Palestra-entrevista com Marcello Serpa, da AlmapBBDO, na Casa do Saber

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Marcello Serpa foi o terceiro palestrante-entrevistado do curso Grandes Publicitários na Casa do Saber. Me pareceu o mais “artista” entre Alexandre Gama e Nizan Guanaes. Disse ser “um eterno garoto de 7 anos, segurando uma antena”, que capta tendências, entende o que está no ar.

Minhas anotações, comentários e frases do Marcello Serpa

  • Aos 15 anos, sentiu necessidade de viajar e foi para Europa.
  • Procurou fazer arte aplicada. Começou designer, terminou publicitário.
  • É incrível como as relações entre esses “grandes publicitários” parece ser estremecida, como que enormes egos sempre se chocando. Fiquei com essa impressão na palestra dele, quando fala de outros profissionais.
  • “Diretor de arte era chamado de decorador de anúncio (DA)”, sobre como sua função era criticada por redatores.
  • “Sempre tive ídolos, em cada fase da vida”. Depois, com tempo, deixou de ter ídolos. Disse que a relação ficou mais humana, mais próxima, mais de igual para igual. Achei interessante e correto.
  • O mercado de publicitário está em SP. Nizan comentou a mesma coisa, de outra forma. Não adianta querer ter uma agência nacional com sede no Rio ou em Salvador.
  • “Liderança não é título, se exerce pelo exemplo e com empatia”. Quer levar seus liderados “a um lugar melhor”, ou seja, quer ajudá-los a ir mais longe. O Petit (da DPZ) fazia isso e tenta fazer isso sempre, com todos que trabalham com ele. “Já fui líder sem ter cargo”.
  • “Sucesso é reconhecimento”. Mas é preciso ter cuidado com o ego, que “pode ficar gordo, e o colesterol do ego faz mal”.
  • De uma maneira humilde até falou da sorte e do acaso. Chegou onde chegou também com a ajuda do destino. “Talento existe sim, mas um talento específico”. E ele também acredita na intuição.
  • “Não sou piloto de avião”, sobre poder errar na publicidade. “O máximo que vai acontecer é perder a conta do cliente”, não é o fim do mundo. Deve ser difícil praticar isso na vida real. E deve ser mais difícil ainda assumir os erros, numa profissão de tanta imagem, e egos “com colesterol”. :-)
  • “Talento em publicidade é associar coisas diferentes, que combinam quando juntas. É a síntese. É ver o óbvio.” Gostei muito dessa explicação. Simples.
  • “Só aprendi a ter sócios depois dos 35 anos”. “Não sou empresário”. Não quero ter chefe.
  • “É preciso acreditar na felicidade. A vida tem que ser gostosa”.
  • “Nenhuma sociedade que aboliu Deus sobreviveu”.
  • Fazer “propaganda é vender”.

O que mais gostei

Para fazer uma boa campanha é preciso apenas responder duas perguntas:

  1. Defina o problema do cliente. Onde você precisa chegar? Qual o posicionamento, qual a mensagem? Há uma única resposta para isso.
  2. O que precisa ser dito é relevante, convence?

“Toda ideia boa cabe em uma frase”, sobre simplicidade e como fazer um teste matador para saber se você está no caminho certo.

É preciso simplificar, resumir seu conceito, seu produto em apenas uma frase, que explica, vende e convence o cliente. Antes de se procurar fazer uma campanha, é preciso responder as duas perguntas chave: 1-qual o desafio? e 2-alcançando esse desafio, você conseguiu vender o produto?

Gostei muito disso, pois acredito que esse exercício bem feito: resumo, problema e checagem da solução, pode aumentar incrivelmente o resultado de um trabalho de marketing. Tenho a impressão de que é muito comum campanhas e estratégias que não levam esses simples conceitos em conta.

Esses dois tópicos acima (2 perguntas, e ideia numa frase) valeram a noite. Uma ótima reflexão sobre todos os materiais promocionais que fazemos. Fiquei pensando no que produzo e no que consumo, e me dei conta, que muitas vezes não se consegue atender a esses dois critérios tão básicos: entender o problema, e resolve-lo, de forma simples.

Se você gostou, leia os outros posts, da série Grandes Publicitários.

Veja também uma imagem que achei no site da agência dele, que gostei.

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Chris Anderson, dos livros Long Tail e Free, fala no #Mixx 09

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No segundo dia do MIXX 09, evento da IAB em Nova Iorque, a grande atração da manhã foi Chris Anderson, autor dos aclamados Long Tail e Free, entrevistado pelo jornalista Charlie Rose, considerado o melhor entrevistador dos EUA. O tema da conversa foi o livro Free e como as empresas de mídia vão se adaptar a esse novo modelo. Chris fez um resumo bacana do seu livro, dando alguns destaques interessantes.

Produzir e distribuir conteúdo pela internet se democratizou. Custa muito pouco e esta cada vez mais barato. Os precos caem 50% ao ano. Nao há mais monopólio das grandes empresas de mídia. Como os empregadores de Chris e Charlie :-) A facilidade de produzir e disponibilizar, leva a um grande inventário de mídia a ser vendido. Oferta cresce mais que demanda, preco cai.

O desafio da mídia hoje não é mais construir uma grande base de usuários, ou eyeballs como os gringos adoram repetir. O problema agora é outro, como fazer para ganhar dinheiro se grande parte do seu conteúdo é de graça. Segundo Anderson, o desafio agora é criar novos produtos, novos serviços que serão a parte premium do seu produto, usando o modelo de negocio freemium (free + premium).

Nao há receita de bolo e parece que ninguém sabe a resposta ainda. Mas todo mundo está procurando a sua. As pistas sao serviços, conteúdo extra, formato diferenciado, souvenirs, entre outros.

Chris Anderson citou dois exemplos. O primeiro foi o grupo de comédia Monty Python, que cansado de ver seus vídeos pirateados no youtube, resolveram eles mesmos criar um canal exclusivo do grupo, com tudo de graça. E venderam muito, muito mais DVDs com isso. O outro exemplo é o proprio livro Free. Teve versão grátis (por apenas uma semana) no Kindle, outra grátis para leitura online, audiobooks grátis. E mesmo tendo muitas versões grátis virou bestseller da versão paga (impresso). É provavel que as versões grátis ajudaram a vender mais a versão paga, pois gerou atenção, buzz. Eu mesmo tenho duas versões grátis (kindle e audiobook), mas não tenho a paga.

Chris falou muito: atenção hoje vale dinheiro, pois é escassa.

No final, falou de um tema que não conhecia e fez sentido, despertou o interesse. Disse que o “small” é cada vez mais importante. Mesmos as grandes empresas, com presença global, estão pensando em como construir negócios com foco no local, em pequenas comunidades, pequenos grupos de pessoas. Um bom dever de casa, para quando voltar ao Brasil.

O modelo freemium pode não estar definido como será na prática para as empresas de mídia, mas Chris Anderson já descobriu o dele. Escreve livros sobre o grátis e vende palestras caras para explicar o conceito ;-)

Escrevi esse post para o Blue Bus, e foi publicado resumido no mesmo dia do evento, há duas semanas.

Leia os outros posts que escrevi sobre o Mixx 2009.

Debate sobre futuro do vídeo online, no #Mixx 09

Um debate, que consegui pegar apenas a parte final, foi sobre o futuro do vídeo online. Três comentários interessantes, que anotei, foi que vídeo é parecido com musica. Se houver disponibilidade, conveniência, qualidade e segurança, há público disposto a pagar por isso. O iTunes é um exemplo de que muita gente prefere pagar a correr o risco de pegar vírus, ter baixa qualidade, etc.

Outro ponto que me chamou a atenção foi um comentário sobre modelo de negócios. Muita gente acredita que as formas de monetização serão muitas. Venda de assinatura, venda de conteúdo extra, publicidade, etc. E por fim, alguém da mesa falou que o consumidor segue o conteúdo.

E o vídeo e cada vez mais um conteúdo que as pessoas querem consumir, que causa impacto. Se isso e verdade, vídeo na internet veio para ficar, e o modelo de negócios vai surgir, mesmo que nenhum desses atuais.

E completou, “minha dúvida é apenas em relação ao curto-médio prazo, pois vídeo online veio para ficar”.

Fui comprar minha câmera ;-)

Um dos panelistas fez uma apresentação, que disponibilizou para download (exceção no evento). Coloquei no slideshare e você pode ver abaixo. É interessante notar que os números podem levar a conclusões erradas. Há muita gente assistindo vídeos online, mas o tempo gasto na frente da TV é ainda muito, muito superior.

Vale a pena assistir abaixo.

Bank of America, construindo um diálogo real usando mídias sociais, palestra no #Mixx 09

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Outra palestra bacana do evento foi o estudo de caso apresentado por Adam Turinas, da agência Organic e Jennifer McDonald, executivo de marketing digital do Bank of America. Eles mostraram como estão usando o twitter para se aproximar dos clientes, ganhar uma cara mais humana, diminuir os problemas. Falaram e mostraram alguns conceitos aplicados interessantes.

É normal que uma grande empresa tenha alguns clientes frustrados. E eles já estão falando (mal) da empresa por aí. Por existir o twitter, agora alguns expressam sua insatisfação lá. O twitter não criou essa situação, apenas tornou mais visível e transparente. Eles falaram que defendem internamente o uso do twitter como uma ferramenta de interação com os clientes como qualquer outra forma ou ferramenta de atendimento.

Mostraram casos em que a atuação pró-ativa da empresa conseguiu reverter casos bem negativos. Um exemplo foi um post com um titulo mais ou menos “BofA talvez não seja tão ruim assim”.

Um detalhe que me chamou a atenção e que o twitter @BofA_help não tem o logo do banco como imagem do perfil, mas uma foto da pessoa que opera essa conta. Não tinha visto isso acontecer ainda, não sei se mudei minha opinião, mas foi um pequeno detalhe que me fez pensar mais. Se você vai ao banco e interage com uma pessoa especificamente, poderia ser assim também no twitter. É provável que de uma impressão mais humana, mais próxima. Um detalhe que pode causar um impacto positivo, mesmo que passe despercebido.

No final, contaram que estão começando a divulgar mais a conta de atendimento ao cliente no twitter, pois vem tendo bons resultados. Ainda nesse painel, sobre mídias sociais, outra apresentação resumiu seus desafios em autenticidade, transparência, relevância e engajamento.

Leia mais sobre o Mixx 2009 em NY.

Tim Armstrong, chairman e CEO da AOL, no #Mixx 09

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Tim Armstrong já trabalhou no Google, antes de ir para a AOL, uma empresa com um grande desafio pela frente. Já foi uma das empresas mais importantes do mundo na internet e hoje está meio que esquecida, de lado. Tim deu muito destaque para o conteúdo. Falou que a empresa é focada nisso, e tem aí seu principal diferencial competitivo.

Iniciou a palestra mostrando alguns números e pedindo para a plateia adivinhar o que cada um significava. O primeiro era o número 1560. Alguém disse da plateia: é o numero de jornalistas da AOL? Ele respondeu que não, eram 3.000 no total. 1560 era o número de lojas fechadas da Blockbuster. E mostrou um outro lado. Ao mesmo tempo que mostra os problemas, dificuldades da Blockbuster, mostra uma série de oportunidades para a Netflix e até para a AOL.

Se tem menos gente alugando filmes em lojas físicas, pode ter mais gente consumindo entretenimento de outras formas, seja alugando um DVD pela internet, ou consumindo vídeos pela internet. Ele tem razão, enquanto uns choram, outros vendem lenços.

Também fez questão de mostrar a força do twitter e como ele pode ajudar uma série de outros produtos, como séries de TV. Com o twitter ficou mais fácil segmentar muito a informação que chega a cada um.

Ainda sobre conteúdo, a visão do Tim e colocar o conteúdo certo para o consumidor certo com a publicidade certa. A fragmentação é nossa amiga, disse. As áreas de atuação da AOL atualmente são conteúdo próprio, venda publicidade em rede de sites parceiros, sites regionais/locais, comunicação e mensagem (a AOL é dona do ICQ e de um messenger próprio) e AOL Ventures, uma espécie de fundo de investimentos em novos negócios.

De tudo isso, o que mais me chamou a atenção foi o último. Mostra que eles perceberam que dificilmente uma grande empresa vai conseguir criar negócios altamente inovadores dentro de casa, por isso apostam em ter uma série de investimentos em startups, podendo lucrar muito com isso. O novo Google ou o novo twitter não vai surgir dentro da AOL, mas pode surgir dentro de uma startup financiada pela AOL.

Perguntaram o que ele aprendeu nos tempos de Google, que aplicava na AOL e também o que não servia no novo posto. Respondeu que aprendeu com o Google que a tecnologia pode ajudar muito. Falou que o Google é muito bom em conectar os “tubos subterrâneos”, ou seja, faz funcionar o que ninguém vê, mas que faz toda a diferença. O que não aplica na AOL é o pouco foco em conteúdo dado pelo Google, que quer integrar, mas não produzir conteúdo.

Achei a palestra interessante, mas é difícil imaginar que a empresa terá um futuro brilhante pela frente. Me parece que muito dificilmente ocupará o local de destaque que já teve, no “início” da internet.

Veja todos os meus posts sobre o evento Mixx 2009 dias 21 e 22 de setembro, que participei em New York.

Jeff Benjamin, Crispin Porter + Bogusky: não sou eu que vou fazer a revolução digital, no #Mixx 09

Jeff Benjamin, vice presidente e diretor de criação interativa da Crispin Porter + Bogusky também fez uma mini-palestra de 5 minutos. Disse uma coisa bacana e humilde.

Ele não acha que ele mesmo vai fazer essa revolução criativa, mas a molecada que está começando a trabalhar agora, que tem uma vida muito mais digital. Uma geração onde o digital é onipresente.

Lucas Watson, Global Team Leader de Estratégia de Negócios Digitais da Procter & Gamble, no #Mixx 09

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Lucas Watson começou a palestra falando de dois campos de golf dos EUA, um feito pelo Donald Trump, em que se construiu tudo do zero. Um outro campo totalmente feito pelo homem. O outro, um campo de golf muito simples no estado de Nebraska, onde pouca coisa foi feita. Um campo de golf com pouca interferência do homem. E esse mais simples e mais barato, é mais admirado. Ele usou essa comparação para falar de ações digitais.

As vezes, fazemos uma grande obra, se mexe em muita terra, mas alguém faz muito menos esforço e tem mais resultados.

Ele mostrou alguns conceitos bacanas.

Você precisa de um ideal e de uma ideia. Mostrou um video simples, de bebes dormindo com uma musica calma, usado para vender Pampers.

Ou então você pode ter uma ideia muito boa, que e colocada em prática de forma fácil. Mostrou o caso de um banner da batata frita Pringles, que era uma brincadeira, com frases engraçadas, que iam mudando a cada clique do internauta.

Eram 128 telas com pequenas frases diferentes em cada um, com o mesmo fundo, layout, etc. Disse que a maioria das pessoas clicava atá o final. Isso mesmo, 128 cliques! A parte que ele mostrou na palestra era realmente bem engraçada, arrancou risadas da plateia. Simplicidade é o verdadeiro brilho criativo, disse. “Use o campo que você tem”, lembrando da comparação inicial entre campos de golf.

A criatividade pode vir de qualquer lugar. Lucas mostrou outro exemplo de crowdsourcing, onde o design de uma campanha do perfume da Hugo Boss foi feita por um tailandês de 18 anos, sem formação em design ou publicidade. O engraçado é que era a marca de perfume que eu uso.

Outro trocadilho que ele fez e que o dinheiro não pode comprar felicidade. E tambem não consegue comprar (sozinho) criatividade.

Ao final, contou o que a P&G vem fazendo para aumentar sua criatividade. Estão aumentando importância do digital, simplificando o briefing creativo, medindo e aprendendo o tempo inteiro, premiando a colaboração entre agências que os atendem e por fim, estimulando experimentos e a inovação.

Steve Wax, da agencia Campfire, no #Mixx 09

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Steve Wax, da agência Campfire, foi outro a fazer a mini-palestra de 5 minutos no MIXX 09, em NY na semana passada.

Começou dizendo que tem um sonho recorrente. Está num palco, com luzes no seu rosto e uma grande plateia. A parte ruim é que ele está nu nesse sonho. Disse que essa é a realidade das pessoas que trabalham com publicidade hoje em dia. Antes, uma agência tinha que se expor para pouca gente. Interagia com o cliente, alguns fornecedores. Alguns consumidores em focus groups.

Hoje não, interage, mesmo sem querer com todo o público. E outra, o grande público também está no palco. Ou seja, antes você estava no palco com uma plateia pequena. Agora tem uma plateia enorme. E tem a plateia inteira no palco, falando de você. A agência, e seu tabalho, está muito mais exposto. Literalmente nu.

Falou que fazer publicidade está muito mais difícil hoje, mas que ele acha mais legal hoje. Segundo ele, o foco hoje deve ser entreter e medir. Com a marca do seu cliente no centro.

“Sou cada vez mais um regente de orquestra do que aquele que cria mesmo. Eu ajudo os outros a criarem”. E esse “outros” é cada vez mais amplo. O anúncio de 30 segundos agora é visto por meses, no youtube, por exemplo. A evolução de uma ideia é muitas vezes mais importante do que a ideia original. Seu trabalho é reger experiências diárias, do cotidiano das pessoas, envolvendo as marcas. Muito mais do que um grande feito, agora são pequenos feitos, pequenas novas historias e interações, acontecendo dia após dia.

Disse que o planejador de mídia é o novo homem do tempo. Está sempre mudando, de uma hora para outra, passa de chuva para sol.

Outra frase dele que gostei foi: “Uma sequência de pequenos erros pode te levar a um grande sucesso, ao aprendizado”.

Terminou dizendo “Abrace a Nudez”.

Gostei bastante da pequena palestra dele. Conseguiu explicar bem que a realidade mudou, e que se você for realmente bom em entender o cliente final e em reger experiências da sua marca, pode ter um trabalho bem mais divertido e certeiro hoje em dia. Interessante que ele juntou interação cliente-marca e métricas como os dois focos da comunicação hoje.

O twitter do Steve é @campfiresteve.

Steve foi outro a fazer a mini-palestra de 5 minutos. Começou dizendo que tem um sonho recorrente. Esta num palco, com luzes no seu rosto e uma grande plateia. A parte ruim e que ele esta nu nesse sonho. Disse que essa e a realidade das pessoas que trabalham com publicidade hoje em dia.

Antes, uma agencia tinha que se expor para pouca gente. Interagia com o cliente, alguns fornecedores. Alguns consumidores em focus groups. Hoje não, interage, mesmo sem querer com o publico todo. E outra, o grande publico também esta no palco. Ou seja, antes você estava no palco com uma plateia pequena. Agora tem uma plateia enorme, e tem a plateia inteira no palco, falando de você Você esta muito mais exposto. Literalmente nu.

Falou que fazer publicidade esta muito mais difícil hoje, mas que ele acha mais legal hoje. Segundo ele o foco hoje deve ser entreter e medir. Com a marca do seu cliente no centro.

Sou cada vez mais um regente de orquestra do que aquele que cria mesmo. Eu ajudo os outros a criarem. E esse “outros” e cada vez mais amplo.

O VT de 30 segundos agora e visto por meses, no youtube, por exemplo. A evolução de uma ideia e muitas vezes mais importante do que a ideia original. Seu trabalho e reger experiências diárias, do cotidiano das pessoas, envolvendo as marcas. Muito mais do que um grande feito, agora são pequenos feitos, pequenas novas historias e interações, acontecendo dia após dia.

Disse que o planejador de mídia e o novo homem do tempo. Esta sempre mudando, de uma hora para outra, passa de chuva para sol.

Uma sequênciasequencia de pequenos erros pode te levar a um grande sucesso, ao aprendizado.

Terminou dizendo “Abrace a Nudez”.

Colleen DeCourcy, Chief Digital Officer da TBWA Worldwide, na #MIXX 09

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Colleen foi a primeira palestrante intersticial do Mixx 2009 em NY. Entre uma palestra e outra, um publicitário fazia uma palestra de 5 minutos respondendo “O que significa revolução criativa na publicidade interativa para você?” Gostei muito do formato. Bom conteúdo, em muito pouco tempo e dava um break entre as palestras mais longas.

Achei muito interessante um comentário dela, no final da mini-palestra, que foi o que me marcou. Disse que a internet não é o destino, mas uma placa de trânsito, de sinalização, que te indica o caminho.

Entender a internet como algo que vai ajudar as pessoas a irem mais longe, a lugares mais legais e que pode permitir muita coisa interessante no mundo real e uma forma e muito bacana. Por sinal, muito semelhante ao posicionamento de longa data do BlueBus.

PS: Hoje estou em Washington, DC, no segundo dia do evento INC500, que está sendo incrível.

Ann Lewnes, Adobe, no #MIXX 2009 NY, do IAB

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Ann Lewnes, vice presidente senior de marketing corporativo da Adobe, foi a primeira keynote speaker do MIXX 09, em NY. Começou a palestra falando que a empresa investe 74% do seu budget em ações digitais. Todo mundo ficou animado com o numero :-)

Ann mostrou o que ela chamou de “nossos três segredos de publicidade”, com slides muito bem feitos.

  1. Tudo é propaganda. Contou o caso de que resolveram fazer transmissão ao vivo do lançamento de um produto, alem do evento ‘água com açúcar’ de sempre. Mais de 200 mil pessoas assistiram. O evento de lançamento e sua transmissão web se transformaram em publicidade. Cada vez a concorrência pela verba de mídia vem de outros lugares.
  2. Uma rua com duas mãos. Outro caso rapidamente apresentado foi o desenvolvimento do produto Lightroom. Convidaram clientes a ajudar a desenvolver o produto. Com isso conseguiram duas coisas. Primeiro, o produto ficou melhor, pois muita gente que usava (ou iria usar) comentou, sugeriu, participou. Segundo, porque essas mesmas pessoas que contribuíram com o tempo delas, se tornaram evangelistas do produto. Alem de conseguir fazer crowdsourcing do desenvolvimento, ganharam um super boca-a-boca. Saber aproveitar isso (pouca gente sabe) pode ajudar muito.
  3. Pense fora do retângulo. E preciso ir alem do básico. O exemplo que Ann deu foi o uso de widgets, que em sua maioria são feitos em flash (e claro, um produto Adobe). Contou que pouca gente usa pois não conseguem mensurar o uso e distribuição Ann anunciou que a Adobe acaba de lançar uma ferramenta que promete fazer justamente isso. Outro exemplo foi a realidade aumentada. Pode ser um material impresso, que colocado na frente da webcam do computador mostra algo totalmente diferente. Marcelo Tripoli lembrou que o retângulo é o banner (a foto que ilustra o post é dele também).

A palestra de Ann foi interessante, ao mesmo tempo que ela aproveitou para divulgar vários produtos. Algo difícil Outro ponto marcante no evento e a qualidade dos slides apresentados. Aqui nos EUA o padrão médio e muito, muito superior ao que vemos no Brasil. Pouca gente lê Garr Reynolds na terrinha.

Na seção de perguntas, alguém da plateia questionou o que não vai mudar na publicidade em 50 anos. Ela respondeu engajamento e criatividade.

Esse é o primeiro post de uma série com resumo das principais palestras do evento e o que aprendi/tirei de cada um. Escrito em NY, durante o MIXX 09.

Meus dois posts para o Blue Bus sobre o #MIXX 09, em NY

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Segunda e terça dessa semana, participei em NY do evento MIXX, organizado pela IAB, sobre publicidade interativa. Escrevi dois posts para o site Blue Bus sobre o evento. Veja os links abaixo e uma breve chamada de cada um.

Começou a Mixx 2009 em NY | Revolucao criativa na publicidade

Na parte da manhã, o destaque foi a demonstração ao vivo do novo sistema interativo da Microsoft, um escritório do futuro, com assistente digital inteligente, vídeo-conferência de corpo inteiro e controles do sistema sem uso de mouse, joystick ou coisas do gênero. Voce se mexe e o sistema entende. Minority Report na vida real, ou para os mais velhos – os Jetsons – em 2009. Apesar dessa parte da palestra ter sido uma mega propaganda da Microsoft, todo mundo adorou.

Chris Anderson, dos livros Long Tail e Free, fala no Mixx 09 do IAB

Chris Anderson citou dois exemplos. O primeiro foi o grupo de comédia Monty Python, que cansado de ver seus vídeos pirateados no YouTube, resolveram eles mesmos criar um canal exclusivo do grupo, com tudo de graça. Venderam muito, muito mais DVDs com isso. O outro exemplo é o próprio livro Free. Teve versão grátis (por uma semana) no Kindle, para leitura online, audiobooks grátis. E mesmo tendo muitas versões grátis virou bestseller da versão paga (impresso). É provável que as versões grátis tenham ajudado a vender mais a versão paga, pois gerou atenção, buzz. Chris falou muito isso, ‘atenção’ hoje vale dinheiro, pois é escassa.

Fiquei muito satisfeito em ser “publicado” pelo Blue Bus, que é um site que acompanho e admiro desde 2002, quando estava começando a trabalhar, recém-formado. Julio, obrigado pelo espaço. Marinho, muito obrigado pela ponte.

Escrito em Washington, DC, onde começa amanhã a conferência INC 500. Essa promete muito.

Nizan Guanaes, da África e Grupo ABC, na Casa do Saber

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Assisti há mais de um mês a uma aula na Casa do Saber, com Nizan Guanaes, presidente do Grupo ABC e da agência África. Foi o segundo palestrante/entrevistado do curso Grandes Publicitários. Nizan deu um show. Tem uma energia enorme, literalmente “ocupou” todos os espaços da sala que tinha umas 70 pessoas. Cantou, declamou poemas, falou inúmeros palavrões. Não tentou vender uma imagem de bom moço. Um trator, que faz muito e não tem medo de ser quem é. Achei muito legal. Dizem que não é fácil trabalhar com ele. Acredito. E imagino que deve ser terrível mesmo, se você for “mole”.

Nizan Guanaes tem 51 anos, se considera chato, insatisfeito, inquieto. Fala que trabalha muito, 24 horas por dia. Negócio é negar o ócio. Nizan é filho de libanês e no início da carreira foi radialista. Diz sentir o pulso da audiência. Parece ter uma grande habilidade em perceber o que as pessoas estão sentindo, e mudar se for preciso para deixar sua marca, ou vender o produto do seu cliente. Seus ídolos são: GP Investimentos, Odebrecht, Dorival Caymmi. Gosta muito de trabalhar. Mas gosta também de se divertir. “Sou dono do dinheiro e não o contrário”.

Frases

“Vida é um vôo de tripa a tripa”, sobre a finitude da vida, e a necessidade de se fazer, acontecer enquanto você está aqui. Quando acaba não sobra nada.

“No céu não vou conhecer ninguém”, brincando com a possibilidade de ir para o inferno.

“Luto para que Deus acredite em mim”, ao ser perguntado se acreditava em Deus. São Paulo e São Pedro tinham muitos defeitos e foram eles que fundaram a igreja. Quer ser assim também.

“Minha tradição é mudar”.

“Publicidade compete com as vias urinárias”. Tem que ser muito bom, ele precisa vender o produto no intervalo. Se for ruim, todo mundo vai ao banheiro nessa hora.

“É preciso treinar muito para parecer natural”, Fernanda Montenegro.

“Dinheiro é igual um germe, precisa exterminar”, numa piada (acho que sobre a mulher dele). Gosta de ganhar dinheiro. E gosta de gastar dinheiro.

“Prometo glória, não prometo paz. Vá procurar a Thompson, se quiser paz”, em referencia a outra agência. “Meu slogan é Terrível, mas só contra os insetos”, sobre sua fama de mau, trator. “Sou duro, mas os princípios são bons”.

“Sucesso é uma empresa rentável, que você se orgulhe”. Várias vezes vi ele falando coisas que me lembravam muito o livro Double your profits, que é a bíblia do pessoal do GP. “Sucesso é contra sua natureza”. “A vida é domar a natureza”.

“Sou vulgar, mas minha obra não é”.

“Se você não gosta da segunda-feira, tem problema no trabalho. Se não gosta do sábado, seu problema é no casamento”.

“Acredito em talentos, em time. Talentos que viram sócios”.

“O saber alimenta e atormenta”, sobre o que podemos aprender, como podemos melhorar e como a sensação de que não sabemos nada pode angustiar. Isso acontece demais comigo.

“Na China, quando você se aposenta, vai trabalhar para as crianças”.

“Só é possível viver reinventando a vida”. Tem medo de se acomodar. Medo de se repetir. Roberto Marinho fundou a Globo aos 65 anos. Churchill foi um cara com problemas enormes, muitos fracassos. Teve sucesso só no final da vida. O novo livro do Jim Collins, How de mighty fall, comenta bem sobre Churchill.

“No Brasil, megalomaníaco tem vertigem no primeiro andar”. Falando que pouca gente pensa grande no Brasil. Isso é mal visto aqui. Ele quer sempre um sonho grande. É preciso pensar grande e treinar.

“É preciso colocar a sustentabilidade colocar dentro do modelo de negócios. Minhas agencias não são sustentáveis hoje. Não quero enganar. É muito difícil.”

“Todas as cartas de amor são ridículas”.

“Tudo vai mudar, mas o ser humano continua o mesmo”. Me lembrei do DVD O Poder do Mito.

“Niterói é a nossa Sausalito”. Uma comparação legal, mostrando que aproveitamos mal o que temos de muito bom. Nos EUA, os caras tiram “leite de pedra”.

“Se tudo tá fácil é assalto”. “Se tudo tá fácil, você não está no lugar certo”. “Time campeão está sempre sob pressão”.

“Eu olho a árvore pelo fruto”, sobre como avalia as pessoas, projetos. Sempre pelos resultados. E quer ser avaliado assim, pelo que faz, não pelo que os outros falam dele. “Flamengo não vai ser amado pelo Fluminense”. Ele não se preocupa em agradar a todos. “Não sou medroso”.

“Meu negócio é intervalo, é patrocínio”. Por isso entrou em eventos, como os de moda.

“O Brasil em algumas partes ainda é muito antigo”, sobre querer achar que o Brasil é a cidade de São Paulo, cosmopolita, conectada.

Deixar sua marca

Nizan falou várias vezes da sua vontade de fazer coisas maiores, de deixar sua marca. Além dos negócios visando o lucro, há também o Nizan social. Ele usa o mesmo estilo e sua grande influência e conexões para também fazer muito nessa área. Ajudou a reformar o Convento de Santo Antonio. Tem um programa social na África, com foco em educação contra violência sexual em crianças. Atua com o apoio/parceria da fundação do Bill Clinton.

Educação

“Educação é ditadura”, falando da relação dele com o filho. Força a educação dos filhos. Antonio, seu filho, estuda mandarim “na marra”.

Internet

Depois, quando vendeu a DM9 para a DDB, teve que fazer um contrato “non compete agreement” de dois anos, se afastando do mercado publicitário. Disse “devia ter ido rodar o mundo, que iria aprender muito mais”, mas montou o IG. E aprendeu muito sobre internet. Brincou “achei que iria entrar no programa how to be a millionaire e acabei entrando no Survivor”, sobre a dificuldade de lucrar nesse mercado.

TV ainda vai continuar sendo muito forte para produtos de massa. Internet é importante, mas depende de onde você está no Brasil. “Não copie os EUA, os dados demográficos de lá são muito diferentes do Brasil”, disse.

Negócios hoje

Quando voltou para a publicidade viu que precisava de escala. Tem o foco hoje nos países emergentes.

“As coisas nascem nas periferias, nas garagens”. O BRIC é a periferia do mundo hoje. No bom sentido, onde as coisas estão sendo criadas. Interessante essa comparação entre os BRICs e as garagens de empreendedores, uma boa analogia.

O Grupo ABC tem 17 agencias. Busca a gestão com meritocracia. Tem consultoria do INDG. É fã do GP, da Ambev. Ele quer que o ABC seja o nono grupo do mundo, já que o Brasil é a nona economia do mundo. Hoje é o vigésimo.

Pontos que mais me chamaram a atenção

Tem uma energia altíssima, invejável. Uma das coisas que mais me marcaram e que quero cultivar em mim também. Vontade muito grande, pensa grande, aplica o que sabe, procura aprender com os outros.

Não tem medo de ser ele mesmo. Quer ser ele mesmo no grau máximo.

Tem grande cultura.

Ótimas conexões. Conhece muita gente importante e famosa. Isso abre portas, ele chega “nas cabeças” e pode pedir e pensar grande. Sucesso puxa sucesso.

Mesmo tendo um negócio que é meio arte, com altas doses de criatividade, quer aprender com os melhores de gestão, como GP e INDG. Corta custos no que não é essencial. Mas isso é relativo, pois uma sede é essencial para uma agencia de publicidade. Me lembro de uma matéria da M&M falando da nova sede da Africa. Foco em resultados, pressão, não passa a mão na cabeça.

Nizan é mais do que um publicitário, tem visão de negócios, um empreendedor. Conseguiu ir além da área inicial dele, com muito sucesso. Talvez por isso foi o palestrante que mais gostei, pois consegui aprender e me inspirar mais.

O que levei dessa palestra-entrevista:

  • Seja você mesmo.
  • Pense grande.
  • Deixe sua marca no mundo.
  • Não tente agradar a todos.
  • Busque a excelência.
  • Quem faz muito, vai ter alguns inimigos, vai ter gente torcendo contra. O sucesso é solitário, fracasso é solidário.

Meu sócio, Marcelo Carvalho, que também está fazendo esse curso, escreveu um post, talvez mais completo que esse aqui.

Participei de um viralzinho, sem querer :-)

viralzinho

Há umas duas semanas, participei, sem querer, de um “viralzinho”.

Leo Kuba escrveu um ótimo post sobre empreendedorismo. Eu li e gostei muito. Resolvi escrever um post resumindo os pontos, linkando para o blog dele e colocando minha opinião. No mesmo post linkei para uma outra lista sobre negócios, feita pelo Eduardo Carvalho, no ano passado, que é um clássico. Até aí, nada demais.

O que aconteceu depois? Fábio Seixas leu o post e clicou na lista do Edu. Foi parar no blog dele e gostou demais da lista (que é excelente mesmo). Daí ele colocou no twitter dele, que tem “míseros” 6.700 seguidores. Não é que os leitores do twitter do Fábio gostaram do post do Edu e enlouqueceram de retwittar o link. Daí virou uma loucura, dezenas e dezenas de pessoas retwitaram sobre a lista com 30 dicas para montar um empresa. Várias pessoas blogaram sobre a lista. Foi parar até na página “popular” do Delicious.

Acho que o Edu e o Leo tiveram um aumento muito grande no número de visitas e seguidores no twitter, graças a essa forcinha do Fábio.

Minhas lições dessa experiência:

  • Power users do Twitter, como o Fábio Seixas, tem um grande poder de disseminar informação.
  • Está cada vez mais fácil e rápido de se espalhar informação que você considere relevante ou interessante. Poucos blogam, mas muito twittam.
  • Produzir conteúdo de uma forma que as pessoas gostem de falar sobre, ajuda muito.
  • Informação de qualidade, diferente, especial, memorável tem um poder ainda maior. Não adianta você tentar convencer o Fábio Seixas a twittar seu blog, mesmo que ele twitte, se não for memorável, ninguém vai retwittar.
  • Invista seu tempo, inteligência e dinheiro produzindo esse tipo de conteúdo. Mais cedo ou mais tarde, seu público vai te achar.

O que você pode fazer, depois de ler esse post:

O título do post é uma homenagem e brincadeira com a Espalhe, empresa que admiro e me divirto com as ações deles (a imagem que ilustra também é deles). Você também pode seguir o Gustavo Fortes, sócio da Espalhe.

Anotações do livro "A cabeça de Steve Jobs", de Leander Kahney

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Ganhei o livro A cabeça de Steve Jobs no Natal e até hoje não tinha lido. Já tinham me falado muito bem dele, até que minha psicóloga me contou que estava lendo e gostando. Fiquei curioso com alguns comentários que ela fez, e comecei dia 07-08.

O livro é muito bom, fácil de ler, e com muitas ideias boas. Talvez tenha muita coisa difícil de aplicar, mas valeu a pena.Só não achei que é um livro de liderança, mas de marketing, em forma de reportagem. Não acho que Steve Jobs seja um bom exemplo de liderança, em especial pelo que o livro conta. É um outlier, com estilo muito característico, que deu muito certo. Acho improvável alguém usar o perfil dele como “manual”.

Uma das coisas legais do livro é um resumo de uma página no final de cada página, chamado de “As lições de Steve”. Te ajuda a recapitular o que acabou de ler. Todo livro de negócios deveria ter isso. Li algumas pessoas criticando esse resumo, porque parecia um guia passo-a-passo. Não vi assim, achei bom por ser um resumo. Eu procuro não copiar o que leio, mas usar como inspiração para pensar melhor e como posso aplicar no meu dia-a-dia.

Minhas anotações sobre as ideias do livro.

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Como Jobs pensa

  • Objetivo de Jobs: criar tecnologia fácil de usar para o público mais amplo possível.
  • Na Pixar ele tentou fazer produtos que durassem mais. O filme Branca de Neve, por exemplo, vende até hoje e tem 60 anos.
  • Menos é mais. Ter poucos produtos é uma grande vantagem, facilita para o usuário, fica mais fácil vender cada um, baixa custos.
  • Quando voltou a Apple, fez um orçamento base zero, cortando tudo que não fosse fundamental.
  • Jobs controlava tudo que podia, mas não se metia no que não sabia fazer, como dirigir filmes, na Pixar.
  • Jobs sempre foi atrás das informações, não tomava decisões apenas com suposições.
  • Concentre-se naquilo que você é bom, delegue o resto.
  • Ao entrar em um outro ramo, ou quando precisava de alguém de fora, começava por cima, indo atrás da melhor pessoa “do mundo” para aquela função ou naquela especialidade. Mesmo que não pudesse pagar e as vezes não conseguisse trazer a pessoa. Interessante, mostra o comprometimento, a busca pela perfeição e o desejo de ter as melhores cabeças. Sempre pensou grande.
  • Fez um concurso de design para conseguir o melhor desenho industrial e contratar uma pessoa especial. Seu objetivo era um design que tornasse o produto Apple “instantaneamente reconhecível”. Funcionou.
  • Lançou um computador com um só modelo, como Ford fez com o Modelo T. Muito arriscado, mas que poderia ser um grande sucesso. Ter linhas de produtos muito enxutas sempre foi uma marca da empresa, que parece ser um dos fatores que mais contribuiu para o sucesso. É uma empresa hoje de US$ 30 bilhões com cerca de 30 produtos. Isso nunca aconteceu antes.
  • Em tudo, até mesmo na hora de comprar uma máquina de lavar roupa, só se contentava com o melhor.
  • Jobs pratica o “pugilismo de ideias”. Debate incansavelmente suas ideias. Você precisa ser bom de lábia e argumentação para convence-lo de alguma coisa. Achei interessante e acho que faço isso muitas vezes.
  • Jobs focou muito nos vídeos digitais, quase perdendo o bonde da música online. As lições: até ele erra. E outra, os erros não te afundam, como disse Alexandre Gama.

Sobre a Apple

  • Por um tempo, a empresa tinha produtos ruins, mas a marca forte sustentou a empresa.
  • A Apple quer ser a empresa para quem pensa diferente. Até o slogan diz isso. É um pouco pretensioso, mas muito forte. E tem funcionado muito bem.
  • Os ativos da empresa eram: equipe muito boa e clientes fãs.
  • Foco em poucos produtos que funcionam, com simplicidade. Usabilidade é chave para a empresa. É óbvio, mas poucas empresas de tecnologia conseguem entender isso hoje.
  • Design, facilidade de uso e boa propaganda – pilares do sucesso da Apple.

Simplicidade

  • Fazer coisas simples pode ser bem complexo, demorado, cansativo.
  • Ao desenvolver produtos de tecnolgia, não ser engenheiro ou ter MBA pode ajudar.
  • Quando chegam ao produto final, falam: “É isso aí. Por que fazer as coisas de outra forma?” Quando algo é simples, parece óbvio. Mas dá um trabalhão chegar nesse “óbvio”.

Como desenvolve produtos

  • Insista em ter opções. Faça vários protótipos. Jobs exigia ter várias opções, para escolher a melhor.
  • Essa é polêmica: Não ouça seus clientes, eles não sabem o que querem.
  • Busque a perfeição em tudo que faz.
  • Ao escolher qual produto desenvolver, não é possível fazer isso em grupo. Uma empresa de sucesso tem que ter uma pessoa que saiba “escolher” qual produto desenvolver. E hoje, muitas empresas são dirigidas por comitês. Não funciona.
  • Todos os produtos da Apple são prototipados, testados e refinados. Gostei muito e troquei três tweets com Eric Ries sobre isso ontem.

Mercado de computadores

  • Cada fase dos computadores tinha um programa que tornava o computador essencial. Já foi a planilha, agora pode ser o editor de imagens e vídeo.
  • Eras de ouro do computador: 1-produtividade (Word, Excel, etc), 2-internet e 3-hub digital, local onde toda sua vida digital se encontra (fotos, vídeos, celular, etc).
  • A Apple não vende para empresas, que é o foco da Microsoft. Não vende PCs como as outras empresas, com foco em custos cada vez mais baixos. Por isso acaba criando um novo mercado, não competindo diretamente com HP, IBM, Dell, etc.

Design

  • Design é função, não forma.
  • A embalagem pode ser tão importante quanto o produto, o “tirar da embalagem” deve ser previsto e estudado.

Luxo

  • Lendo o livro, me lembrei de uma frase do Rogério Fasano que gosto muito: luxo é cuidar dos mínimos detalhes.

Marketing

  • Uma campanha publicitária é um sucesso quando se torna um evento cultural. Surgem paródias, imitações. As pessoas falam sobre essa campanha.
  • As pessoas que são loucas o suficiente para pensar que podem mudar o mundo, são as que mudam o mundo, dizia um dos anúncios da Apple.
  • Anúncios precisam ser inclusivos e envolventes.
  • Fórmula secreta: tecnologia e marketing.
  • Transformou eventos em notícias.
  • Marketing é no final das contas uma peça teatral.
  • As campanhas de marketing da Apple combinam boatos com ações tradicionais, com um sincronismo perfeito, planejado.
  • Crie expectativa em relação a seu produto.
  • A Apple é um show em relações públicas. Investe em publicidade, mas gera milhões em mídia espontânea, pois seus produtos são notícia.

Trabalhando com Jobs e na Apple

  • Não é fácil trabalhar para Jobs. Ele grita, exige muito. É preciso ser um guerreiro e ter uma auto-estima muito boa. Além disso, as pessoas trabalham muito.
  • Para contratar o CEO da PepsiCo, perguntou: “Você quer vender água açucarada pelo resto da vida, ou quer mudar o mundo?”. A Apple era muito, muito menor e menos “estrela” que a Pepsi na época. O cara aceitou. Um insulto, um elogio e um desafio filosófico ao mesmo tempo.
  • Na Pixar, “a arte é um esporte de equipe”. Promovia cursos sobre diversos assuntos, para todos os funcionários, do diretor ao faxineiro. Implantou uma forte cultura de aprendizado, além de ter como regra básica só contratar pessoas “nota 10″.
  • Para manter uma equipe nota 10, sendo exigida ao máximo: aprendizado, diversão, ambiente de trabalho (local) e $$ (stock options).
  • Mais de uma vez no livro, alguém fala que Jobs ligou o “Campo de Distorção da Realidade”, uma forma engraçada de descrever quando Jobs usava toda sua persuasão e charme para conquistar uma pessoa para a empresa. Fez isso com funcionários e parceiros chave, como por exemplo, fazer com que a Microsoft desenvolvesse o Office para Mac.
  • Contrate só nota 10. Demita os idiotas. Só quem é inteligente e psicologicamente forte “sobrevive” na Apple. Jobs se parece com um pai exigente e difícil de agradar.

Senso de missão em tudo que faz

  • Em tudo que faz, há um sentido de missão.
  • Todos na empresa acham que a Apple está mudando o mundo, pelo menos um pouco. A empresa tem um pique incrível. “Noventa horas por semana, e adorando” era o slogan da equipe Mac.

Estilo controverso de liderança

  • Jobs inspira e força as pessoas a performarem muito acima de sua capacidade. Com isso, as pessoas sofrem, se cansam, mas se lembram da experiência como algo muito bom, muito positivo. Ele é intimidador, mas as pessoas o admiram. Ele intimida e seduz, alternadamente, um balanceando o outro.
  • “As pessoas reagem ao medo e não ao amor. Isso não é ensinado no catecismo, mas é verdade.” Richard Nixon
  • Jobs é muito bom no teatro. E muitos líderes famosos faziam isso. O general Patton ensaiava sua “cara de general” no espelho.
  • Saiba brigar é uma das lições que tiro do livro. Quem não briga nunca, perde muita coisa. Ninguém vai te dar o que é seu. É preciso que você vá pegar o que é seu de direito.
  • Dê alguns chutes nos traseiros para que as coisas andem melhor.

Inovação

  • Inovação depende muito mais de equipe, motivação e de quanto você entende do assunto que do seu orçamento. A Apple investe menos em R&D e inova mais.
  • Não fazem “cursinhos” de inovação. Não tentam estruturar a inovação. Não tentam achar as “5 regras” da inovação. A Apple inova de forma mais natural.
  • A inovação que dá mais dinheiro é a inovação de modelo de negócios, e não a de produtos. Por isso o iPod é tão lucrativo. Não é um player de MP3, mas um “ecossistema” com player, iTunes, e loja de música. Tudo interligado.
  • O sistema é que não há sistema. Processos aumentam sua eficiência.
  • Para inovar: saber qual seu mercado alvo, estar aberto a novas ideias, estar atualizado, ser flexível, aprender sempre, centrado no consumidor.

Estratégia

  • Resolva o problema do seu cliente, de forma simples e eficaz. Muitas tecnologias a venda atualmente são soluções a procura de um problema.
  • Interessante que Jobs cita como exemplos de insucesso a subida de Steve Ballmer na Microsoft. Ele é o cara de vendas, que manda na empresa. Com isso diminui a inovação. O foco é “ordenhar” o máximo cada produto. Não há coragem em abandonar produtos atuais e favor de novas promessas. Admiro o Steve Ballmer, mas achei que faz sentido.
  • A meta primária da empresa é fazer ótimos produtos.
  • Nunca tivemos vergonha de roubar grandes ideias. Muito interessante que eles não têm medo de pegar coisas que funcionam, de outras empresas. Não têm a síndrome de evitar tudo que é “not invented here”, que acontece em muitas boas empresas e bons profissionais.
  • Apple não vende mais computadores (hardware). Vende hardware, software e serviços. Tudo num pacote só, amarrado. Vende a solução. Vende experiências digitais e não mais produtos.
  • O foco é o entretenimento digital e não o computador para empresas.
  • É difícil dizer não quando todos dizem sim, mas para a Apple se pagou. Com foco em poucos produtos, conseguiram se dedicar muito a desenvolver cada um. Foi um dos pilares da retomada da empresa.
  • A estratégia atual da Apple é ser o hub da vida digital do consumidor. De forma simples e eficiente. O iMovie multiplica o valor de uma filmadora.
  • Apple pratica o abandono audacioso de produtos.

Criatividade

  • Criatividade é apenas conectar as coisas.
  • Quanto mais experiências diferentes você tem, mais provável que consiga ter boas ideias.
  • Jobs leva sua equipe a museus. Quer sair do quadrado.
  • Criatividade tecnológica e artística são dois lados da mesma moeda.
  • Land, fundador da Polaroid, “Quero que a Polaroid se coloque na interseção da arte e da ciência”.

Lojas Apple

  • Lojas Apple buscaram a inovação na experiência, com foco na compra pelo cliente, não visando otimizar vendas.
  • A loja da Apple é muito sedutora.
  • O serviço faz toda diferença.
  • A loja é uma ótima oportunidade de se ter contato direto com o público.
  • O objetivo é ter a melhor experiência de compra.
  • Ninguém acreditou na estratégia de varejo da Apple. Mas tinham contratado as melhores pessoas do setor e feito um protótipo de loja inteiro dentro de um galpão e estudado a exaustão. Inclusive descobriram que estavam no caminho errado e mudaram de rumo. Não tem medo de sunk costs.
  • No varejo que manda são três coisas: localização, localização e localização.
  • “Como não temos produtos suficientes para encher uma loja desse tamanho, vamos enche-la com a experiência de possuí-los”.
  • A visão que direcionava a estratégia das loja era: enriquecer vidas. Muito ousado, como tudo na Apple.
  • A questão não é ter muitas opções, mas ter as opções certas.
  • A loja não é separada por zonas de produtos, como é comum no setor, mas por zonas de soluções.
  • Criaram um balcão (Genius Bar) para suporte, usando o conceito de balcão de hotel, onde você chega e resolve seu problema rápido. Essa ideia veio de um grupo de foco.
  • Os vendedores não recebem comissão. O objetivo é não forçar vendas, que geram resultados no curto prazo. Querem que a venda seja o primeiro passo de uma relação e não o último. Criaram cargos diferenciados, para dar status para os melhores vendedores. O mais top é o Mac Genius. Como diz Bob Fifer, cargos são baratos. A rotatividade é de 20%, quando o normal é de 50%.
  • A loja quer ser high touch e não apenas high tech. O foco é o ser humano.

Música online

  • iTunes domina 80% do mercado de música online.

iPod e seu ecossistema

  • O iPod não foi “inventado” do nada. Era um Nomad Jukebox com todas as falhas corrigidas e outras melhorias. Além, é claro, da loja online e do iTunes para o computador. Muitas coisas do iPod foram copiadas de outros produtos, de diversas fontes, como o HotSync do Palm. Foi uma junção de muitas ideias boas, em um pacote só. Essa é das coisas que mais me anima, quando alguém cria algo genial, só juntando peças soltas.
  • iPod é o meu casulo. Interessante, onde você pode se refugiar, na sua música, nas suas escolhas. Se desligar da bagunça do mundo, do dia-a-dia.
  • O iPhone só teve todo esse sucesso pois já existia todo o ecossistema do iPod (iTunes, loja online, etc).
  • iPod é uma isca para usuários Windows.
  • Computador é estilo de vida e não apenas trabalho. Estou tentando :-)

Sistema fechado

  • Ter um sistema fechado tem muitas vantagens, como menos vírus, menos incompatibilidades, etc.

De onde vem tanto sucesso?

  • Uma combinação especial de tecnologia, talento, negócios, marketing e sorte.

O que tirei do livro, o que aprendi e quero aplicar na vida e nos negócios:

  • Acredite em você, seja até um pouco teimoso.
  • Não tente ser bonzinho, tente ser você, na sua magnitude.
  • Foque o cliente, foque a simplicidade. Resolva problemas.
  • Design e experiência do usuário é mais importante que tecnologia pura.
  • Equipe nota 10 e clientes fiéis é dificílimo copiar e conquistar.
  • Todo mundo erra, até mesmo o Steve Jobs. Não tenha medo de errar, mas busque sempre corrigir rápido e aprender o que puder com cada queda.

Minha relação com a Apple

Ganhei um iPhone 2G ano passado, que gosto muito (apesar da tela hoje toda quebrada por uma queda sem case). Aprendi muita coisa com ele – usabilidade, simplicidade, etc. É totalmente diferente de qualquer celular que já tive.

Esse ano comprei um iPod nano nos EUA para usar o Nike+. Outra aula de design, simplicidade e usabilidade.

Nessa mesma viagem aos EUA fui de novo a uma Apple Store. É uma experiência incrível. Você pode experimentar, degustar os produtos realmente. Mexa em fotos, edite vídeos (esse ainda quero aprender bem) e veja seus emails. Ninguém vem te incomodar, empurrar nada. Você pergunta alguma coisa, os caras te explicam com a maior boa vontade.

Agora em setembro vou aos EUA de novo e quero comprar um notebook top de linha da Apple. Ler esse livro aumentou minha vontade de comprar, em especial pela questão dos vídeos que quero aprender a fazer muito bem rápido.

Por outro lado, começam a aparecer pessoas que eram fãs e agora estão fazendo campanha contra, como o Jason Calacanis. Ele tem pontos muito bons, que fazem ainda mais sentido ao ler esse livro.

Talvez essa busca por controle (excessivo) traga problemas para a Apple logo logo. Novas empresas entram no mercado, cada vez mais entendendo o consumidor. O Techcrunch, por exemplo, vai lançar um tablet, que promete ser mais barato, open source e excelente. Usabilidade, funcionalidade, sistema aberto e preço baixo. Um novo tipo de concorrente, que vai incomodar. Esse tipo de concorrente (não convencional) é que vai aparecer cada vez mais.

Veja também dois posts sobre o livro, do Julio Daio Borges, do Cris Dias e do Tiago Doria. Veja também o site oficial do livro, edição brasileira.

Escrito em Trancoso, BA, de férias. :-)

Para contratar o CEO da PepsiCo, perguntou: “Você quer vender água açucarada pelo resto da vida, ou quer mudar o mundo?”. A Apple era muito, muito menor e menos “estrela” que a Pepsi na época. O cara aceitou. Um insulto, um elogio e um desafio filosófico ao mesmo tempo.

Palestra do @MarceloTripoli no #EBP2009 e vídeo #ThinkSuccess

Assisti sábado da semana passada uma palestra rápida e muito boa do Marcelo Tripoli, da agência IThink, no evento #EBP2009. A palestra foi muito boa e me deu várias ideias de novos produtos e mudanças no meu negócio.

Veja os slides, onde o ponto principal é a tese (que concordo) que o digital não é mais uma disciplina a parte. Precisa ser tratada como totalmente integrada na vida das pessoas e é claro nas campanhas de marketing.

O que me chamou a atenção:

  • numa economia lenta, mais rápido a web ganha força na comunicação
  • vídeo online se torna cada vez mais importante
  • faça uma campanha com web e use mídias offline como reforço, não o inverso
  • propaganda precisa criar valor para o usuário
  • cada vez mais as pessoas ignoram a publicidade que não agrega (não educa ou não diverte)
  • pensando em comunicação como: serviços, entretenimento, conteúdo

Por acaso, assisti agora também um vídeo preparado pela iThink, para um evento deles chamado Think Success. Assista o vídeo, que é um resumo legal do que foi apresentado na palestra.

Alexandre Gama, da Neogama, curso Grandes Publicitários na Casa do Saber

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Assisti na semana passada a primeira aula do curso Grandes Publicitários, na Casa do Saber, com Alexandre Gama, da agência Neogama. O organizador do curso e entrevistador é o também publicitário Celso Loducca, da Loducca. Escrevi um rápido post com meus motivos para fazer esse curso.

Fiz uma série de anotações em mapas mentais rascunhos, que é a maneira que mais gosto de escrever em reuniões e palestras. Escrevo para me lembrar depois e escrevo para me lembrar na hora. Acredito que penso melhor, presto mais atenção e capto mais os pontos importantes quando anoto.

Abaixo, Alexandre Gama, por ele mesmo, com meus pitacos.

Estilo pessoal:

  • Sou tímido, competitivo e curioso.
  • Sou mais injusto comigo mesmo, do que com os outros.
  • Aos 17 anos, praticava 6h por dia de violão.
  • Muito medo de ter o rabo preso. De dever favores, de poderem jogar na minha cara. Minha ética vem mais do medo.
  • Sou cada vez mais impermeável ao que os outros acham de mim.
  • Quero ser o melhor em cada função que faço.
  • Não sou o líder ideal. Sei que não dou muita direção. Não fico em cima. E não dou conforto.
  • Se fosse dar um conselho para ele mesmo, quando mais jovem: “pega mais leve…” Não colou, pelo menos para mim.
  • Quero ser o “ghost in the machine”, que muda as coisas, por dentro, sem que a máquina perceba.

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Agências:

  • A coisa mais difícil é entrar em uma agência, a segunda é ficar. :-)
  • Uma “grande mentira é: entre na função que der, depois, lá dentro, você muda”.
  • Prêmio é uma escada que te ajuda no começo, mas não é tudo.
  • Nas perguntas contou a história do garoto que foi na agência e gravou um vídeo dizendo “eu quero trabalhar aqui..” e com isso ganhou um estágio lá. Disse: foi um bom comercial de de 30″, chamou a atenção, agora precisa provar que é um bom produto.

Publicidade:

  • Sobre o poder (maléfico) da publicidade: é apenas uma ferramenta. Quem deve levar a culpa, a mão que usa, ou a ferramenta que é usada?
  • Nossa sociedade é de consumo. Tudo é baseado no consumo. A publicidade é uma parte disso. É preciso criticar, discutir a sociedade, daí passar pela publicidade. E não o inverso.
  • “Não faço publicidade, eu tenho ideias”. Eu achei meio batido.
  • O Bradesco apareceu muito mais quando focou num tema só (Banco do Plantea), gastando a mesma coisa.

Dicas sobre carreira, para publicitários:

  • Pouca gente dá valor ao texto. Escrever bem é pensar bem.
  • Bom redator é um bom planejador.
  • Para escrever melhor é preciso ler melhor (e mais) e escrever mais.
  • Não me dê liberdade, me dê foco. O poder da escassez.
  • Quem não tem nada, não tem nada a perder. Pode arriscar tudo.

Internet

  • Internet é apenas uma ferramenta dentro da caixa de ferramentas. Pareceu ainda não ter comprado a ideia de que a internet está mudando e muito a vida das pessoas. E que vai mudar muito ainda. Deu um exemplo de uma campanha só pela internet que não vendeu carros. Mas não disse quando, nem como. Achei estranho. Talvez uma forma de contar que outra agência não entregou e eles sim.

Ideia prima e War Map

  • Procura criar para cada cliente uma “ideia prima”, que posiciona, diferencia a empresa, que desloca a concorrência.
  • Junto entrega um “War Map” com as ações a serem tomadas.
  • Gostei desses dois conceitos, mas deve ser difícil que isso funciona na prática mesmo. Um dos clientes deles é a TIM. Mesmo com um war map e uma ideia prima, me parece que é uma empresa, n oserviço, atendimento, etc, muito parecida com a Claro e Vivo.

Empreendendo:

  • Fundou a Neogama em 99-00, em plena desvalorização cambial.
  • Qual o valor de uma agência quando a economia pára? Muito pouco. Mas decidiu ir em frente: pau na máquina.
  • Há uma grande diferença entre o bravo e o corajoso. O bravo é aquele que enfrenta, sem saber o tamanho da encrenca. O corajoso é aquele que calcula, avalia, conhece, e mesmo assim enfrenta o problema. Gostei muito dessa parte, e vi que muitas vezes sou mais bravo do que corajoso, que é mais difícil (e mais eficiente). :-)
  • O Brasil é uma montanha russa. O brasileiro bom é aquele que entende isso, e entra nesse jogo, aproveita, aprende e ganha. É aquele que compra o ingresso da montanha russa.
  • Nosso primeiro posicionamento foi: tirar o máximo do mínimo. Dar resultado.

Sobre sucesso, fracasso e persistência:

  • Nenhum fracasso determina seu destino. Não acaba com você. Sabendo disso fica mais fácil passar por cima dos erros.
  • O medo do fracasso muitas vezes é o medo do julgamento dos outros.
  • No início, pensava com freqência: “hoje vão me desmascarar… hoje vão descobrir que não sou genial…” :-)
  • Vencer não é o contrário de perder, mas de desistir.
  • Sucesso é fazer o que te dá muito prazer e você faz muito bem. Não fiquei muito rico, apenas me casei uma vez só. Uma piada com o Loducca, que parece ter várias ex-mulheres (que são para sempre, como me disse um amigo certa vez).
  • Se programou para cada etapa de sua carreira. E isso ajudou.
  • Acredito no talento, mas é preciso suar. O cérebro, o talento é como um músculo, que precisa ser exercitado, para melhorar.
  • Quando você não desiste, o mundo desiste de você. Daí vem o sucesso.
  • Tem gente que tem medo de mostrar seu trabalho. Quem não tem esse medo, chega mais longe.
  • Quero fazer coisas grandes. Porque posso. E porque devo.

Sustentabilidade:

  • Lucro é a mola do capitalismo. A sustentabilidade precisa se estabelecer usando o lucro como mola, como impulsionador.
  • Falou várias vezes sobre sustentabilidade, sobre seu interesse nessa área. Parecia até que iria montar uma nova empresa. Que iria se tornar um empreendedor social, ou algo do gênero.
  • Mas achei que ele estava equivocado, que ainda não entendeu o conceito. Deu um exemplo do “bolsa floresta”, onde um amazonida recebe um bolsa família se preservar a floresta de sua pequena propriedade.

Agência como empresa:

  • Nas perguntas, fui o primeiro, e mandei: “como você faz para separar e reforçar sua imagem pessoal e de sua empresa, e para que um ajude o outro?”
  • Com base na resposta, penso que a agência dele parece ser mais um “gênio com mil ajudantes” do que um “exército de generais”, para usar uma expressão do Jim Collins.

Meus comentários

  • Extremamente criativo e bem sucedido, mas focado em criar sua empresa, com seu nome. A empresa parece ser uma forma de ampliar a pessoa, o brilhe dele (que é grande).
  • Falou muito sobre sustentabilidade, mas me pareceu compreender pouco profundamente o tema, que exige uma mudança estrutural nos negócios, exige um foco no longo prazo, exige muitas vezes mudanças que vão contra as fontes atuais de lucro da empresa. Sustentabilidade é muito mais do que uma campanha, ou do que fazer tudo em papel reciclado.
  • O que mais gostei: persistência, acreditar em si mesmo, planejamento, talento + suor. Quem vai longe não tem medo de parecer bom.

Meu sócio, Marcelo Carvalho, também está fazendo o curso e escreveu um post com as impressões dele. Interessante que optei por ler só depois de escrever a minha, e ficou bem diferente o formato, mas com vários pontos em comum.

O que testar no seu site, um guia da @HubSpot

inbound-marketing

A empresa americana HubSpot é uma das minhas referências favoritas na web, para conteúdo sobre marketing online. Eles defendem uma nova forma de “marketear” seus produtos e sua empresa. Ao invés de ficar martelando os outros com anúncios, você deve criar conteúdo que atrai seus clientes. “Seja encontrado” é o mantra deles. E eles vendem uma série de serviços sobre como fazer isso bem usando a internet.

Assisti essa apresentação no Slideshare e gostei muito. Me deu dicas muito boas de como melhorar meu negócio.

Veja minhas principais anotações:

  • Se você tem pouca grana, precisa usar melhor seu cérebro. Um pode compensar o outro.
  • O básico do Inbound Marketing” é:  1-seja encontrado, 2-converta esse encontro num cliente
  • mídias sociais podem te dar alavancagem (sem bem usada)
  • teste, comparando resultados

Dicas para melhorar conversões do seu site:

  • crie urgência
  • use números
  • diga o que você quer que a pessoa faça
  • use imagens
  • use cor para diferenciar/destacar o que você quer que pessoa faça/clique
  • simplifique sua página, encurte seu formulário de contato (não peça informações demais na primeira vez)

Eles usam duas imagens para ilustrar a comparação entre marketing tradicional e inbound marketing (também chamado de novo marketing):

  • uma marreta para o marketing tradicional (interrupção, força)
  • um imã, um magneto para o novo marketing (permissão)

Em uma outra palestra no slideshare, o pessoal da HubSpot usou uma frase muito interessante:

Pense como você fosse um editor, não um anunciante.

Ou seja, não adianta martelar demais, é preciso que seu conteúdo seja de interesse de quem vai ler.

Vou fazer o curso Grandes Publicitários, da Casa do Saber

Começa agora em agosto um novo curso na Casa do Saber – Grandes Publicitários. No mesmo formato do curso Grandes Executivos, que fiz o ano passado e gostei muito. Esse curso terá 6 convidados, Celso Loducca será o entrevistador.

Acho que será muito interessante e me animei a fazer pelos seguintes motivos:

  • Conhecer, aprender e entender com publicitários extremamente bem-sucedidos.
  • Entender mais sobre o “meio” agências de publicidade.
  • Conhecer pessoas inteligentes com interesses similares aos meus
  • Me divertir e me entreter conhecendo mais sobre a vida profissional, que deve ter algumas passagens engraçadas.
  • O curso anterior foi muito bom: gente inteligente, bom humor, aprendizado e boas conversas antes, durante e depois do curso.

Começa dia 4 de agosto. Veja quem são os convidados:

  • Alexandre Gama. Publicitário. É diretor de criação, sócio e presidente da Neogama/BBH.
  • Nizan Guanaes . Publicitário, diretor da agência África, presidente e diretor de criação da agência DM9DDB.
  • Marcello Serpa. Publicitário. É sócio e diretor geral de criação da AlmapBBDO.
  • Washington Olivetto. Publicitário e criador da agência W/Brasil.
  • Roberto Justus. Publicitário e empresário. É CEO do grupo Newcomm e vice-presidente da Y&R. Dirigiu o programa “O Aprendiz”, da Rede Record.
  • Fabio Fernandes. Publicitário. É presidente e diretor de criação da F/Nazca Saatchi & Saatchi.

Interessante a palestra sobre mídias sociais e boca-a-boca, do @rcassano

Assista ao slideshare abaixo, do Roberto Cassano, apresentado no event o#SMBR.

Achei muito interessante o último slide, que reproduzo abaixo.

Questões que afetam a usabilidade de uma campanha:

- Custo “Pequeno Príncipe” – Vou ter que cuidar?

- Custo tempo – Vou ficar preso?

- Custo social – O que vão achar disso?

- Custo cadastro – Mais um!?

- Custo “bipolar” – Quantos perfis posso ter?

- Custo login – Mais um cookie e eu engordo!

- Custo BBB – Não é exposição demais não?

Achei interessante e fácil de entender, fazendo essas perguntas acima. A primeira é a mais importante – você tem que cuidar, para dar certo.

Inbound marketing

Ótimos vídeos e slideshare sobre inbound marketing. Veja o curto vídeo e depois assista ao slideshare.

As dicas de como preparar vídeos para internet são bem interessantes. Vou usar mais daqui em diante.