
Comprei na semana passada a revista Piauí. Já tinha lido algumas matérias de outros números, emprestado ou em cafés. A revista é muito boa, tem matérias muito interessantes e diferente do que você pode esperar. Demorei para entender porque, e aqui vai minha versão.
Algumas matérias da edição atual, que li e gostei:
- Uma análise completa e isenta do novo CD do Roberto Justus. Humor a la “Pânico”, só que com muito mais classe. Só lendo para entender.
- Histórias da rodoviária Tietê, de São Paulo, SP. Quem já passou muito por lá, como eu, se diverte lembrando das cenas e figuras já vistas. Mesmo quem nunca foi, se diverte, imaginando.
- O perfil da imprensa argentina atual, com destaque para Jorge Lanata, especialista em criticar o governo, com inteligência e humor. Não consegui identificar o similar brasileiro.
- O relato da mediação entre tráfico e governo federal, para inauguração da obras do PAC, em favelas do Rio. Só no Brasil isso acontece, e o pior, a surpresa é pequena.
Outros textos muito bacanas, de edições passadas:
- O perfil do Zé Dirceu, que é um personagem que precisamos conhecer melhor, até porque, tudo indica, ainda continua influenciando e muito no planalto.
- A história de um maluco, que sem nenhum dinheiro, fez uma viagem pelo Brasil, numa bicicleta velha, ganhando abrigo e comida de quem encontrava pelo caminho. Um cara extremamente simples, pobre, que fez um programa que pouca gente com dinheiro consegue fazer.
Essa semana, o Meio&Mensagem publicou uma entrevista com João Moreira Salles, editor da revista. Depois de ler, fiquei gostando ainda mais da revista.
- A revista não tem editorias, não tem assuntos e temas fixos.
- Ao planejar a revista, antes de lançar, as consultas com especialistas indicaram vendas entre 5 (pessimista) e 12 (otimista) mil exemplares vendidos. Hoje já estão em torno de 35 mil revistas pagas. Três vezes o especialista mais otimista :-)
- Escrevem matérias “com tempo”, muitas vezes sobre assuntos já batidos na mídia. Mesmo assim conseguem trazer informações, enfoques inéditos. Querem contar a história melhor do que os outros, sem pressa, sem querer “dar o furo”. Muito difícil de fazer, bom demais ver alguém que consegue fazer. Os perfis do Zé Dirceu e do Daniel Dantas são bons exemplos.
- Não fazem pesquisa de mercado com os leitores, sobre o que eles “querem ler”. Não querem fazer uma revista boa, moldada ao gosto do leitor, utilitária. Querem fazer uma revista que o leitor não sabia que queria ler. Me senti assim lendo a maioria das matérias da revista. Assuntos “nada a ver”, fora dos meus interesses diretos, mas mesmo assim fiquei muito satisfeito com a leitura.
- O principal segmento anunciante é o editorial (livros).
- A revista não está segmentada por classe social, nem por faixa etária. O denominador comum é escolaridade, com maior concentração de pessoas com grau superior completo.
Li essa semana dois posts de blogs de amigos sobre a FLIP (Festa Literária de Parati) e aumentou muito minha vontade de ir em 2009.
Teresa Genesini, que conheci no curso sobre Lacan, escreve:
Participar da FLIP já faz parte do calendário básico de quem está ligado na cultura. Passada a ressaca literária, musical, etc, falo do que ficou para mim, as sobras da FLIP.
E cita frase de Jayme Ovalle (1894/1955), sobre poesia, em entrevista a seu amigo Vinícius de Moraes.
É a coisa mais importante do mundo. Todo mundo nasce com ela, porque ela é a própria vida. Todo mundo é criado com o dom da poesia e só deixa de ser poeta porque perde a inocência. Quanto mais um homem crescer carregando consigo sua inocência, mais poeta ele é.
Eduardo Carvalho, participou pelo segundo ano, com cobertura pelo blog e pelo Twitter. Ele explica o que é a Flip.
A Flip é muito mais um evento social do que literário. Muita gente implica com o evento, que é um auê, uma pequena bagunça em torno de uma experiência que é acima de tudo íntima, solitária. Não vejo muito problema nisso.
No ano passado ele descobriu com identificar escritores brasileiros. Hilário.
O principal motivo de querer participar é:
A idéia da Flip, acho, é que pessoas interessadas em livros, em literatura, se encontrem para conversar, nas mesas oficiais ou fora delas. Conversar sobre livros não é a mesma coisa que lê-los, claro. O que não significa que seja ruim, errado.
Me interessa mais o lado festa, com pessoas interessantes e inteligentes. O lado negativo é que Parati deve ficar lotada demais nessa época, com os restaurantes, que são um bom programa, difíceis de se aproveitar direito. Talvez eu esteja mesmo ficando velho.
A festa também tem seu blog oficial. Acho que é oficial mesmo :-)
Recebi também essa semana, um convite do Digestivo Cultural, com o nome “para quem perdeu a Flip“. Deve ser para mim… Vale a pena, e se você não puder ir, o Julio deve colocar os MP3s depois, para download.
No início do ano perguntei a um amigo, que é expert em economia, que sugestões de leitura ele daria para quem quer/precisa entender mais sobre economia.
Para minha surpresa, ele não indicou nenhum livro, apenas algumas leituras resumidas sobre os principais economistas e suas teorias. Disse também que os livros de economia são, em sua maioria, muito chatos.
Sua principal recomendação foi: leia semanalmente a revista “The Economist“.
Naquela mesma semana, já tendo comprado um “big” livro de introdução a economia (que deixei “estocado”), comprei minha primeira The Economist. Na mesma semana assinei a revista.
Tem sido uma experiência fantástica. Tenho lido bastante, sobre temas variados. Estou gostando demais do estilo da revista, da forma como explica, com clareza, profundidade, mas sem ser chata ou arrogante. Penso que conseguem fazer um bom balanceamento dos assuntos (sempre com uma visão de “economista”).
Tem sido interessante, pois com uma leitura semanal, consigo me atualizar em uma séria de áreas de conhecimento, com acesso a matérias de alta qualidade. A edição em áudio também é ebm interessante. Estou pensando em comprar um sim MP3 para o carro (faz mais de um ano que tenho o carro, ainda sem som… rs..).
A leitura da Econmist também despertou meu interesse ao comparar com as capas das revistas nacionais. A Economist dessa semana é sobre a saída do Fidel Castro do poder, com o título “Castro´s legacy”, com um Cohiba apagado num cinzeiro.
A Veja dessa mesma semana tem como capa o título “Já vai tarde”. Apesar de não gostar do Fidel Castro, achei o título desrespeitoso, simplista e unilateral. Não sei o que a matéria completa diz, até porque a capa me desestimula muito a comprar/ler tal revista. Mesmo com os inúmeros problemas de Fidel, como “el paredon”, acesso a internet para menos de 2% da população e é claro a ditadura de mais de 40 anos, Fidel fez bastante coisa e conseguiu algumas vitórias e feitos importantes. Simplificar não é a solução, para quem se propõe a informar.
Em relação a Fidel, a revista fez, algumas edições atrás, um comentário com um humor digno de nota. Lula há cerca de um mês visitou Fidel Castro, saindo da visita declarando que Fidel estava com uma saúde perfeita. Poucos dias depois o governo de Cuba emitia um parecer oficial sobre os problemas de saúde de Castro. Algumassemanas depois, Fidel deixava o poder. Na Economist, a pequena nota sobre essa visita tinha o ótimo título “Dr. Lula”.
Outro ponto curioso, já levantado por um outro amigo. As revistas nacionais “copiam” os temas das matérias da Economist. A capa da atual Época Negócios é sobre a Tata, empresa indiana que vai produzir um carro ao preço de US$ 2.500. Foi matéria na Economist há umas 4-5 semanas. A capa da Época da semana passada era sobre a possibilidade (agora real) de turismo no espaço, que também foi tema de matéria da Economist há umas 3-4 semanas.
Em 2006, Eduardo Gianetti da Fonseca, quando palestrou em nosso evento em Uberlândia/MG, me disse que a única leitura semanal (ou diária) dele era a revista. Não lia jornais ou revistas. Apenas The Economist, ouvia as rádios CBN e Jovempan no banho ou no táxi (ele não tem carro). O restante do tempo ele usava para ler livros. Achei muito interessante.
Até o momento estou conseguindo ler a revista toda semana (acabei a última hoje – sábado), não ficando com uma “pilha” de revistas acumuladas. Estou gostando muito, tem valido muito a pena.
E você, como se atualiza?



