
Michael Porter fez duas palestras seguidas na manhã do terceiro dia da Expo Managemente, em São Paulo, há duas semanas. Michael Porter é considerado uma das maiores autoridades do mundo em estratégia, tendo escrito alguns dos livros mais famosos sobre o tema.
Ele é daquelas raras pessoas que sabem tanto de um assunto, que já ensinaram, estudaram e revisaram tanto um tema, que tem uma capacidade incrível em explicar de forma simples de entender. Eu fiquei fascinado com a clareza que ele conseguiu explicar estratégia em profundidade.
Esse post é dedicado ao principal insight que tirei da sua primeira palestra. Não tente ser o melhor, seja único. Ele mostrou a declaração de visão e missão de grandes e admiradas empresas brasileiras: Brasil Telecom, Ambev e Embraer. E destacou quantas vezes há a palavra melhor. Foi uma maneira de chamar a atenção, e provavelmente não agradou aos que estavam lá e eram dessas empresas, mas faz parte do show.
Escolha seu cliente e procure ser único. Atenda o perfil de clientes que escolheu, mas não procure atender a todos. Procure se posicionar como único, através do valor que entrega, das competências que desenvolve na sua empresa. Através até da rede de valor que você constrói na sua empresa e fora dela. Tudo pode te ajudar a se tornar único (e não melhor). Eu fiquei pensando em quantas vezes já me vi falando melhor, em quantas vezes já vi bons profissionais falando em ser melhor. E como esse não é o melhor caminho.
Refletir sobre meu negócio e minha atuação pessoal, em todas as áreas, pensando em como ser único e não melhor. Para ser único, você trabalha pela sua excelência individual. Para ser melhor, fica se comparando. Eu me lembrei muito da frase do Nietzsche “Torna-te aquilo que tu és”, que gosto muito e já escrevi sobre isso.
Quando você compete nas mesmas dimensões, tende a tornar o mercado pior, e até menor. Ao competir para ser o melhor, o modelo mental é a soma zero: eu ganho, você perde. Quando compete em dimensões diferentes, a tendência é aumentar o mercado. Se você conseguir isso, sai da soma zero, e sua vitória deixa de depender da derrota do outro.
Ele deu dois exemplos interessantes de empresas com estratégia focada: a IKEA, que faz móveis muito baratos (e atende muito bem a filha do Michael Porter, mas ele não gosta), e a Nespresso, linha da Nestlé, de café espresso ultra-especial, que não é vendida em supermercados (como a grande maioria dos produtos Nestlé).
Eu achei muito interessante. Pensei também em como isso é básico. Em como é simples. E como é difícil e raro de se fazer, de se colocar em prática realmente. Porter ficou aproximadamente 30 minutos falando sobre isso, e achei que valeu o dia.
Para ir além:

Tenho lido bastante ultimamente sobre essa longa discussão sobre o fim dos jornais, sobre blogueiros x jornalistas. Alguns comentários pessoais sobre esses temas.
Os jornais vão morrer. Não porque não sabem fazer notícias, mas porque estão no negócio errado. Ainda estão no negócio do papel/impressoras, da distribuição milionária (você já imaginou o trabalho que dá fazer chegar um jornal na sua casa as 06:00hs da matina todo dia?), do controle/monopólio da informação. O mundo hoje é outro (ler abaixo). Parece que nem a Wired percebe isso.
A notícia, a reportagem, o jornalismo vão crescer ainda mais. Um ótimo exemplo é o site Techcrunch. Era chamado de blog, não sei como definir um blog, um site, um portal. Os caras tê um staff relativamente grande e de excelente qualidade. Fazem conteúdo top, como ninguém na área deles. Vendem publicidade, fazem eventos. Têm uma comunidade de pessoas que acompanham e adoram o trabalho deles. Não sei o que vai acontecer com o negócio mídia, publicidade, etc. Eu apostaria que o Techcrunch vai continuar fazendo sucesso. Um novidade, os caras estão estudando lançar uma versão de kindle – ipod touch – netbook. Com a cara deles, e que vai funcionar animal (minha opinião). Enfim, é uma empresa antenada no que acontece hoje no mundo, não tapam o sol com peneira.
Jornalistas bons são raros. Tenho dado várias entrevistas sobre o Kindle. Acho que sou um dos poucos brasileiros que tem um, que escreve bastante sobre isso, logo muita gente me acha fazendo uma busca no google. Em várias entrevistas que dei a jornalistas, teoricamente especializados em tecnologia, as perguntas foram básicas demais. Se tivessem lido 1-2 posts que escrevi, teriam muito mais info do que obtiveram fazendo perguntas rasas. É claro, há exceções.
Jornalistas “top” ainda fazem a diferença. Ler uma Miriam Leitão, Dora Krammer, Noblat, faz a diferença. Eles entendem do assunto, têm acesso direto e livre com as pessoas mais importantes. Têm experiência. Com isso, conseguem produzir textos que valem a pena ler, mesmo quando temos pouquíssimo tempo (quase sempre). Meu hábito de ler jornal é cada vez mais restrito a ler as análises dos colunistas que gosto. Ler matérias e mais matérias que me parecem enche linguiça, escrito por alguém que entende pouco do assunto, não me satisfaz. Talvez por isso cada vez menos gente boa leia jornal. Um exemplo disso é o Eduardo Giannetti da Fonseca, que diz preferir ler The Economist e ouvir rádio quando faz a barba ou está no táxi. Minha avaliação: para escrever tem que entender muito do assunto e pesquisar muito. Coisas básicas, que a “falta de tempo” parece impedir. O Noblat, por exemplo, deu uma palestra incrível esse ano na Campus Party.
Blogueiros bons escrevem sobre o que gostam (e isso conta muito). Logo, entendem muito mais sobre o assunto. Tenho um amigo, que foi cobrir um evento da HSM como blogueiro. Ele disse: em dez minutos de palestra com o Philip Kotler, a lenda viva do marketing, todos os jornalistas tinham ido embora. Iam fazer uma matéria “cobrindo” o evento, com conteúdo do press-release e com uma “aspas” que pegaram no início da palestra. Esse meu amigo ficou a palestra inteira, anotou tudo, refletiu sobre o assunto. Qual produzirá o melhor artigo?
A internet está mudando todos os negócios ligados a conteúdo. Filmes, música, livros, jornais, revistas e rádio. Tudo está ameaçado, especialmente se negar a realidade e acreditar em duendes. Quanto mais tempo as empresas gastarem tempo, esforço e dinheiro tentando reverter o que é irreversível, pior será. O negócio do jornal não é papel, da música não é um pedaço de plástico redondo. É o conteúdo e a relação desse conteúdo com as pessoas e entre essas pessoas.
Chato. Acho chato porque acredito que a maioria das pessoas não conseguiu entender o ponto de vista do outro lado, se repete muito as mesmas coisas. Como um bom mala, resolvi entrar nessa. :-)
Para ir além:
- Texto do Julio Daio Borges sobre o fim dos jornais. Essa é uma referência, quase definitivo, e cheio de links ótimos, para você se aprofundar. Se eu tivesse que ler só um texto sobre o assunto, leria esse.
- O Kindle – Ipod – Netbook do Techcrunh.
- Meu texto sobre livros e editoras.
- Meus posts sobre o Kindle.
Acabo de ler o resumo da palestra Microtendências, de Mark Penn, no evento da HSM, por Ricardo Magalhães (da BizRevolution). O livro entrou na minha lista de futuras leituras. Quero pelo menos ler um resumo. Abaixo as melhores partes, na minha opinião. A primeira frase é fantástica.
“A maioria das previsões para o futuro são erradas, porque é necessário entender muito melhor o presente”.
Você escolhe, desde que pague a conta.
“A economia Ford baseava-se na pseudo-escolha que você teria de comprar carro de qualquer cor, desde que fosse preta”. A Starbucks é o modelo oposto no qual o consumidor pode ter o que quiser, desde que pague a conta.
Isso acontece por três principais razões:
1. A internet muda a maneira pela qual as pessoas vendem, ao reunir grupos de pessoas dispersas geograficamente;
2. O custo da produção de bens personalizados reduziu-se, pois a manufatura está mais eficiente e tornou-se mais econômico produzir bens customizados;
3. Os indivíduos determinaram que querem ser diferentes – vestir-se, agir, viver, consumir diferentemente.
Casamento moderno, alguns detalhes novos: pais participativos, casamento a distância, namoro pela internet. Isso também já acontece bastante no Brasil, eu acho. Há muitos guias para mães, e quase nenhum para pais (acho que só o do Helio de La Peña, do Casseta e Planeta).
Ao mesmo tempo, os pais (do sexo masculino) passam mais tempo com os filhos nos Estados Unidos do que passavam antes, porque as mães transferiram parte de sua responsabilidade ao marido. Esses pais se consideram negligenciados pelo mercado.
Identificou-se, também, a tendência de os casais morarem em cidades distintas durante um determinado período de tempo, por razões de trabalho ou estudo. Isso significa um grande mercado para vídeo-conferência, por exemplo.
“72% das pessoas que se casaram pela internet, segundo nossas pesquisas, estão extremamente felizes, apesar do preconceito que ainda existe quanto a esse tipo de encontro”.
Aposentadoria. Achei interessante, pois vejo o trabalho assim. E imagino que deve ser uma grande realização para um idoso conseguir desenvolver um trabalho, em que usa sua experiência (grande) e não esgota sua capacidade física (pequena.
Metade dos americanos de hoje não vão se aposentar nunca. Uma parte deles, porque não tem dinheiro; outra parte, porque quer continuar trabalhando.
Interessante a demanda por novas formas de se consumir mídia.
Dobrou, nos Estados Unidos, o número das pessoas que viajam para chegar ao trabalho. Cresce, assim, o mercado para livros em áudio.
A revista The Economist falou sobre isso no especial sobre responsabilidade social corporativa. Muitas empresas se preocupam com isso, para atraírem bons funcionários.
O setor que mais cresce nos Estados Unidos é o de negócios sem fins lucrativos. O charme do mundo comercial já não é tão atraente.
O mundo é (ou será) dos nerds.
O palestrante destacou que os chamados social geeks são os consumidores de tecnologia que têm vida social ativa (diferentemente do que ocorria no passado, quando os adeptos da tecnologia escondiam-se).



