele significa um país de razão, justiça, liberdade, produção, realização.

Pela primeira vez, a mente humana e o dinheiro foram libertados, e não havia fortunas adquiridas pela conquista, mas só pelo trabalho, e ao invés de homens da espada e escravos, surgiu o verdadeiro criador da riqueza, o maior trabalhador, o tipo mais elevado de ser humano – o self-made man – o industrial americano.

Se me perguntarem qual a maior distinção dos americanos, eu escolheria – porque ela contém todas as outras – o fato de que foram os americanos que criaram a expressão “fazer dinheiro”. Nenhuma outra língua, nenhum outro povo jamais usara estas palavras antes, e sim “ganhar dinheiro”; antes, os homens sempre encaravam a riqueza como um quantidade estática, a ser tomada, pedida, herdada, repartida, saqueada ou obtida como favor.

Os americanos foram os primeiros a compreender que a riqueza tem que ser criada. A expressão ‘fazer dinheiro’ resume a essência da moralidade humana. Porém foi justamente por causa desta expressão que os americanos eram criticados pela culturas apodrecidas dos continentes de saqueadores.

Discurso do dinheiro, do Atlas Shrugged, de Ayn Rand. Em tempo, foi publicado nos anos 50 e tem 1.544 resenhas na Amazon, sendo mais de 800 com cinco estrelas.

Paul Krugman, prêmio Nobel de economia

Um rápido post para destacar o ótimo digestivo que meu amigo Julio publicou sobre o prêmio dado ao economista norte-americano.

Veja que comentário:

Por isso, a importância de um Paul Krugman, alguém que, transcendendo o “economês” televisivo (e radiofônico) típico do Brasil, traduz a realidade usando chaves econômicas, dominando a matéria, mas, também, a língua, numa quase tradição humanística perdida – quando os humanistas, se é que eles ainda existem, se perderam em “ismos”, não se recuperaram jamais do Muro de Berlim e acreditam conseguir explicar o momento histórico sem as ciências exatas ou até mesmo sem as ciências…

Leia na íntegra, no Digestivo Cultural. Vale a pena, esse e os demais. Eu leio sempre os sobre internet e pego dicas ótimas sobre filmes.

O capitalismo acabou

 |  by  |  leituras  |  1 Comment

Mais um brilhante cartoon da Economist, brincando com os que acreditam em duendes e que o capitalismo acabou.

Continuo lendo e me admirando com a qualidade da revista Economist. Ganharam, inclusive, o prêmio de melhor revista do ano, nos EUA. Merecido.

Outra qualidade da revista são as capas. Incríveis. Tenho usado cada vez mais para ilustrar assuntos em minhas palestras. Veja essa abaixo. Um bom resumo visual da situação atual.

Áudio-livros da Plugme

Áudio-livros Plugme

Acabei de receber o primeiro email marketing (que me cadastrei) da Plugme sobre seus áudio-livros. Achei bem bacana.

Há duas semanas comprei o CD “As 21 leis irrefutáveis da liderança“, que estou ouvindo no carro. Daqui uns dias publico uma resenha.

Visitando o site, fiquei com vontade de ouvir “Quando Nietzsche Chorou“, que ainda não consegui ler.

Achei o site bem montado, visualmente e na questão de programação, com atenção aos detalhes, como URLs amigáveis.

Em tempo: a correria do dia-a-dia tem me atrapalhado a escrever mais por aqui.

Audiolivros ou audiobooks – porque acho que vale a pena

Comecei a ouvir audiolivros recentemente e tenho gostado muito. Primeiro com as edições em áudio da revista The Economist, depois com resumos de livros da Summary. Agora comprei meu primeiro livro da Audible americana.

Aqui no Brasil também começam a aparecer opções.

Comprei uma edição de áudio da revista VendaMais. A qualidade da produção do áudio é muito boa, mas achei o conteúdo um pouco “simples” demais. O CD é gravado em áudio normal, ou seja, roda em qualquer toca CDs. Já a revista impressa é muito boa. Comprei a última edição e achei que melhorou muito em relação a uma que li há +- um ano.

A empresa Audiolivro começou a publicar títulos em portugues, mas ainda não comprei nenhum. Achei o formato bom. Como o da Venda Mais, vem em uma caixa de DVD, que faz uma boa apresentação, mas nesse caso vem em MP3, o que facilita o uso e carregar arquivos maiores, apesar de não tocar em qualquer som. Acho que vale a pena ser em MP3.

Acho que o áudio-livro é um produto que tem muito futuro, pois cada vez passamos mais tempo em locais onde não podemos ler, e eu (pelo menos) quero ler cada vez. Um grande exemplo é o tempo passado dentro do carro, na estrada ou no trânsito.

Acho ótimo ouvir músicas, mas acho que posso aproveitar melhor o tempo, para me atualizar. Em especial em viagens a trabalho. Criei ate uma regra simples, se for viagem a trabalho, áudios de atualização pessoal, se for a lazer, só música. Até porque, nas viagens a trabalho geralmente estou sozinho, e não vou encomodar ninguém com minha seleção.

Li uma entrevista com Donald Katz, fundador e CEO da Audible, principal empresa americana de audiobooks, que foi comprada pela Amazon no inicio do ano por US$ 300 milhoes.

Abaixo alguns trechos que mais gostei.

A empresa oferece hoje mais de 80 mil títulos, incluindo livros, revistas e até jornais diários.

Alguns atores, ou autores, que lêem os livros, tornam o conteúdo ainda mais interessante. Ouvir um livro nos remete à infância, quando nossos pais liam para nás, na cama. E também a maneira mais antiga de se passar informações e histórias – contando-as. Por exemplo: escutar o livro do Obama lido por ele mesmo pode ser melhor do que le-lo, pois voce consegue aproveitar a ótima capacidade oratória dele também.

Katz recomenda também o livro “No asshole rule”, do Robert Sutton, publicado no Brasil como “Chega de babaquice“. Já li resenhas e acho que deve ser muito interessante.

Os clientes Audible consomem (ouvem) em média 15 livros por ano.

Donald diz que procura ler (além de ouvir) sempre que possível. E faz uma colocação interessante, escutar no carro, e chegar em casa e continuar a ler no Kindle.

Eu já fiz isso, escutei a edição em áudio da Economist, gostei tanto de um “special report”, que li depois, no papel.

A empresa fechou 2007 com mais de 450 mil assinantes, crescendo de uma base de 380 mil em 2006.

A venda para a Amazon está liberando tempo, agora ele pode se dedicar 100% a empresa, antes gastava 40-50% do tempo lidando com advogados, contabilidade, etc. Agora pode focar na estratégia central da empresa. E tem outras pessoas tocando essa parte.

Update: ótima resenha sobre audiolivros do site Efetividade.

Porque comprei um Kindle e minhas primeiras impressões, no Brasil

Na minha viagem aos EUA em abril, comprei um Kindle, e estou gostando muito. Aqui vão minhas primeiras impressões.

Muitos me perguntaram porque comprei:

  • Gosto muito de livros.
  • Tenho interesse em produtos de informação, usando meios digitais.
  • Sou fã da Amazon, do atendimento, do sistema de recomendações, tinha certeza que iriam lançar um produto top.

Vantagens:

  • A tela é fantástica, não parece tela, parece papel (essa é a grande diferença).
  • Como disse Jeff Bezzos na carta de lançamento, o Kindle “desaparece” em suas mãos, como um livro.
  • É muito agradável, fácil e prático de se ler no Kindle.
  • Você pode ler artigos e reports longos, que recebe em arquivos eletrônicos.
  • O livro nunca se esgota, vantagem para a Amazon :-)

Vantagens para quem está nos EUA:

  • A entrega é instantânea e automática, é o futuro, muito conveniente, o livro chega na hora, onde você estiver.
  • Você está sempre dentro de uma livraria – pode comprar (quase) qualquer livro a qualquer hora.
  • Você consegue acessar email (Gmail) e alguns sites mais simples.

Motivos para não comprar:

  • É caro (comprei por US$ 400,00, mas já está baixando).
  • É difícil comprar livros no Brasil (é preciso um cartão de crédito com endereço nos EUA – precisei pedir de um amigo).
  • Não dá para emprestar o livro a um amigo, só se emprestar o Kindle “inteiro”.
  • É a primeira versão, com certeza logo mais lançam updates, espera-se uma com tela maior, para estudantes.
  • O formato dos arquivos é protegido, proprietário da Amazon. Com a concorrência, em breve surgirão padrões abertos.

A revista The Economist resumiu “inovações que aproximam produtores e consumidores são interessantes, mas tendem a diminuir o lucro de quem está no meio”. Os intermediários entre escritores e leitores estão muito preocupados, e com razão.

Conclusões:

  • Ainda está caro, mas já é mais barato do que comprar muitos livros pelo correio na Amazon, pagar a entrega e esperar o livro (que às vezes não chega).
  • É uma revolução, pois junta as principais vantagens dos produtos digitais (entrega imediata, custo marginal zero, acessibilidade, etc) e produtos tangíveis como um livro (e sua portabilidade, de leitura fácil e agradável).
  • É um produto fácil de consumir, supera por exemplo, o grande problema dos podcasts por exemplo, que são difíceis de se consumir, de se baixar, receber, colocar no Ipod, etc. Para quem mora nos EUA, o jornal chega todos os dias na sua casa, depois de pagar a assinatura, não há mais “trabalho”. Funciona como uma TV ou rádio: é só ligar e na hora você começa a assistir.

Algumas observações:

  • A maioria das pessoas que fala sobre o Kindle, não tem um ou não viu um (em especial no Brasil).
  • Me desculpem, mas o Kindle não é feio, pelo menos é o que eu acho :-) A única dificuldade é segurá-lo sem apertar nenhum botão (que ocupam um bom espaço nas bordas).
  • Não pode receber tantas críticas, o produto ficou meses “sold out” nos EUA.
  • As resenhas (milhares) são muito positivas

O Seth Godin me disse que quem compra são fanáticos por livros, clientes que compram, em média, mais de um livro por dia (isso, mais de 7 por semana!). Essa é a razão para o modelo de negócio ainda ser tão “fechado”. Uma possibilidade futura muito provável é o sistema de assinatura em que você paga uma taxa mensal e consome quanto quiser, onde os que usam pouco subsidiam quem usa muito. Esse é o modelo de negócios de uma academia – quem gera lucro é o aluno que paga, mas não vai. A Amazon não poderia fazer isso, pois esse produto atrai os “viciados” em livros, pelo menos inicialmente. Já li que um sujeito já comprou mais de 1.000 livros para o Kindle.

Quem está nos EUA consegue acessar a web, via o sistema de celular embutido no Kindle, mas sites com Flash ou Javascript não funcionam (exemplo: Google reader).

Uma das reclamações mais frequentes é que não dá para fazer muita coisa que se faz no computador. Acho que isso é uma qualidade, em muitos aspectos. Menos é Mais. Não ter acesso a internet (wifi) é um ponto positivo para quem lê, pois pode se focar mais no conteúdo do livro, sem se dispersar nos infinitos sites. Além disso é positivo para o modelo de negócios: menos acesso a conteúdo grátis, mais chance de vender conteúdo.

Você pode converter artigos, reports e textos longos, que são ruins de ler na tela do PC, para o Kindle. Basta enviar por email para um endereço pessoa do Kindle, em duas versões, pagando US$0,10 por documento e recebendo via wireless (nos EUA), ou de graça, fazendo download e jogando no Kindle pelo cabo USB. Eu já fiz de vários artigos, inclusive desse “Alcançando a excelência“, que escrevi sobre um texto do site ChangeThis, em PDF.

O Kindle vai aproximar escritores e leitores. Seth Godin acha que os livros ficarão menores, com menos “enche linguiça”. Isso é bom.

O produto ainda é caro, mas deve cair o preço. Não comprei buscando uma barganha, mas querendo me dar de presente um gadget especial, para quem adora tecnologia, livros (e ler).

Para quem quer ler mais sobre o Kindle:

[Update] Para ir além, resenhas sobre o Kindle, de três amigos meus, que também têm um, e entenderam o negócio: