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Porque comprei um Kindle e minhas primeiras impressões, no Brasil

Na minha viagem aos EUA em abril, comprei um Kindle, e estou gostando muito. Aqui vão minhas primeiras impressões.

Muitos me perguntaram porque comprei:

  • Gosto muito de livros.
  • Tenho interesse em produtos de informação, usando meios digitais.
  • Sou fã da Amazon, do atendimento, do sistema de recomendações, tinha certeza que iriam lançar um produto top.

Vantagens:

  • A tela é fantástica, não parece tela, parece papel (essa é a grande diferença).
  • Como disse Jeff Bezzos na carta de lançamento, o Kindle “desaparece” em suas mãos, como um livro.
  • É muito agradável, fácil e prático de se ler no Kindle.
  • Você pode ler artigos e reports longos, que recebe em arquivos eletrônicos.
  • O livro nunca se esgota, vantagem para a Amazon :-)

Vantagens para quem está nos EUA:

  • A entrega é instantânea e automática, é o futuro, muito conveniente, o livro chega na hora, onde você estiver.
  • Você está sempre dentro de uma livraria – pode comprar (quase) qualquer livro a qualquer hora.
  • Você consegue acessar email (Gmail) e alguns sites mais simples.

Motivos para não comprar:

  • É caro (comprei por US$ 400,00, mas já está baixando).
  • É difícil comprar livros no Brasil (é preciso um cartão de crédito com endereço nos EUA – precisei pedir de um amigo).
  • Não dá para emprestar o livro a um amigo, só se emprestar o Kindle “inteiro”.
  • É a primeira versão, com certeza logo mais lançam updates, espera-se uma com tela maior, para estudantes.
  • O formato dos arquivos é protegido, proprietário da Amazon. Com a concorrência, em breve surgirão padrões abertos.

A revista The Economist resumiu “inovações que aproximam produtores e consumidores são interessantes, mas tendem a diminuir o lucro de quem está no meio”. Os intermediários entre escritores e leitores estão muito preocupados, e com razão.

Conclusões:

  • Ainda está caro, mas já é mais barato do que comprar muitos livros pelo correio na Amazon, pagar a entrega e esperar o livro (que às vezes não chega).
  • É uma revolução, pois junta as principais vantagens dos produtos digitais (entrega imediata, custo marginal zero, acessibilidade, etc) e produtos tangíveis como um livro (e sua portabilidade, de leitura fácil e agradável).
  • É um produto fácil de consumir, supera por exemplo, o grande problema dos podcasts por exemplo, que são difíceis de se consumir, de se baixar, receber, colocar no Ipod, etc. Para quem mora nos EUA, o jornal chega todos os dias na sua casa, depois de pagar a assinatura, não há mais “trabalho”. Funciona como uma TV ou rádio: é só ligar e na hora você começa a assistir.

Algumas observações:

  • A maioria das pessoas que fala sobre o Kindle, não tem um ou não viu um (em especial no Brasil).
  • Me desculpem, mas o Kindle não é feio, pelo menos é o que eu acho :-) A única dificuldade é segurá-lo sem apertar nenhum botão (que ocupam um bom espaço nas bordas).
  • Não pode receber tantas críticas, o produto ficou meses “sold out” nos EUA.
  • As resenhas (milhares) são muito positivas

O Seth Godin me disse que quem compra são fanáticos por livros, clientes que compram, em média, mais de um livro por dia (isso, mais de 7 por semana!). Essa é a razão para o modelo de negócio ainda ser tão “fechado”. Uma possibilidade futura muito provável é o sistema de assinatura em que você paga uma taxa mensal e consome quanto quiser, onde os que usam pouco subsidiam quem usa muito. Esse é o modelo de negócios de uma academia – quem gera lucro é o aluno que paga, mas não vai. A Amazon não poderia fazer isso, pois esse produto atrai os “viciados” em livros, pelo menos inicialmente. Já li que um sujeito já comprou mais de 1.000 livros para o Kindle.

Quem está nos EUA consegue acessar a web, via o sistema de celular embutido no Kindle, mas sites com Flash ou Javascript não funcionam (exemplo: Google reader).

Uma das reclamações mais frequentes é que não dá para fazer muita coisa que se faz no computador. Acho que isso é uma qualidade, em muitos aspectos. Menos é Mais. Não ter acesso a internet (wifi) é um ponto positivo para quem lê, pois pode se focar mais no conteúdo do livro, sem se dispersar nos infinitos sites. Além disso é positivo para o modelo de negócios: menos acesso a conteúdo grátis, mais chance de vender conteúdo.

Você pode converter artigos, reports e textos longos, que são ruins de ler na tela do PC, para o Kindle. Basta enviar por email para um endereço pessoa do Kindle, em duas versões, pagando US$0,10 por documento e recebendo via wireless (nos EUA), ou de graça, fazendo download e jogando no Kindle pelo cabo USB. Eu já fiz de vários artigos, inclusive desse “Alcançando a excelência“, que escrevi sobre um texto do site ChangeThis, em PDF.

O Kindle vai aproximar escritores e leitores. Seth Godin acha que os livros ficarão menores, com menos “enche linguiça”. Isso é bom.

O produto ainda é caro, mas deve cair o preço. Não comprei buscando uma barganha, mas querendo me dar de presente um gadget especial, para quem adora tecnologia, livros (e ler).

Para quem quer ler mais sobre o Kindle:

[Update] Para ir além, resenhas sobre o Kindle, de três amigos meus, que também têm um, e entenderam o negócio:

Quero ir na Flip em 2009

Li essa semana dois posts de blogs de amigos sobre a FLIP (Festa Literária de Parati) e aumentou muito minha vontade de ir em 2009.

Teresa Genesini, que conheci no curso sobre Lacan, escreve:

Participar da FLIP já faz parte do calendário básico de quem está ligado na cultura. Passada a ressaca literária, musical, etc, falo do que ficou para mim, as sobras da FLIP.

E cita frase de Jayme Ovalle (1894/1955), sobre poesia, em entrevista a seu amigo Vinícius de Moraes.

É a coisa mais importante do mundo. Todo mundo nasce com ela, porque ela é a própria vida. Todo mundo é criado com o dom da poesia e só deixa de ser poeta porque perde a inocência. Quanto mais um homem crescer carregando consigo sua inocência, mais poeta ele é.

Eduardo Carvalho, participou pelo segundo ano, com cobertura pelo blog e pelo Twitter. Ele explica o que é a Flip.

A Flip é muito mais um evento social do que literário. Muita gente implica com o evento, que é um auê, uma pequena bagunça em torno de uma experiência que é acima de tudo íntima, solitária. Não vejo muito problema nisso.

No ano passado ele descobriu com identificar escritores brasileiros. Hilário.

O principal motivo de querer participar é:

A idéia da Flip, acho, é que pessoas interessadas em livros, em literatura, se encontrem para conversar, nas mesas oficiais ou fora delas. Conversar sobre livros não é a mesma coisa que lê-los, claro. O que não significa que seja ruim, errado.

Me interessa mais o lado festa, com pessoas interessantes e inteligentes. O lado negativo é que Parati deve ficar lotada demais nessa época, com os restaurantes, que são um bom programa, difíceis de se aproveitar direito. Talvez eu esteja mesmo ficando velho.

A festa também tem seu blog oficial. Acho que é oficial mesmo :-)

Recebi também essa semana, um convite do Digestivo Cultural, com o nome “para quem perdeu a Flip“. Deve ser para mim… Vale a pena, e se você não puder ir, o Julio deve colocar os MP3s depois, para download.

Starbucks, no Brasil e nos EUA

Tenho uma longa admiração pela rede de cafeterias Starbucks.

Quando morei nos EUA, entre 1999 e 2000, passei bons momentos nas lojas de lá. Tenho marcado o dia que fui convidado por um amigo, primeira vez em um Starbucks, para ler o Wall Street Journal do dia e bater papo, em uma das cafeterias de Tucson, Arizona. Nesse dia, escolhemos uma loja longe de onde morávamos. Ao tentar pagar, a moça disse: “esses, hoje, são cortesia da casa”. Nunca me esqueci, mesmo depois de saber que é uma norma da empresa dar café de graça aleatoriamente.

Quando comecei a trabalhar na AgriPoint, li, emprestado do meu sócio, o livro “Dedique-se de coração”, do CEO Howard Schultz. Um dos melhores livros de negócios que já li, e que até hoje influencia a maneira como penso sobre negócios. A principal lição do livro é simples: sua empresa deve se basear em alguns poucos princípios fundamentais e, principalmente, deve ser fiel a eles.

Café e third place

A empresa busca oferecer um excelente café e ser um “third place“, ou terceiro lugar.

Um local onde você pode se encontrar com amigos, sem ser sua casa ou trabalho. Mas sem ser um local onde todos são anônimos. Onde você se sente bem e em casa, sem estar em casa.

Eu me sinto assim em um Starbucks. Vou lá para trabalhar, me distrair, passar bons momentos papeando com minha esposa ou amigos. Para mim, é um bom programa ir a um Starbucks.

Hoje a Starbucks está com problemas, ações em queda, competição acirrada, fechamento de centenas de lojas nos EUA.

Brasil x EUA

No final de abril, fui a Nova Iorque fazer um curso com Seth Godin, e tomei muitos café em inúmeros Starbucks da cidade. A primeira impressão: há uma loja em cada esquina, ou mais. É mais fácil achar um Starbukcs que um McDonald´s em Manhattan.

Segundo e mais importante: o atendimento nos EUA piorou muito. Parece que o problema é o grande número de lojas e a dificuldade de contratar um grande número de pessoas com habilidades para atender muito bem, e fazer um excelente café. Em especial quando a loja está cheia. O incrível é que Howard previu isso no livro, quando disse que não queria ter franquias, para não perder o controle, a qualidade, o padrão e mística. Com mais de 10.000 lojas no mundo, mesmo não sendo franquia, fica difícil.

Aqui no Brasil, as poucas lojas seguem muito cheias. O atendimento é muito melhor que nos EUA. Fiquei impressionado com isso, ao voltar a tomar café lá, quando estava nos EUA esse ano.

Outro detalhe

Acredito também que a empresa está aproveitando pouco a oportunidade de ser mais aberta ao cliente. Mais aberta a receber sugestões e críticas. Ter um blog (já escreveram sobre isso). Acabo de ler uma reportagem da revista Portfolio que dá a entender que a empresa faz pouco sobre isso (e a culpa é do jeito de Howard).

Escolha seu tamanho

Escolha seu tamanho

O que desejo

Espero que a empresa volte a ser um sucesso, de público, de vendas, de admiradores, e também na bolsa. Como empreendedor admiro muito a capacidade deles de fazerem uma marca de luxo, que você pode usar.

Além disso, mesmo com todas essas críticas recentes, e o pior atendimento (nos EUA), continuo um cliente satisfeito, grande admirador. E o livro de Howard Schultz continua um dos meus preferidos, e um dos primeiros na minha lista de possíveis presentes a amigos.