
Na sexta-feira, participando de um evento organizado pela AgriPoint, sobre associações de pecuaristas, falei sobre um grupo de empreendedores que participo, que se reúne uma vez por mês e é uma excelente forma de aprendizado para mim. Fiquei impressionado, várias pessoas vieram conversar comigo sobre isso, perguntar, saber como funciona, etc. Esse post é minha explicação dos motivos, formato e aprendizado desses quase 2 anos de GEMP. Espero que sirva de inspiração para você.

Tenho lido bastante ultimamente sobre essa longa discussão sobre o fim dos jornais, sobre blogueiros x jornalistas. Alguns comentários pessoais sobre esses temas.
Os jornais vão morrer. Não porque não sabem fazer notícias, mas porque estão no negócio errado. Ainda estão no negócio do papel/impressoras, da distribuição milionária (você já imaginou o trabalho que dá fazer chegar um jornal na sua casa as 06:00hs da matina todo dia?), do controle/monopólio da informação. O mundo hoje é outro (ler abaixo). Parece que nem a Wired percebe isso.
A notícia, a reportagem, o jornalismo vão crescer ainda mais. Um ótimo exemplo é o site Techcrunch. Era chamado de blog, não sei como definir um blog, um site, um portal. Os caras tê um staff relativamente grande e de excelente qualidade. Fazem conteúdo top, como ninguém na área deles. Vendem publicidade, fazem eventos. Têm uma comunidade de pessoas que acompanham e adoram o trabalho deles. Não sei o que vai acontecer com o negócio mídia, publicidade, etc. Eu apostaria que o Techcrunch vai continuar fazendo sucesso. Um novidade, os caras estão estudando lançar uma versão de kindle – ipod touch – netbook. Com a cara deles, e que vai funcionar animal (minha opinião). Enfim, é uma empresa antenada no que acontece hoje no mundo, não tapam o sol com peneira.
Jornalistas bons são raros. Tenho dado várias entrevistas sobre o Kindle. Acho que sou um dos poucos brasileiros que tem um, que escreve bastante sobre isso, logo muita gente me acha fazendo uma busca no google. Em várias entrevistas que dei a jornalistas, teoricamente especializados em tecnologia, as perguntas foram básicas demais. Se tivessem lido 1-2 posts que escrevi, teriam muito mais info do que obtiveram fazendo perguntas rasas. É claro, há exceções.
Jornalistas “top” ainda fazem a diferença. Ler uma Miriam Leitão, Dora Krammer, Noblat, faz a diferença. Eles entendem do assunto, têm acesso direto e livre com as pessoas mais importantes. Têm experiência. Com isso, conseguem produzir textos que valem a pena ler, mesmo quando temos pouquíssimo tempo (quase sempre). Meu hábito de ler jornal é cada vez mais restrito a ler as análises dos colunistas que gosto. Ler matérias e mais matérias que me parecem enche linguiça, escrito por alguém que entende pouco do assunto, não me satisfaz. Talvez por isso cada vez menos gente boa leia jornal. Um exemplo disso é o Eduardo Giannetti da Fonseca, que diz preferir ler The Economist e ouvir rádio quando faz a barba ou está no táxi. Minha avaliação: para escrever tem que entender muito do assunto e pesquisar muito. Coisas básicas, que a “falta de tempo” parece impedir. O Noblat, por exemplo, deu uma palestra incrível esse ano na Campus Party.
Blogueiros bons escrevem sobre o que gostam (e isso conta muito). Logo, entendem muito mais sobre o assunto. Tenho um amigo, que foi cobrir um evento da HSM como blogueiro. Ele disse: em dez minutos de palestra com o Philip Kotler, a lenda viva do marketing, todos os jornalistas tinham ido embora. Iam fazer uma matéria “cobrindo” o evento, com conteúdo do press-release e com uma “aspas” que pegaram no início da palestra. Esse meu amigo ficou a palestra inteira, anotou tudo, refletiu sobre o assunto. Qual produzirá o melhor artigo?
A internet está mudando todos os negócios ligados a conteúdo. Filmes, música, livros, jornais, revistas e rádio. Tudo está ameaçado, especialmente se negar a realidade e acreditar em duendes. Quanto mais tempo as empresas gastarem tempo, esforço e dinheiro tentando reverter o que é irreversível, pior será. O negócio do jornal não é papel, da música não é um pedaço de plástico redondo. É o conteúdo e a relação desse conteúdo com as pessoas e entre essas pessoas.
Chato. Acho chato porque acredito que a maioria das pessoas não conseguiu entender o ponto de vista do outro lado, se repete muito as mesmas coisas. Como um bom mala, resolvi entrar nessa. :-)
Para ir além:
- Texto do Julio Daio Borges sobre o fim dos jornais. Essa é uma referência, quase definitivo, e cheio de links ótimos, para você se aprofundar. Se eu tivesse que ler só um texto sobre o assunto, leria esse.
- O Kindle – Ipod – Netbook do Techcrunh.
- Meu texto sobre livros e editoras.
- Meus posts sobre o Kindle.

Acabo de ler um post do blog Think Simple Now, sobre como trabalhar 4 horas por dia e produzir muito. Tem umas dicas interessantes.
O que mais gostei:
- Esforço não é igual a resultado. Não calcule quantas horas você trabalhou, mas o que produziu.
- Marque seu progresso. Anote o que você produziu, entregou. Fica mais fácil comparar e se convencer, quando você tem números concretos.
- Tenha uma lista de metas do dia. E uma lista de metas da semana. Sempre a mão com essas duas listas. Quando terminar a lista do dia, pare de trabalhar.
- Entenda que trabalho é produção e não horas no escritório. Twitter e Facebook não contam. Pesquisas pela web também não contam, na maioria das vezes. :-)
Me lembrei de um dos primeiros conceitos do livro “7 hábitos de pessoas altamente eficazes”, que é: comece com o objetivo em mente. Se você consegue visualizar onde quer chegar, fica mais fácil, pois com certeza terá planejado melhor e provavelmente vai entregar mais.
Outro livro que me lembrei, e é citado no post, é o famoso nos EUA: 4HWW, de Tim Ferris, que recomendo. Sobre produtividade, estilo de venda e empreendedorismo.
Vou tentar aplicar esses conceitos, com o objetivo de passar de 10-11 horas por dia, para 8 horas. Esse esquema de 4 horas, não é para empreendedor. :-)
A dica do post, pelo “share” do Google Reader, foi do Marcos Rezende.
Dica: se você se interessa por gestão do tempo, recomendo o blog Mais Tempo, do Christian Barbosa.

Depois de um longo período sem escrever sobre a viagem aos EUA, para participar da #w2e, inicio uma série de posts relatando as melhores palestras que assisti no evento.
Kristina Halvorson - Estratégia de conteúdo
A palestra da Kristina me surpreendeu. Entrei meio que por acaso e fui gostando cada vez mais, a cada slide. Ela falou sobre estratégia de conteúdo.
Assistindo, me lembrei que a maioria dos sites de empresas erra feio no conteúdo. Isso acontece porque quase ninguém tem o conhecimento e o método para fazer um bom conteúdo de um site e também porque é difícil fazer bem feito.
Mentiras que contamos a nós mesmos:
- conteúdo não é “tão” importante assim
- nós já sabemos bem o que desejamos comunicar
- a maioria do conteúdo já está produzido
- podemos lançar assim mesmo, depois vamos corrigindo
É incrível como já ouvi as frases acima. E só de olhar, já dá para imaginar vários sites que tiveram problemas por acreditar nos tópicos acima.
Estratégia é um plano para se chegar em um determinado objetivo. O que estratégia de conteúdo?
Planejamento para criação, publicação e gerenciamento do conteúdo. Parece simples, mas não é. Imagine que um site sempre vai ter coisa nova, e de vez em quando alguma coisa velha, que pode ser retirada. Se você deixar, vai virando um “balaio de gatos”.
Ela cita uns exemplos engraçados:
- artigos técnicos
- blogs de funcionários
- um canal no youtube
- o CEO com uma conta no Twitter
O problema não está nos itens acima (que podem ajudar muito), mas em fazer tudo isso sem um plano, sem uma linha mestra. Parece simples demais falar nisso, mas eu acho que quase nenhuma empresa faz um plano de conteúdo.
A pergunta é não é apenas “qual conteúdo?”. É preciso incluir: para quem, por quem, quando revisa, quando atualiza, etc.
Na palestra, apresentou uma definição interessante de Web 2.0.
Web 2.0 não é:
- Flickr
- YouTube
- Wikipedia
- Blogs de funcionários
- Fóruns
Web 2.0 é conteúdo:
- encontrável, pesquisável
- fácil de encontrar, pois links te guiam
- atualizado frequentemente e de forma fácil
- categorizado por tags
- facilmente divulgado por RSS, etc
Como isso funciona:
- Produtos
- Processos
- Pessoas
Seu conteúdo web deve trabalhar para você, ou seja, te ajudar a chegar nos seus objetivos, mas também deve trabalhar para seu cliente. Na apresentação ela mostra um mau exemplo (Quicken) e um bom exemplo (Mint).
Para atingir seus objetivos e dos seus clientes, é preciso ser:
- útil
- fácil de usar
- agradável, interessante
Ela usou várias vezes as quatro palavras a seguir, para dar ênfase a 4 fases do trabalho de produção de conteúdo:
- Planeje
- Produza
- Publique
- Gerencie
Uma das coisas bacanas e fáceis de implementar foi uma planilha com uma listagem de todos os conteúdos de uma empresa.
Finalizando, ela tenta mostrar que o conteúdo web é (e será cada vez mais) de extrema importância para sua empresa. Precisa ser tratado como um ativo estratégico.
Recomendo assistir e refletir sobre os slides abaixo, em especial se você produz algumtipo de conteúdo para web.

Fiz, na sexta a tarde, uma palestra para o pessoal da ArmRebel, sobre minha experiência pessoal de aprendizado nas áreas: conhecimento, relacionamento e auto-conhecimento.
Foi uma oportunidade interessante e uma forma de rever conceitos e ideias minhas a respeito de como aprender, como aplicar o que aprende, e principalmente como viver melhor.
A palestra teve como título “Como se manter atualizado, sem se perder, e ainda ser feliz…” e o subtítulo “Se alguém souber, me conte…”
Abaixo um pequeno resumo do que apresentei por lá. Em breve eles vão colocar um vídeo com a palestra na íntegra.
Conhecimento
1- Leitura de livros
Gosto muito de ler e isso tem me ajudado muito a aprender mais. Acredito que livros são um dos investimentos com melhor custo benefício em relação a dinheiro investido e retorno em conhecimento.
Algumas de minhas sugestões:
- Arte do começo
- Execução
- Amor é a melhor estratégia
- Feitas para vencer
- A arte de fazer acontecer
- Tríade do tempo
- Dedique-se de coração
2- Leitura de blogs
Uso o Google Reader para acompanhar blogs que gosto, inclusive o BizRevolution, do Ricardo Jordão. É uma maneira fácil e prática de se atualizar dos seus interesses, tudo em um só lugar. Às vezes, quando acumula, “marco tudo como lido” e deixo recomeçar.
3- Audiolivros
Comecei a usar audiobooks recentemente e tenho gostado muito. Aproveito muito melhor o tempo que passo dentro do carro, viajando ou no trânsito. No ano passado, por exemplo, escutei o livro “Mundo é plano” em apenas uma semana.
4- Twitter
Muita gente critica e poucos entenderam como funciona. Eu gosto, pois me dá acesso a links e novidades de pessoas muito inteligentes e antenadas. O segredo, difícil de seguir, é acessar 1-2 vezes por dia, no máximo. Me “siga“.
5- Palestras
Fazer palestras requer uma preparação enorme. Por isso te ajuda a aprender muito, até sobre coisas que você já sabe. Preparar essa palestra foi muito bom, pois me forçou a refletir sobre meu dia-a-dia, como estudo e como uso meu tempo, na vida pessoal e profissional. Pela primeira vez, coloquei uma foto do meu filho num slide.
6- Escrever um blog
Escrever um blog tem me ajudado a aprender muito mais. Quando escrevo um resumo de uma palestra ou de um livro, preciso investir 10-20% a mais de tempo e consigo aprender muito mais do que quando apenas “assisto”. Escrever também me ajuda a colocar em prática, em ação, o que aprendo. Além disso, no blog já conheci pessoas interessantes, com interesses comuns, que não conheceria de outra forma.
Contei inclusive que um dos meus melhores amigos, Eduardo Carvalho, eu conheci pelo blog dele. Daí pensei: se eu conheci esse cara porque ele tinha um blog, devo estar perdendo oportunidades de conhecer outras pessoas porque eu não tenho um. Foi um empurrão extra para montar o meu. Tem valido muito a pena.
Relacionamento
7- Café
Não tenho vergonha ou receio de convidar para um café, para conhecer e aprendermelhor, pessoas que admiro. O próximo que devo conhecer assim é o Ben Casnocha, na minha viagem para San Francisco, no final desse mês.
8- Eventos e cursos
Participar de cursos e eventos, selecionados e especiais, pode ajudar muito a conhecer pessoas diferentes, cultas e com boa cabeça. Tem sido uma forma interessante de expandir meus contatos.
9- Aleatório
Estar aberto a conhecer pessoas aleatórias, que por acaso estão próximas de você, pode render bons frutos. Às vezes você pode conhecer um idiota, mas vale o risco. Eu já conheci, do meu lado no avião, o presidente da rede Bretas de supermercados e o Mr. Manson, guru do marketing viral e prega-peças nos jornalistas brasileiros.
10- Porque vim aqui hoje?
Sempre que ensino, também aprendo. Disse isso a eles. Ir na ArmRebel conversar também é uma forma de aprendizado, até de assuntos específicos. Eu, por exemplo, queria aprender mais sobre como eles faziam os vídeos de produtos e de palestras.
Auto-conhecimento
11- Terapia
Contei que faço terapia há pouco mais de um ano e isso tem me ajudado muito. A me conhecer melhor, a entender meus pontos fortes e fracos. A ir mais longe.
12- Corrida
Outra coisa que gosto muito de fazer é correr. Acho que é mais do que um esporte, uma atividade física, que me ajuda a me manter em forma (ou quase). É uma atividade que faz bem para a cabeça. Fico menos estressado, esvazio a cabeça quando corro. E tenho ótimas ideias. Contei que já “escrevi” artigos inteiros correndo. Me lembrei agora que o discurso da minha formatura, lá em 2002, também foi “feito” correndo.
Dicas
Mapas mentais
Tenho usado mapas mentais como uma ferramenta para brainstorming solitário e rascunho de ideias. Me ajuda a tirar tudo da minha cabeça e depois a organizar os tópicos. Depois de ter listado e mapeado tudo que quero fazer, passo para um próximo passo que é escrever.
Anote tudo
Lembrei de um anúncio de uma marca de caderno dos EUA, que o slogan é algo assim “Anoto para me lembrar depois. Anoto para me lembrar agora.” Isso é muito verdade comigo. Sempre, em qualquer tipo de reunião, levo me caderno e anoto. Me ajuda a fixar ideias e a pensar com mais clareza. Além disso, acho que passa uma imagem de seriedade e de que você se importa com o que a outra pessoa pensa.
The Dip
Mostrei o gráfico que resume o livro The Dip, do Seth Godin. O sucesso demora para chegar. E existe recompensa para quem chega do outro lado, pelo fato de poucos chegarem lá.
Conceito do porco-espinho
Já escrevi sobre esse conceito no blog Piapara. É uma recomendação do livro Good to great, do Jim Collins, que fala para você se perguntar três coisas. O que eu faço muito bem? O que eu gosto muito de fazer? O que o mercado está disposto a pagar para eu fazer? Pessoas e empresas de sucesso conseguem juntar as três coisas.
As perguntas
As perguntas e comentários da turma foram muito bons. Me perguntaram sobre corrida, sobre ter um blog, sobre exposição excessiva. A turma participou bastante. E eu gostei bastante da experiência.
E também fizeram vários comentários bacanas, aprendi coisas interessantes. Uma das mais legais foi a explicação do Lala, o apresentador da maioria dos vídeos da Arm, do porque a corrida me ajuda a pensar. Ele contou que há estudos comprovando que a atividade física aumenta a capacidade de retenção de informações, pelo aumento da circulação sanguínea.
Integrando as três partes
Escrevendo agora, pensei que vários dos pontos acima, estavam em mais de uma esfera. Daí pensei em fazer o diagrama abaixo. Por exemplo: meu blog me ajuda a aprender, a conhecer mais pessoas e a me conhecer melhor. Acho que faz mais sentido assim.
Links sobre essa palestra, em outros blogs
Muito boa essa curta apresentação que achei hoje no Slideshare, por acaso. O Ricardo também gostou.
- Faça o que você ama, Chris Wanstrath
- Você recebe o mesmo que entrega, Fred Wilson
- Nós somos guiados pelo cliente, Charles Brewer
- Resolva um pequeno problema seu, Seth Godin
- Babe Ruth teve apenas um home-run, Steve Jobs
- Gerar receita é um poderoso motivador, David Rudolph
- O que é medido, é administrado, Peter Drucker
- Seja tão bom a ponto de não poderem te ignorar, Steve Martin
- Olhe no espelho, Paul Graham
- Você não pode se divorciar de quem investe em você, Alan Taetle
- A diferença entre sucesso e fracasso é a capacidade de se adaptar, Jack Bauer
- Continue indo em frente, Walt Disney
Gostei e acredito muito nas frases 1, 2, 4,7 e 11. Quais são as suas?
Me lembrei da lista de 30 dicas do Eduardo Carvalho.

O site ChangeThis fez uma pesquisa com seus leitores e obteve 1.400 respostas sobre a crise nos EUA.
As perguntas foram:
- Em uma palavra, como você está se sentindo?
- Como isso está te afetando?
- O que você escolheu fazer a respeito
Muito bacana, uma pesquisa pequena, simples, e direcionada a uma turma boa, que lê o excelente site ChangeThis. A imagem que ilustra o post e é o primeiro slide da apresentação abaixo é um resumo a primeira pergunta. Os outros slides são algumas das principais/melhores respostas.
Algumas coisas me marcaram, ressoaram. Tem gente:
- vendo que há oportunidades
- contratando
- bebendo (é sério)
- pensando em abrir um negócio
- sabendo que não dá mais para viver no piloto automático
- trabalhando mais
- escolhendo/revendo o que é mais importante mesmo
- que não sabe o que fazer
- lembrando que o mindset correto é fundamental
- reconectando a antigos amigos/contatos
- buscando satisfação nas coisas simples, gratuitas da vida
- não entrando em pânico e agindo como idiota
- desligando a TV
- entregando mais valor para seus clientes
- escolhendo viver
Revendo essa lista, parece que até que a crise é uma coisa boa, não? Fora a bebida, é claro. :-) Aproveite a crise, no bom sentido.
Acabo de ler um post muito bom com 10 dicas para uma grande liderança em tempos de crise. Gostei muito e concordei com tudo.
- Trabalhe duro. É sério.
- Demonstre confiança e otimismo. Não significa acreditar em duendes.
- Não esconda a verdade.
- Peça ajuda a todos de sua equipe.
- Não fale mal da sua equipe, empresa, etc. Foque no que vocês podem fazer.
- Não se aproveite do fato do mercado de trabalho estar “comprador”.
- Tempos difíceis são uma oportunidade para mudar e inovar.
- Colabore entre diferentes funções e áreas da empresa.
- Comunicação, comunicação, comunicação.
- Lembre-se: é uma oportunidade de você melhorar.
Me lembrei de três frases muito boas que li recentemente:
- Nos bons momentos ninguém faz as perguntas difíceis, em material sobre a crise do varejo.
- Crise é uma coisa terrível para se desperdiçar, Jim Collins, em palestra no Brasil em 2008.
- Que você viva em tempos interessantes, provérbio chinês.
Acabei de ler um artigo muito interessante sobre como lidar com a crise, sem ser otimista demais ou pessimista em exagero.
…fazer todas essas perguntas o tempo todo pra mim mesmo, tentando ser bastante auto-crítico mas sem virar um pessimista, duro e questionador quanto a existência de oportunidades, realista como o momento pede em projeções e custos, com o cuidado de não matar o negócio e, principalmente, um gestor atento e incansável da montanha-russa das emoções…
Leia o texto na íntegra, acessando o site EmpresaBRASIL.
Gosto muito de ler os artigos do Bob. São curtos e com uma frequência grande me ajudam. Seja com uma idéia, seja como motivação. Seja como um pequeno momento de reflexão. Mais importante do que o que leio, é o que faço com isso.

Há algumas dias respondi a uma entrevista sobre o Kindle da Amazon, feita pelo André Miranda, do Segundo Caderno, do jornal carioca O Globo. A matéria saiu hoje.
Abaixo publico todas as perguntas e respostas, que dá um pouco da minha opinião sobre o aparelho da Amazon.
1. Quando, em que situação e por que você comprou o Kindle?
Comprei em abril-2008, quando fui aos EUA fazer um curso de marketing. Comprei porque queria conhecer como funciona. Sou amante de gadgets e principalmente por livros. Além disso minha empresa trabalha com informação digital – portais na internet e cursos online, por isso achei que valia a pena testar para conhecer mais sobre o produto, formato, modelo de negócios. Poderia sair daí boas idéias para minha empresa.
2. Você costuma comprar os livros digitais? Quantos já comprou? Poderia citar alguns exemplos?
Só comprei um livro digital até o momento, se chama Getting Real, da 37Signals. Já comprei audiobooks da Audible.com dos EUA e resumos de livros da Summary.com, também dos EUA. Agora estou comprando vários livros, para o Kindle. Além disso, o Kindle permite que eu transfira arquivos .DOC, .PDF e outros para o aparelho. Assim posso ler como se fosse impresso, sem gastar papel.
3. Antes do Kindle, você já tinha uma hábito forte de leitura? O Kindle mudou alguma coisa neste hábito?
Sim, sou apaixonado por livros, especialmente de negócios. Leio, e compro muitos livros. São uma fonte de inspiração e idéias. Além de me permitir, por um preço baixo, estar em contato com os maiores pensadores do mundo, de ontem e de hoje. Mudou um pouco, agora levo mais livros comigo, pesando menos rs…
4. Você acha que um aparelho como o kindle poderia pegar no Brasil? Poderia, talvez, incentivar as pessoas a lerem mais?
Acho que vai chegar sim, talvez demore um pouco, mas vai chegar. Sim, pode mudar muito, toda a indústria de livros. Pode criar uma nova “classe média de autores”, pode aproximar mais os leitores dos autores. Pode facilitar e acelerar a chegada de um livro ao mercado. Os preços hoje são ainda caros, apesar de custar menos que o livro impresso. A tendência é o aparelho ficar melhor e mais barato. E o preço dos livros (hoje custa no máximo US$ 9,99) deve baixar e muito. Muita gente vai querer dar o livro de graça.
5. Só para identificação: Você é natural de qual estado? E qual sua profissão ou ocupação?
Sou natural do Rio de Janeiro, tenho 30 anos. Fui criado em Laranjeiras e estudei no Colégio São Bento. Minha família trabalha com pecuária, graças a isso passei parte da minha infância e adolescência em Goiás, na fazenda. Em 1997 vim a Piracicaba estudar agronomia. Me formei em 2001 e desde então trabalho na AgriPoint, empresa que hoje sou sócio. Minha ocupação hoje é empreendedor. Desenvolvemos portais, cursos online e eventos em segmentos específicos do agronegócio – carne, leite, café e ovinos/caprinos.
Já escrevi dois outros posts, um explicando como comprar livros no Brasil e outro com uma análise mais completa sobre o Amazon Kindle.
Um detalhe legal (e meio nerd) é que tirei uma foto parecida com essa capa da Newsweek com o Jeff Bezos… Me diverti.
[Update] Para ir além, resenhas sobre o Kindle, de três amigos meus, que também têm um, e entenderam o negócio:

Conheci hoje um blog muito bom, de Tony Hsieh, CEO da Zappos, empresa especializada em venda online de sapatos. Na verdade, o foco deles não é uma área de produtos, mas serem os melhores em atendimento ao cliente. Ele escreveu, “pode ser até que venhamos a atuar na aviação comercial, mas sempre seremos os melhores em atendimento ao cliente”.
Li hoje um post excelente (Everything I Know About Business I Learned From Poker), que achei que valia a pena traduzir aqui os principais pontos. Segundo ele, tudo que aprendeu sobre negócios, foi no poker.
Leia os principais pontos:
Oportunidades de negócios
- escolher o mercado em que irá atuar é a decisão mais importante de qualquer negócio
- mude de área de atuação se necessário
- se você estiver em um mercado com muitos competidores, ou irracionais, ou inexperientes, mesmo sendo o melhor, será difícil lucrar
Marketing e marca
- se mostre forte quando for fraco, fraco quando for forte, saiba blefar
- ajude a “formatar” as histórias que os outros contam de você
Finanças
- esteja sempre preparado para o pior cenário
- ganhar sempre, ou não perder nunca nem sempre significa vencer no longo prazo
- busque o melhor retorno/risco, não o menor risco
- tenha certeza que sua conta bancária é maior que sua aposta
- jogue apenas com o que pode perder
- lembre-se: longo prazo
Estratégia
- não participe de jogos que você não conheça, mesmo que veja muitos ganhando dinheiro com isso
- entenda o jogo antes das apostas ficarem altas
- não “roube”, quem trapaceia não vence no longo prazo
- respeite seus princípios
- seja flexível
- se diferencie, faça o oposto da maioria
- esperança não é um bom plano
- “take a break”, quando necessário
Aprendizado contínuo
- aprenda, leia livros, aprenda com os outros
- aprenda fazendo
- tenha pessoas melhores a sua volta
- só porque você ganhou não significa que você é o máximo, e não precisa aprender mais, talvez foi apenas sorte
- não tenha medo de pedir conselhos
Cultura
- é preciso amar o que faz
- para ser excelente é preciso mergulhar de cabeça, café da manhã, almoço e jantar
- não seja metido, não seja arrogante, sempre tem alguém melhor que você
- faça amigos, seja legal, o mundo é pequeno
- divida o que você aprende com os outros
- esteja aberto a novas oportunidades
- se divirta, a vida é curta, e você aproveita mais quando está fazendo mais do que apenas tentando ganhar dinheiro
A Zappos é famosa pelo atendimento e pela cultura corporativa. A foto que ilustra o post é de um livro publicado ano passado. É uma empresa que estará definitivamente no meu radar em 2009.
Update: encontrei uma apresentação curta e bem interessante sobre a meta de vender US$ 1 bilhão em 2008.
Há alguns dias o Camiseteria fez uma promoção um tanto quanto arriscada, que me parece ter tido seu sucesso e seu fracasso.
Admiro muito o trabalho deles. Ainda não tenho nenhuma camiseta deles, mas sei que o atendimento é muito bom e eles sabem como (quase) ninguém usar as mídias sociais, web 2.0, etc.
É um benchmark meu de atendimento, inovação, e sobre como ter um negócio “open-source” e cool.
A promoção funcionava assim
Durante algumas hora do dia (acho que de 12h as 17h), quem “retuitasse” uma mensagem promocional do Camisteria, concorreria a 5 cupons que valiam uma camiseta.
Os resultados
Positivo: Mais de 1.300 retuitaram a mensagem. Um estrondoso sucesso, visto que no Brasil há apenas cerca de 30.000 usuários no Twitter. Dá para estimar que um percentual muito alto dos usuários do sistema foram impactados pela mensagem. O Cris Dias, quarto colocado no ranking brasileiro, repetiu a mensagem.
Negativo: Imagine você que segue vários amigos, que mandaram essa mensagem no Twitter. Naquele dia usar o serviço ficou mais chato. Algumas pessoas reclamaram. Eu sigo poucas pessoas, e só o Fábio Seixas, dono do Camiseteria, postou a mensagem.
Conclusões
A marca Camiseteria tem uma enorme reputação junto ao público no Twitter. Acredito que nenhuma empresa consegue fazer uma promoção como essa hoje no Twitter. A empresa é a quinta colocada no ranking brasileiro. A próxima empresa nessa lista está 24° e é um site de notícias.
Acho que o Camiseteria tem mais de 1.000 fãs verdadeiros (1000 true fans), termo citado pelo Seth Godin e criado e analisado em detalhe pelo Kevin Kelly. Segundo Kevin, uma empresa precisa se dedicar mais a ter fãs verdadeiros do que fãs. Um número relativamente pequeno de true fans pode fazer a diferença (leia o resumo do livro Tribes).
O “spam” feitos pelos usuários, em troca da chance de concorrer a uma camiseta, mostrou a fragilidade da promoção. Alguns devem ter pensado: o Camiseteria está “subornando” as pessoas com um brinde, para que elas me mandem spam, num serviço onde quase não há spam.
Um detalhe, para ter os ativos necessários para fazer uma ação como essa, 100% social, é preciso trabalhar muito. Isso não está a venda. E não se constrói do dia para a noite. Leva tempo, continuidade, confiança.
Em resumo: deu um super resultado, mas gerou algumas (poucas) reclamações.
O que se pode aprender com isso?
Talvez se a promoção tivesse sido um pouco diferente, se tivesse algum diferencial, como por exemplo, pedisse que os usuários inventassem alguma coisa, se tivesse alguma pequena jogada de humor, de forma a não ficar tão descarado que era um simples e puro “spam” feito pelos usuários do Twitter, em troca da chance de ganhar uma camiseta bacana.
Só acerta quem arrisca. E quem arrisca de vez em quando erra. Esse é o preço da inovação.
Essas são as respostas enviadas por muitos amigos que receberam minha mensagem na semana do nascimento do Vicente.
O que mais gostou
Dia-a-dia
O que eu fiz e me dá ainda hoje enorme alegria foi ter ficado direto com minha filha os primeiros sete meses, sem trabalhar, sem babá, curtindo muito esses momentos e, principalmente, amamentando.
A primeira coisa foi amamentá-lo exclusivamente até os seis meses de idade. Eu simplesmente adorei amamentar. A segunda coisa foi fazer de tudo para conseguir acompanhar o desenvolvimento dele o máximo possível, moldando, para isso, o resto da minha vida. Passei a trabalhar em horários alternativos, instalei em casa rede sem fio e comprei um laptop. Assim, posso dizer com orgulho que não perdi e não perco ainda nenhum detalhe do desenvolvimento e crescimento dele, neste comecinho de vida. Agora ele está começando a se tornar um pouco mais independente de mim, já corre e fala pelos cotovelos, tem muitas opiniões próprias e, em breve, deve estar indo à escola.
Brincar ao ar livre, tomar banho de chuva, pé no chão, mão na terra.
Ouvir as primeiras palavras que meus filhos pronunciaram.
Ter tido o privilégio de abrir os braços e permitir que dentro desse espaço de segurança, eles enfrentassem o desafio de se elevar e dar os primeiros passos.
Foram das coisas mais simples, acho que quando sento com eles falo de minhas histórias com meu pai, falo de fatos que aconteceram na minha vida e sinto que são momentos inesquecíveis e especiais… Sempre vale a pena, as crianças sempre aprendem pelo exemplo.
Licença paternidade e férias do papai para curtir a novidade.
Tirar um período para acompanhar integralmente os primeiros dias do filho e da mãe. Ensinar os filhos a plantar, o gosto pelas plantas e sair em passeios a pé, catando folhas, cascas, mostrando ninho de João de barro… Não deixe de filmar alguns momentos, em especial até os quatro anos. Há momentos imperdíveis!
Ter acompanhado o dia a dia bem de perto: acordá-las, fazer o lanche, levá-las à escola, participar das reuniões dos pais, ir aquelas festinhas de dia da árvore…
Esteja presente em tudo, que isso é o mais importante. Desde a alegria de brincar, até o esforço de acordar a noite, trocar fralda, etc. E quando receber um sorrisinho da criança, você vai ganhar o dia.
Curta cada momento. Cada fase da infância é diferente da outra e são momentos únicos na nossa vida.
Lembro que na fase inicial, uma das coisas que eu mais gostava de fazer era ficar sentado no sofá, servindo de “berço” para o bebê ficar deitado/dormindo de bruços. Nesse momento, eu conseguia descobrir um pouco melhor o significado da palavra paz…
Eu ia almoçar em casa para ver o bebê e à tarde não via a hora de voltar para casa.
Hora do parto
Agüentar firme e ter parto normal. Ter meu marido o tempo todo comigo no hospital.
Acompanhar minha esposa da chegada ao hospital até o nascimento de nossos filhos e levá-los até o berçário.
Não perca a oportunidade de ver seu filho nascendo. Nem a mãe vê. É uma exclusividade do pai e dos médicos, e é muito lindo.
Ver o momento exato em que ele sai da mãe e fazer os ultrassons.
Foi ter assistido o parto. Fotografei e filmei tudo e foi maravilhoso. Emoção única.
Leve filmadora, máquina fotográfica, etc. Mas, na hora H, esqueça de tudo, das fotos, da filmagem… Apenas segure na mão de sua esposa e curtam juntos a chegada de seu filho; É assim, juntos, que vocês devem estar para recebê-lo e criá-lo.
Diálogo
Conversar com a barriga durante a gravidez e todo dia que chego em casa pergunto a eles como foi o dia, se eles estão bem, se aconteceu alguma coisa de bom ou de ruim na escola. O final de semana, eu sou deles, só deles.
Contava histórias e cantava músicas de ninar ou cantigas de roda.
Educação, Relação e Criação
Criei-os com senso de honestidade, de afinco ao trabalho, de retidão moral, de apego aos valores espirituais acima dos materiais, com garra e vontade de vencer pela competência e pela compreensão. A sementinha que plantei frutificou. Quer coisa melhor que isso?
Foi criar meus filhos meio soltos, com coragem de tentar, dizendo pra se levantarem depois de cada queda. Hoje minha filha é corajosa e amorosa (com sete pontos na testa e tudo mais…).
O que fizemos foi dar muito carinho e amor (com consciência) e sermos coerentes. Um “sim” era sempre uma promessa cumprida e um não era “não” para valer. Sempre conversamos muito. Ensinamos o respeito pelas pessoas e pela natureza.
Tomamos a decisão de priorizar todos os nossos esforços e dedicação à educação de nossa filha e também, dar mais importância aos exemplos do que as palavras na nossa relação com ela.
Transmitir valores que fizessem com que eles fossem felizes e deixá-los tomar decisões. Eu diria para você ser simplesmente o que você é, e educá-los para se adaptarem ao meio em que vivem. Possuírem valores sólidos, mas aceitarem os valores dos outros.
Na medida em que percebi o que eu não estava fazendo, dei uma acertada na rota. As mudanças de atitude ou de visão são frutos da tão sonhada experiência que você queria ter com apenas 20, 25 ou mesmo 30 anos, mas que só acontece com o tempo. E hoje vejo que quanto mais ele passa, mas eu consigo dominá-lo e melhor vai ficando a vida.
Escutá-los, tentar compreendê-los e dar muito amor. E se tiver dúvida, dê mais um pouco.
Nunca ter dado ao menos um “tapinha no bumbum” dos meus filhos e conseguir autoridade.
Sempre cumpri o que prometi. Sempre disse a eles que escolhessem o caminho que quisessem desde que realmente se dedicassem ao que escolheram. Procurei não descarregar neles minhas frustrações. Sempre expliquei que o espaço deles termina onde começa o do próximo. Nunca bati em nenhum dos dois e eles nunca responderam para mim. Sempre fui eu mesma e dei o que eu tinha pra dar.
Às vezes queremos que os filhos sejam como nós, que gostem do que gostamos, que tenham as mesmas oportunidades que tivemos. Temos tido muita satisfação em poder expô-los a diversas oportunidades para que descubram o que gostam e para que se desenvolvam em áreas que muitas vezes, não são as nossas preferências ou prioridades. Refiro-me a esportes, música, artes, estudo, lazer/recreação.
Momentos especiais
A primeira vez que peguei meu filho no colo foi demais.
O primeiro sorriso para você, ou quando te chama pela primeira vez: é sensacional.
Trocar fraldas, dar banho, dar mamadeira, papinha, ficar sozinho com ela sem a mãe, me virar para resolver coisas que os pais acham que são funções de mães, etc…
Momentos em que passamos juntos na praia, fazenda (cavalgando) e nos divertimos…
Qualquer coisa que você faça e que seu filho abra um sorrisão daqueles não tem preço! Não tenho uma coisa que dizer… Nada em especial… Qualquer palhaçada, barulho estranho, brincar com bexiga, qualquer coisa que ele olhe para você e dê risada, é o máximo!
Eu nem lembro o que eu tinha feito, mas, quando sem querer, escutei a minha filha de quatro anos contando para as amiguinhas com muito orgulho e imaginação uma façanha minha. Era a coisa mais simples no mundo, mas nos olhos dela era tarefa de “Super Herói”. Nunca nada me encheu de tanto orgulho.
O que faria diferente
Educação, Relação e Criação
Arrependo-me de ter sido muito exigente no que tange ao comportamento social, exigindo atitudes muito acima de sua idade.
Se pudesse voltar atrás, teria usado muito mais o coração, do que os paradigmas pedagógicos para criar e educar meus filhos.
Proporcionar a oportunidade de estudar em escolas melhores, o que infelizmente não foi possível, porém, ele entendeu isso também.
A gente até teve nossa segunda chance e voltamos atrás em muitas coisas: passamos a dar mais colo, a deixar dormir conosco se quiser, soltar mais, abandonamos o berço e aderimos a rede (apesar de hoje em dia termos um gordo mais preguiçoso se comparado com a irmã na mesma idade).
No melhor estilo freudiano eu deveria ter construído uma relação melhor com meu pai. Hoje, tendo filho, estou correndo atrás do tempo perdido, mas não muito seguro se vou recuperar…
Proporcionar maior contato do meu filho com meus pais. Infelizmente meu pai já se foi e conheceu pouco meu filho, mas nunca é tarde para reparar. Tenho feito o possível para ele estar junto de minha mãe, avó e irmã.
Deveria ter soltado-a mais para o mundo, ter posto menos debaixo da asa, assim acho que ela estaria mais forte pra enfrentar o mundo fora de casa.
Me arrependo de não ter levado ela logo a um homeopata, de ter sido muito rígida em muitos momentos.
Se eu pudesse voltar atrás, tentaria motivá-los (também) para alguma atividade artística, música, por exemplo.
Deveria ter explicado que apesar de ela ter que respeitar as pessoas nem sempre ela seria respeitada… Vieram muitas lágrimas de tristeza. Explicar que nós, os pais, não somos perfeitos e que temos os nossos defeitos e problemas… Vieram algumas decepções.
O que eu não fiz com ele e que se pudesse voltar atrás faria é ensiná-lo a dormir sozinho (sem ter que balançar ou cantar para ele dormir), inclusive sem as mamadeiras noturnas porque até hoje ele acorda no mínimo quatro vezes à noite para tomar mamadeira e às vezes dá trabalho para dormir de novo. É um mau hábito introduzido por mim e agora não posso, de um dia para o outro, exigir que ele consiga dormir facilmente se eu o acostumei mal. Esse erro foi cometido por inexperiência e imaturidade, fruto da ansiedade que dá a situação de ter que colocar o bebê para dormir.
Poderia tê-los escutado mais, pois às vezes não dava muito ouvidos aos seus casos achando-os sem importância, quando talvez fosse o mais importante.
Dia-a-dia
Faltou-nos um mês a sós, com cada um de nossos filhotes, ao nascimento, em detrimento de toda e qualquer obrigação do trabalho e de contato com qualquer amigo ou parente.
A maior frustração foi não poder acompanhar seu crescimento, suas vitórias e derrotas, seu amadurecimento. As constantes viagens me impediram disso e esse é o maior arrependimento.
Sempre o trabalho dividiu momentos com as crianças, e acho que o priorizei mais do que meus próprios filhos. Isto é errado. Nada é mais importante que estar presente, o máximo de tempo possível, da família.
E (mais importante, ainda) naqueles momentos que eu estava com eles, mas com a cabeça em outra coisa (exemplo… trabalho) eu teria me educado/policiado para que estivesse 100% concentrado neles.
A preocupação de ser um bom provedor me tornou um pai ausente… Infelizmente o tempo não volta atrás e embora hoje nos visitemos com freqüência, sinto falta de não ter acompanhado a evolução natural: os primeiros passos, as primeiras palavras, os primeiros passeios, a ida a escola, a primeira namorada e muitas outras coisas.
Eu estive quatro anos afastado de casa, trabalhando em outra cidade. Creio que a família toda sentiu muito esse distanciamento. Perdemos muito do carinho, da amizade e dos diálogos no período. Continuo pensando que foi inevitável, mas abalou muito.
Se o dia-a-dia permitisse, gostaria de passar mais tempo com minhas filhas.
Ficar mais tempo com os filhos e desfrutar de suas infâncias.
Se eu pudesse apenas estaria mais perto deles…
Primeiros dias
Não esqueçam de dar uma arrumadinha no cabelo da mamãe depois que ela voltar para o quarto. É normal mamães saírem todas descabeladas nas primeiras fotos e não se gostarem muito.
No fim do primeiro dia, eu estava exausta pelas novidades e visitas. Legal se der para moderar as visitas no primeiro dia.
Deixar mãe e sogra pra fora de casa… Elas são maravilhosas, mas esse é um momento único na vida do casal e quanto menos interferências externas e palpites, melhor… As visitas são bem vindas, mas curtas e rápidas (esta é a parte mais difícil).
Se pudesse, assistiria o parto de minha filha.
Não tive a oportunidade de cortar o cordão umbilical (hoje penso nisso, mas não sei se teria coragem de fazer).
Tirar um período de “férias” maior que os oito dias de licença paternidade
Momentos…
Brincar mais no chão com os filhos (mas ainda tenho tempo para consertar isso…).
Me arrependo de não termos filmado nossa filha pequena.
Eu tiraria mais fotos, gravaria mais coisas, etc. Ande sempre com a máquina a tiracolo.
Apesar de ter muitas fotos da minha filha, sempre acho que poderia ter tirado mais, meu bebe já esta virando uma criança e sinto que já passou muito tempo e não registrei vários momentos.
Eu faria o que meu pai fez comigo. Ele me carregava para todos os lugares aonde ia e me ensinava tudo que sabia fazer. Eu gosto muito dessa idéia de companheirismo entre pais e filhos.
Se fosse uma menina faria uma casinha de bonecas, que ela pudesse entrar dentro e brincar com uma casa. Eu planejei fazer isso e fui adiando, o tempo passou e até hoje sinto que deveria ter feito. Se for menino, eu iria jogar mais bola e acampar.
Tirar férias e aproveitar os filhos. Tire sua licença paternidade e curta, meu caro.
Sem dúvida, ficaria mais tempo com eles, viajaria mais, daria mais risadas, enfim seria mais sábio e aprenderia ainda mais.
Viajaria mais com as crianças, pois os momentos que nós conseguimos nos “entregar” aos pequenos, longe da rotina e do trabalho, são indescritíveis.
Aprendizado
Teria tido mais um filho. Tenho só uma filha.
Querer “esperar mais” para ter filhos.
Fui pai tardio, tinha medo. Eu pensava nisso e queria fugir do compromisso.
Não demoraria muito para ter um segundo filho. Até dois ou três anos é o suficiente, depois você acaba não tendo outro.
Quando nosso filho chegou (nós o adotamos), fiquei meio que em estado de “choque”. Primeiro porque não tivemos a oportunidade de esperar nove meses para amadurecer a idéia e segundo pelas incógnitas que estavam vindo juntas com a adoção. A responsabilidade parecia enorme, maior do que eu deveria ou poderia ter assumido naquele momento, e achei que se tivesse esperado mais um ou dois anos eu teria as condições mais apropriadas para ter um filho. Iniciei essa empreitada muito preocupado com o futuro. Quando as coisas mudaram: vi que o que ele mais apreciava eram as coisas simples e os momentos juntos para brincar. No presente. Comecei então, fazendo as coisas mais corriqueiras: andar de bicicleta, jogar bola, desenhar, tomar um banho de piscina. No final você vai mesclando o que lhe dá prazer e o que dá a ele também. Aprendi a ser menos futurista e aproveitar o momento. Em resumo, o que o que mais me agrada é poder ver e acompanhar o crescimento deles com saúde e integridade. E torcer para que eles sejam felizes, do jeito deles.
Antes eu tinha pressa, queria que crescesse rápido, agora tento aproveitar mais cada fase, porque sempre tem um lado trabalhoso e outro muito prazeroso.
Comentários extras (e valiosos)
Vocês estão por mudar para a melhor fase da vida: o da convivência com os filhos.
Lambe bastante a tua cria, pois é muito bom.
Não há uma receita para criar filhos, já que cada pessoa nasce com sua própria personalidade e índole.
Tenho quatro filhos. Penso que ter três ou quatro é um bom conselho. Eles crescem juntos e acabam sendo bons companheiros entre eles depois. É muito mais fácil criar três ou quatro, do que dois ou um.
Um equilíbrio na educação, convivência familiar, outras participações na comunidade é mais importante que só uma escola cara e boa.
Uma coisa importante é não ir jogar futebol no dia do Nascimento. Eu fiz isto no meu terceiro e até hoje quando tem qualquer cobrança vem a frase: “você foi jogar futebol no dia do nascimento do seu filho”.
A gente pensa que os filhos vêm para a vida para que a gente os ensine a viver. Na verdade, o que ocorre é exatamente o contrário.
Só a decisão de ter filhos é de uma satisfação que não tem nada igual. Podemos criar uma empresa, uma fazenda, um grande negócio, mas nada é mais importante do que fazer um semelhante, um filho. A satisfação maior é tê-los, e de vê-los a cada dia crescer.
Não fique chateado, nem com ciúmes da sua esposa: depois do seu filho, o homem mais importante na vida dela é o pediatra.
Saiba que você nunca mais vai dormir da mesma forma. Suas noites serão interrompidas, no início, por choro, fome, fraldas sujas, etc. Depois, porque ele vai pedir para dormir com vocês ou acordar no meu da noite querendo brincar ou porque está doentinho. E, daqui a alguns anos, você não vai dormir direito porque ele saiu com o carro e ainda não voltou da noitada… Enfim, diga adeus às suas noites de sono. Mas, o mais legal disso tudo é que você, ao olhar para os anos que passaram raramente se lembra desses momentos. As lembranças que ficam são maravilhosas, por isso, é tão bom ser pai.
Fique ainda mais próximo de sua esposa no pré-natal, durante o parto e depois do nascimento do seu primeiro filho, pois com ele nasce a sua família. Nesse período é que se imprime boa parte das características de agitação ou serenidade ao bebê por isso, fique tranqüilo… Eles evoluíram para resistir à inexperiência dos pais! Demonstre todo carinho a sua esposa e se for necessário contrariá-la por qualquer motivo, faça com amor e muita paciência.
Foi tão bom seu e-mail que quis responder também. Primeiro realmente esse é um momento maravilhoso. A mamãe deve estar com barrigão enorme, com pezinhos nas costelas e ofegante. O mais estranho de tudo é que depois a gente tem muitas saudades dessa época. Ter um filho é a maior alegria e o maior medo de errar que já tive ao mesmo tempo.
Tive esta notícia em ocasião de uma viagem. Quando a recebi, flutuei. Esta emoção é indescritível. Temos dois filhos. Todo o momento é o momento, e não volta.
Curta-os, viva os filhos. Este é o maior patrimônio que podemos ter. Gostei deste teu e-mail, devemos viver a vida mais humanamente.
Não vou simplesmente responder para eliminar mais este da caixa de saída. Vou usar esta oportunidade para refletir sobre a minha vida, e espero com isto contribuir para a sua.
Caso sejam da religião católica, sugiro que, na escolha dos padrinhos de batismo, optem não necessariamente por familiares, mas sim por pessoas que realmente poderão acompanhar essa criança pela maior parte de sua vida (portanto cuidado para não optarem por pessoas muito mais idosas que você e tua esposa). E que essas pessoas realmente possam servir como a referência de vocês para dar continuidade a essa criação.
Esquecemos de tirar foto com o obstetra que foi uma pessoa super legal e importante naquele momento.
Se o rebento ainda não mudou, mudará a tua vida para sempre. Sua vida será muito melhor com ele e os demais que vêm por aí.
Rapaz, não tem um dia que eu não agradeça aos céus o presente! A vida com filho é vida completa, de responsabilidade? Não. De alegrias e de aprendizado.
Nasci de novo meu amigo e dessa vez nasci mais forte. Lembrar do menino, da esposa carinhosa que cuida dele, ajudar a cuidar, trocar as fraldas, fazer dormir, ensinar, ver que ele me olha como se eu fosse a coisa mais linda do mundo (depois da mãe dele, é claro), limpa os sentidos e clareia as idéias.
As maledicências do mundo moderno pouco mal me fazem agora, estou blindado e mais animado do que nunca. É só chegar em casa e ver meu filho e minha esposa, aí sou forte, sou remanso, sou Pai.
O que posso dizer apenas é que com um filho tudo muda, a começar pelas nossas prioridades. Tudo é aprendizado quando se tem alguém novo na família e que foi recebido com muito amor. Queremos que os nossos sempre bebês sejam os melhores em tudo, mas o que você perceberá é que eles têm qualidades e defeitos, assim como nós. Entender e respeitar os limites dos filhos é uma busca constante.
Um dos meus filhos escreveu em um trabalho na escola dizendo que eu faço o melhor churrasco do mundo! Eu entendo que a essência da história é que eu devo ter feito churrasco com amor e dedicação, e ele percebeu isto e aproveitou aqueles momentos mágicos. Faça com amor e dedicação e aproveite cada momento com o Vicente. Ele retornará com mais amor e o ciclo positivo de uma relação feliz está criada.
De um gourmet, especialista em carnes e gastronomia: O que me deu mais satisfação foi o almoço de ontem lá em casa com todos à mesa. O que eu não fiz? Almoço no domingo passado.
Certamente que o nascimento dos filhos é um momento ímpar, inesquecível e transformador. A partir de agora as chances de nosso individualismo triunfar se vêem tremendamente prejudicadas.
O poder já tem novo dono e não temos a mínima consciência de que isto aconteceu porque o desejamos. Mas é uma nova e extraordinária percepção do nosso universo particular. Que bom e saudável poder viver isto.
Parabéns também pela iniciativa. Sem dúvida se a gente perguntasse mais, erraria menos.
Meu comentário
“Tenha mais tempo para seus filhos, a vida passa rápido e você nunca conseguirá voltar atrás”. Percebi isso na pele. Minhas viagens a trabalho estão ficando mais marcantes em relação ao tempo.
Antes eu voltava, depois de 3-5 dias fora, e tudo continuava normal. Não tinha a impressão de que o tempo tinha passado, 3-5 dias “não faziam falta”. Agora, depois de 5 dias, muita coisa mudou, meu filho aprendeu coisas novas, está fazendo mais brincadeiras, interagindo mais. Parece brincadeira, mas não é. Agora o tempo passa, realmente.
Sugestões de livros, indicados pelos amigos
“O que esperar quando você está esperando”.
“Quem ama educa”, de Içami Tiba.
“Larousse Pais e Filhos”.
Nossas dicas de livros
Para futuros pais e mães de primeira viagem: “Mothern, manual da mãe moderna“. Um livro legal, e descontraído sobre o que é ser mãe (e pai) nos dias de hoje.
Para quando o filho nascer: A auto-estima do seu filho. O melhor livro que encontramos até o momento que explica como o lado psicológico do seu filho se desenvolve. Muito útil para entender a cabeça dos pais também.
Shantala, de Fréderic Lebouier.
Finalmente
Leticia, minha esposa, me ajudou a resumir, organizar e escolher as respostas dos amigos. A todos, muito obrigado. Deixe também suas respostas nos comentários, abaixo. Desculpe o texto longo, obrigado pela leitura.
Vicente, meu primeiro filho, nasceu em 21 de janeiro desse ano. Já se passaram cinco meses e a experiência tem sido simplesmente fantástica. Ele já me reconhece, já sorri, e até imita algumas peripécias do pai e da mãe, que babam… Coisas simples, que valem muito.
Na semana do nascimento do Vicente, escrevi o e-mail abaixo a muitos amigos e pessoas que admirava. Queria conhecer mais sobre as experiências de pessoas mais velhas que eu na ocasião do nascimento e criação dos filhos. Perguntei do que eles mais gostaram e o que eles fariam diferente se pudessem.
O resultado (as respostas dos amigos) foi fantástico. Primeiro porque pude aprender muito, muito mesmo. Segundo, porque foi muito legal conhecer mais de perto todas essas pessoas que admiro. Muitos eram conhecidos do trabalho, que me deram uma oportunidade de maior intimidade, respondendo às minhas perguntas. A todos, muito obrigado.
No post em seguida, coloco um resumo das respostas, separadas por temas.
O email
Prezados amigos,
Em alguns dias, o Vicente, meu primeiro filho, vai nascer. Estou super animado, vivendo intensamente esse momento. Acompanhar toda a gravidez tem sido uma grande aventura. E tenho certeza que o melhor ainda está por vir.
Resolvi fazer algo diferente, pedir a pessoas que eu conheço e que admiro que respondam a duas perguntas, sobre quando foram pai (ou mãe) pela primeira vez.
Peço que compartilhe comigo, como foi esse momento em sua vida e que conselhos/sugestões você pode me dar. Espero também que esse momento seja uma reflexão sobre nossa vida atual.
Abaixo as 2 perguntas:
1 – O que você fez, que hoje olhando para trás, mais te deu satisfação ?
2 – O que você não fez, e que se pudesse voltar atrás, faria ?
Aproveito para desejar um ótimo 2008, com sonhos realizados e uma vida bem vivida.
Um grande abraço, Miguel
Miguel da Rocha Cavalcanti
PS: Essa não é uma idéia original, copiei de um americano prodígio, Ben Casnocha, que fez isso em seu aniversário de 18 anos, com respostas muito legais.
Leia as respostas aqui. Vale muito a pena.








